A arte de tomar decisões

Totalmente incorporada às nossas vidas, a arte de tomar decisões é realizada a todo momento sem que, em muitas das vezes, nem nos preocupemos com isso.
Hoje em dia, na tentativa de entendê-las e se possível melhorá-las, muitos estudos têm-se realizado. Pesquisadores, por meio de inúmeros trabalhos reunidos em um fórum na Alemanha, recentemente, mostraram que, em média, todos os dias, tomamos de 2.500 a 10.000 decisões.

Você riu? Eu também. O que não percebemos é que a cada momento estamos decidindo. Ir por este ou por aquele caminho para tentar chegar mais rápido ao destino; colocar esta ou aquela camisa ao olhar as opções no guarda-roupa, almoçar na churrascaria ou ir de comida mais light. Estas são decisões corriqueiras que nem percebemos, pois seu grau de importância não nos trará grandes prejuízos. Mas e quando se trata de mudar de emprego, compras volumosas, viagens, investimentos, etc.? É aí que vêm as grandes consequências, e é por isso que suscita tantos estudos.

A questão é como se processa esse mecanismo. Existem muitas teorias. Muitos estudos tentam chegar a um senso comum, porém, são tantas variáveis a serem consideradas que a coisa se mostra mais complexa do que parece. Questões como experiências anteriores, expectativas ilusórias e a personalidade de cada um influenciam em todas as nossas decisões. Vejamos um exemplo prático: jogadores contumazes ou investidores pesados normalmente são mais agressivos e muito confiantes, fruto de suas personalidades, suas decisões seguirão esse padrão emocional, tendendo a transferir suas agressividades e confianças também para suas decisões de negócios. Só que aí vêm os aspectos inconscientes de nossa mente, que, segundo Freud, fazem parte permanente de nossa vida e jogam a pitada do imponderável em algumas decisões. Durma com um barulho desses.
Mas por que tantos estudos e preocupações? Bem, é inegável que é um tema palpitante, mas o que se deseja realmente é ter a sensação de termos tomado a decisão certa. Será que ela existe? Se o resultado for positivo, relativo à nossa expectativa, parece que sim, mas ele for negativo, desqualificaria nossa decisão, tornando-a errada?

Esse é o ponto central da questão, ao nos decidirmos por algo, seja lá o que for, naquele momento, movidos principalmente pelas nossas emoções, pareceu-nos ser aquela a escolha mais acertada. Não é justo que, em outro momento, baseados somente nos resultados, critiquemo-nos por aquela decisão.

Ora, engenheiros de obras prontas existem aos borbotões. Como avaliar um momento passado dentro de um novo momento, com outras emoções e, principalmente, outras experiências, que nos tornem mais “capazes” teoricamente.

A intenção foi positiva? Então, compreenda que o resultado é uma consequência de múltiplos fatores, dentre os quais sorte. Mais um ingrediente a ser somado aos outros fatores já aqui mencionados, que o psicólogo israelense Daniel Kahneman, ganhador do Nobel da Economia em 2002, enfatiza em seus estudos, aumentando ainda mais as possibilidades do imponderável nos resultados de nossas decisões.

Em entrevista recente à revista Exame, Kahneman nos interroga dizendo: “Quando alguém ganha dinheiro na bolsa, como saber o que foi sorte, o que foi consequência de um movimento natural do mercado e o que pode ser atribuído a uma decisão acertada? Além disso, os resultados costumam demorar a aparecer e uma avaliação tardia é diferente da inicial”.

Você sabia que nosso medo de perder dinheiro é muito maior que nossa alegria quando o ganhamos? Por isso, ainda segundo Kahneman, pessoas protelam a venda das ações na alta sempre com a sensação de que ainda vai subir mais, como também de vender na baixa, pois fica a sensação de materializar o prejuízo.

Ao decidirmos por um determinado caminho na tentativa de chegarmos mais rápido ao destino, ficamos expostos a diversas questões: o fluxo naquele horário, presença ou não de lombadas, radares, acidentes, etc.
Mas como prever um acidente que tenha congestionado o trânsito no local, tornando, naquele momento, aquele caminho a pior decisão?
Novamente o imponderável, que também atende pelo nome de sorte, ou a falta dela, também chamada de azar, interfere.

Enfim, este ou aquele, por aqui ou por ali, agora ou mais tarde, sim ou não, vou ou fico e por aí vai, são decisões de nosso dia a dia, sendo que teremos sempre, no mínimo, duas possibilidades. Você estará sempre certo de acordo com aquele momento e as suas condições para essa decisão.

Por isso relaxe, o resultado será sempre bem visto por algum aspecto. Quem sabe se o acidente que aconteceu no seu trajeto retardando sua chegada não o tenha poupado de algo pior? O que pensavam as pessoas que perderam seu voo de avião algum dia por decisão de um caminho que por fim as atrasaram? Num primeiro momento se criticaram ferozmente, mas ao saberem que houve uma queda daquele avião sem sobreviventes, mudaram imediatamente de opinião e agradeceram pela “sábia” decisão.

Resumindo: nas suas próximas decisões, use de suas experiências anteriores, avalie suas expectativas para ver se não estão sendo muito ilusórias e cruze os dedos, pois todos, sem exceção, estamos sujeitos a fatores imponderáveis que podem mudar tudo em um segundo.

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