Prateleira. Ed. 152

Lançamento – Dicionário Amoroso de Curitiba

Dia 6 de maio, mais de 100 pessoas estiveram no concorrido lançamento do Dicionário Amoroso de Curitiba. A noite teve bate-papo do público com o autor do livro, Marcio Renato dos Santos, Osvalter Urbinati (ilustrador da obra) e Rosel Soares (editor da Casarão do Verbo,  idealizadora do projeto). O evento contou com as presenças dos escritores Roberto Gomes, Guido Viaro e Luís Henrique Pellanda. Os jornalistas Aroldo Murá, Hélio Puglielli, Luiz Rebinski, José Carlos Fernandes e o escritor Antônio Cescatto, entre outros convidados, também estiveram presentes.

Fotos: Daniel Snege

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André Sant’Anna apresenta 2,99

Por André Sant’Anna

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O escritor André Sant’Anna, autor entre outros de O paraíso é bem bacana e O Brasil é bom, leu 2,99 e assina o texto de apresentação do novo livro de contos de Marcio Renato dos Santos, publicado pela Tulipas Negras Editora. Confira parte do texto:

“O Marcio Renato dos Santos é um escritor muito estranho. Na alma dele vivem seres/personagens muito estranhos: uns caras esquisitos, cujas mentes são povoadas de pesadelos que se transformam em sonhos e sonhos que se transformam em pesadelos. Mas essa esquisitice toda é tão sutil, parece tão cotidiana no universo de uma cidade provinciana e literária e poética, como Curitiba, que acontece sem que a gente quase não a perceba.

2,99 fala de uma vida barata, de rotinas imutáveis, de uns sujeitos que estão sempre andando pela cidade, indo a lugar nenhum, através de paisagens pueris, ruas absolutamente cotidianas, percursos que raramente fogem do de casa para o trabalho, do trabalho diretamente para casa, onde seres humanos baratos simplesmente tomam banho, comem alguma besteira e esperam o sono chegar diante de uma televisão cuja programação não tem importância alguma.

Em 2,99, há um cara que sua muito, que anda de casa até o trabalho, do trabalho até o restaurante na hora do almoço, do restaurante para o trabalho, do trabalho para casa. As axilas desse ser exalam um mau cheiro sentido apenas pelo próprio solitário. Há também uma família de comerciantes cujo negócio bem-sucedido se deve à condição de corno passada de pai para filho, de geração para geração. Os homens da família são traídos pelas mulheres que se entregavam a anões.

Mas o que o adultério da esposa com anões tem a ver com sucesso nos negócios? Não faço a menor ideia e esse maluco do Marcio Renato dos Santos também não vai explicar em 2,99. O Marcio Renato dos Santos não explica nada.

 

Serviço:

Publicado pela Tulipas Negras Editora, com projeto gráfico de Osvalter Urbinati, tem 120 páginas, ISBN 978-85-917171-0-1 e custa R$ 30.

Milan Kundera reaparece

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A Vânia Mercer, sempre atenta ao que acontece na França, comemora a chegada nas livrarias de La Fête de L’insignificance (A Festa da Insignificância, editora Gallimard, ainda a ser publicado no Brasil), livro que encerra, ao menos em parte, o enigma do escritor Milan Kundera, esquivo e recluso, escondido e voluntariamente desligado de sua língua materna – escreve em francês desde A Lentidão, lançado em 1994. Antes da edição brasileira sairá a espanhola, prevista para ir a público em setembro, pela Tusquets. O livro já foi lançado na Itália, com 100.000 exemplares vendidos e crítica sem nenhum entusiasmo.

Aos 7 e 40

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Fazendo uso de uma estrutura bastante inovadora, João Anzanello Carrascoza conta duas histórias simultaneamente, que correspondem a dois momentos distintos na vida do personagem principal, que nunca é nomeado – seus sete e seus quarenta anos. Com capítulos intercalados, os ímpares narrando a infância e os pares a vida adulta, o autor se usa dessa estratégia para construir a oposição já presente no texto. Assim como a própria infância, os capítulos dedicados ao sétimo ano de vida do personagem são compostos de breves, mas intensos, episódios independentes, sobre suas experiências – a transgressão de roubar com um amigo o pássaro do vizinho; o esforço para seguir em frente após a perda do primeiro amor; as partidas de futebol disputadas com o irmão ao fim de tarde no quintal de casa. Ao melhor estilo Cortázar, os capítulos ímpares podem ser lidos em qualquer sequência. Os capítulos dedicados à vida adulta, ao contrário, trazem uma sequência de acontecimentos cronológicos relacionados à crise vivenciada pelo personagem aos quarenta anos; a separação da mulher e a falta dolorosa que sente do filho. 

Os 25 poemas da triste alegria

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Os 25 poemas da triste alegria buscam revelar um Carlos Drummond de Andrade desconhecido e acrescentam à sua obra um capítulo anterior a Alguma poesia. Em 1924, os poemas foram datilografados por Dolores Dutra de Morais, com quem o poeta viria a se casar. Depois de encadernados, foram confiados ao amigo Rodrigo Mello Franco de Andrade, de cuja biblioteca o volume só saiu para as mãos de Manuel Bandeira e, algum tempo depois, para as do próprio autor. Desde então, nunca mais se teve notícia do livro. É dessa época o conjunto de anotações manuscritas à margem da sua produção de juventude.

O apocalipse dos trabalhadores

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O apocalipse dos trabalhadores conta a história de Maria da Graça e Quitéria, duas empregadas domésticas (ou ‘mulheres-a-dia’, como são chamadas em Portugal) que, apesar do trabalho duro e da rotina opressiva, mantêm as esperanças em uma vida melhor. O livro narra suas desventuras amorosas – Maria da Graça envolve-se com seu patrão, que considera o homem ideal; Quitéria, por sua vez, vive um romance com um jovem imigrante ucraniano. Para incrementar o orçamento mensal, as duas fazem bicos como carpideiras, e passam madrugadas velando defuntos desconhecidos. Essa experiência entre mortos e a proximidade da finitude fazem com que tenham uma relação particular com a fé e a religião.

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