Contos não infantis

Chapeuzinho Vermelho não tinha caráter

Não é possível que alguém acredite na bondade de Chapeuzinho Vermelho. Patricinha, cretina, teimosa e sem caráter nenhum. Assediava moralmente e sexualmente um andarilho que era apelidado de Lobo.

Sua mãe mandou uma cesta de guloseimas para a vovó e pediu que fosse pelo caminho que beirava o rio e que nem se aproximasse da floresta. Chapeuzinho não tinha limites.
Colocou um vestido muito curto e uma capa vermelha para disfarçar. Substituiu a cesta de guloseimas da vovó e preparou uma sequência de sedução. Taças, bebidas geladas e deliciosos aperitivos, morangos, queijos… Tudo muito decorado com vermelho. Claro que o Lobo não deixaria de ver uma garota fazendo pole dance na floresta.

O que ele não sabia era do caso amoroso de Chapeuzinho e um caçador. Não deu outra. O caçador pegou os dois no maior flagra. Absolutamente passional não admitiu ser trocado por um rapaz marginalizado.
E aí começa a história que conhecemos. Orelhas e olhos tão grandes. A boca para te comer. E o Lobo com a camisola da vovó.

 

Três Porquinhos estelionatários

O Lobo Mau está preso. Depressivo e fala pouco. Foi usado como inocente útil pelos Três Porquinhos em um esquema sórdido.
Os porquinhos montaram uma empresa fantasma. Provocavam diariamente a ira do Lobo, através de xingamentos. Por sua vez o Lobo, que tinha pavio curtíssimo, se irritava, se punha a soprar e derrubava as casas.

Somente na frustrada tentativa de derrubar a casa de tijolos, descobriu que os Três Porquinhos, além do seguro das casas, se valiam do lucro cessante da empresa fantasma para as novas construções. Assim justificavam ao fisco a melhoria do patrimônio. Enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro. Golpistas de primeira e estelionatários.

Obviamente ninguém acreditou no Lobo Mau e por não ser réu primário aguarda julgamento preso. A seguradora investiga também as duas destruições das casas. Pode haver uma reviravolta no caso.
Vamos aguardar…

 

Rapunzel

A mãe de Rapunzel era uma dondoca. Cobiçava os rabanetes da vizinha. Fingiu depressão, chantageando emocionalmente o marido. Pressionado, invadiu o quintal da vizinha e furtou rabanetes. Flagrado, negociou a criança que era esperada. Entregue logo após o nascimento.

A vizinha era uma mulher amargurada que se autodenominava feiticeira. Sua vida era um mistério. Educou Rapunzel até os doze anos em “liberdade”. Quando deixou de ser uma menina e ganhou corpo de mulher, foi trancada em uma torre. O sentimento ia além de mãe de criação? A torre era alta e sem nenhuma porta. Rapunzel era submetida a toda espécie de caprichos da feiticeira.

Um príncipe se atocaiou por dias para observar Rapunzel. Não foi difícil conquistar a moça carente e solitária. Rapunzel, de ressaca e confusa, disse que a feiticeira era mais pesada que o príncipe. Gorda e traída. Foi demais.
A feiticeira enlouquecida a enviou para o deserto. O príncipe, desesperado, tentou o suicídio se jogando do alto da torre. Deu azar, caiu sobre espinhos e furou os olhos. Passou anos vagando sem rumo.

Cego, ouviu ao longe a voz de Rapunzel. Foi difícil acreditar que aquele fedorento e barbudo um dia havia agitado seus hormônios. Teve uma crise de choro tamanha foi sua decepção. O gostosão transformado em um traste. Derrubou lágrimas em seus olhos e o curou. Apresentou seus filhos gêmeos para descolar um teste de DNA. Reino é reino, oras.
O desaparecimento do príncipe que tinha sido abafado pelo serviço de inteligência do reino veio a público. A feiticeira, depois de ter comprado um bebê e abusado sexualmente de menor, continua solta, cheia de botox e megahair. E claro que Rapunzel e o príncipe viveram de aparências para sempre.

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