As lições do vexame

Não há gesto mais ridículo que o de tentar dissimular um fracasso testemunhado por milhões de pessoas em todo o planeta. Luiz Felipe Scolari e seu escudeiro Carlos Alberto Parreira entraram nessa para explicar o massacre humilhante sofrido pela Seleção Brasileira de futebol diante da Alemanha. Grotesco. Dois beócios a exibir soberba e argumentos chinfrins para justificar a goleada de 7 a 1. Em casa.

Nenhum sinal de humildade. O técnico Scolari diz que não sabe o que aconteceu nos seis minutos que teriam decidido a sorte da seleção, como se o desastre não tivesse iniciado muito antes, na escolha dos jogadores, na adoção de uma concepção de grupo e de jogo, na falácia de um farsante que confia na motivação burra dos jogadores, levando-os a um estado de tensão e pieguismo que exclui razão e substitui a alegria pelo choro, a técnica pelo voluntarismo.

Scolari é presunçoso. A solidariedade e outros fluídos são importantes, mas não levam a lugar algum sem jogadores com boa capacidade técnica e bom preparo físico, bem treinados para atuar dentro de um sistema tático definido, com variáveis definidas conforme o adversário. Ora, essa ideia de “fechar o grupo” e criar uma família em que o técnico assume o papel de pai é ridícula. “Família Scolari” é um insulto à ideia de seleção.

O fato de quase todos os 23 jogadores atuarem em grandes clubes dos principais centros de futebol do mundo não foi suficiente para a Seleção adquirir padrão de jogo e um mínimo de eficiência. Acreditar que apenas nós, os brasileiros, temos habilidade é um mito. Um técnico experiente e com neurônios em pleno funcionamento não pode acreditar, preconceituosamente, na “cintura dura” dos alemães que só sabem levar adiante o “futebol força” porque não têm a ginga e malemolência dos brasileiros.

Esse besteirol associado ao solene status que transforma a seleção em instituição estatal, servida por mordomias que servem à ostentação e ao conforto dos cartolas, cria uma atmosfera que pouco tem a ver com o esporte e que faz de cada jogador um ser especial, com o dom divino de derrubar qualquer dos adversários, é de uma asnice tão grande quanto os demais preconceitos e ideias comuns que fazem a cultura de nosso futebol.

Felipe Scolari, um chato de galochas, cheio de bazófia, é o emblema desses equívocos e de sua pretensão de ser o melhor do mundo, quando sua carreira está em visível decadência, comprovada pelo insucesso na Inglaterra e pela capacidade que teve de rebaixar o último time que treinou antes de assumir a seleção, o Palmeiras, para a segunda divisão.

Deste vexame, desta humilhação, poderíamos tirar um proveito: ver a reformulação dos conceitos que regem nosso futebol para que um dia possamos voltar a ser referência respeitável no mundo.

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