O silêncio da memória

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“Não existe um tempo linear para cada indivíduo. Inumeráveis tempos entretecem a trama de seu destino” ­— Augusto Roa Bastos   Ocultar-me, distrair-me, ausentar-me. Todo o silêncio que habita os subterrâneos da memória. Toda a palavra engasgada e partida. O medo percorre as linhas dos hemisférios, sopra bem suave na sua nuca, desvia o olhar quando é encarado. E invade e […]

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Subversão

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Subverto a forma do verbo. Faço incisões talhadas na pele para que não sumam. Somos perto – ou quando a memória falha e ressignifica somos longe, somos além, somos a frase inventada, somos pecado e perdão. O agora, sem passado nem futuro. O tempo-verbo-presente, sem distinção de moradas anteriores ou o plano abstrato da esperança ilusionista. Cada palavra se torna […]

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Palavra abissal

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O azul, o mais profundo. Toco no fundo do mar o som que não se ouve. Não é possível aos ouvidos humanos. Acontece de repente, como um soco ou algo que se vê na distração. Detalhe invisível, espelho que não reflete, o abissal mundo submerso, as ondas sem cor, a cor que brilha no escuro, a palma da sua mão […]

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Habitar-me

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A pergunta veio como um sussurro, ou um pensamento que vem à tona: “será que alguém consegue viver sem isso?”. Referia-se ao barulho das ondas do mar, que se ouvia não muito longe. Pensei um pouco sobre a ideia, e logo percebi que a maior parte da minha vida não escutei esse som, que era tão próximo e fundamental para […]

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Vertigem

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Vertigem, salto no escuro. O mundo vira literalmente de cabeça para baixo. Sensação de voo, mas queda livre. Nada segura, nada sustenta, nem a respiração lenta que pausa o movimento. Sem estabilidade, firmeza, chão. Neste momento as palavras caem como estrelas, cobrem o corpo inundado de incertezas. A falta de equilíbrio inverte a paisagem horizontal, formal, linear. Encontro um novo […]

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Equinócio de outono

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O primeiro dia de outono imprimiu suas matizes. Vento forte, folhas amareladas no chão, o céu carregado de cinzas e azuis. Nas ruas encontro, por acaso, pegadas de Julio Cortázar e Jorge Luis Borges. Como se fosse uma sina, um sonho, uma espécie de alento quando chega um amigo distante. Um sopro do futuro colado aos ares do passado. Passo […]

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Enquanto existir o mar

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Entre o ruído e o silêncio, ouve-se o barulho do mar. O ritmo preciso das ondas quando arrebentam na areia, quando batem nas pedras, quando se percebe, mesmo de longe, o som. O som que não sai do interior das conchas, não sai dos ouvidos atentos, não sai da imagem refletida nos sonhos, não sai da intensidade da palavra. Ressoa, […]

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Perto

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Sou toda essa lembrança. Sou o viés do vento que sopra quando fecha os olhos.  Sou o deserto que invade sua calma com a imensidão das horas guardadas no tempo. A respiração é lenta, o pensamento não existe. Apenas a constatação da paisagem que surge violenta e precisa dentro das minhas manhãs. Zero grau, voraz tecido da memória, imagem guardada […]

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Paisagem submersa

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Abaixo do oceano havia outro oceano que revelava um novo mundo. Ninguém ouvira falar, não havia vestígio desta terra submersa, quando, nas profundezas do mar sem fim, este lugar foi encontrado. Pausa. Respiro. Breve eternidade de surgir, ao acaso, um mundo perdido. Vasto, incompreensível, gigante. Em que horas seu rosto começou a dissolver-se no tecido fino da memória? Quanto tempo […]

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