Clássicos: eternos como os diamantes

Haverá algo mais moderno do que um clássico, sobretudo um grande clássico? Penso que não. Lendo Ésquilo ou Sófocles, Homero ou Virgílio, Dante ou Camões, Shakespeare ou Cervantes, Moliére ou Goethe, Tolstói ou Dostoiewski, Sterne ou Dickens, Flaubert ou Balzac, Eça ou Machado, o leitor não pode furtar-se a um sentimento de assombro, de êxtase, de vertigem. A verdade é […]

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Poemas Grego

Pártenon Quem transformou o tempo em doce cântico de pedra? Bem: Calícrates, Ictinos, esses foram os deuses arquitetos. Suas colunas dóricas são quantas? São elas que sustentam na espádua mais que perfeita, a abóbada celeste. Cornijas, capitéis, plintos, volutas: se é bom sonhar é esse o sonho grego, sangue branco a fluir dentro do mármore. (Como suster o céu, sem […]

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Ode ao ritmo, em versos predominantemente arrítmicos

1 Adeus rima. Good bye métrica Arrivederci, formas obsoletas – camisas de força, invólucros, pacotes, recipientes, vasos, embrulhos para nada.   2 Ritmo. É isso o que é preciso: ritmo. Definitivamente, irmão, tudo é apenas uma questão filosófica de ritmo. Temos assim o ritmo da valsa, do tango, do samba, da rumba, do foxtrote neurótico ou do jazz que vem […]

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A perenidade da arte

1 Ofício lúdico, exercício mágico: arte. Liturgia de assombro do homem precário, contingente, lutando para furtar-se ao império autocrático de Tanatos: arte. Relâmpago, rubrica divina que alguns médiuns eleitos riscam no in-folio do mundo: arte. Weltanschauung onírica: Cristalografia em flor do indescritível: arte. Projeção de tudo aquilo que, no homem, é ânsia de futuridade, apetência de beleza, fome de transcendência, […]

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Fernando Pessoa & o Prêmio Nobel

Não sei se o assunto já foi abordado por alguém, algures. Penso que não. Pelo menos, estou escrevendo com base nessa suposição apriorística. Começarei, de modo heterodoxo, antes de entrar in medias res, pela citação de um trecho da carta que Fernando Pessoa dirige ao amigo Adolfo Casais Monteiro (então com trinta anos de idade), poeta embrionário que haveria de […]

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Franz Kafka ou Uma agonia sem êxtase

1 Como escrever um romance, um grande romance, capaz de resistir ao influxo corrosivo do tempo? Como concebê-lo, nas suas coordenadas estruturais, nos seus parâmetros definidores? Como arquitetá-lo, no tempo e no espaço, injetando-lhe sangue, impregnando-o de nervos, infundindo-lhe vida autêntica? Para isso – não é necessário que saias de casa. Fica à tua mesa e conta. Não contes, sequer […]

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Um novo olhar (crítico) sobre a “Opus Majus” de Albert Camus

1 O que representa, em última análise, “A peste”? O romance é plurissignificante, polissêmico. Não será possível captar nele um significado, uma interpretação, uma “leitura” unívoca. Começa por participar do simbólico e do imagético. É fábula, alegoria, parábola. Mais do que isso: metáfora transparente. Suma antiteológica (fragmento da suma que é a “opera omnia” camusiana), reflexão pascaliana (só em parte, […]

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Da amizade & dos amigos

Com base na leitura de livros, jornais e revistas, tive oportunidade de coligir, ao longo das últimas décadas, dezenas e dezenas de pensamentos, epigramas, aforismos, provérbios, máximas etc., gravitando em torno de um dos temas da minha especial predileção. Refiro-me à amizade e aos amigos. Esses fragmentos amistosos – ou amicais – são por vezes semelhantes, formal e conteudisticamente. Mas […]

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