Cinema. Ed. 153

Pelé Eterno

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Pelé nas telas não foi tão bem quanto Maradona. Se os argentinos querem considerar Dieguito melhor que o Rei, podem fazê-lo no cinema, e só. Pois não há possibilidades de o argentino competir com esses números: 21 anos de carreira, 1.375 partidas, 1.281 gols; muito menos com esses títulos: dez anos consecutivos artilheiro do Paulistão, Pentacampeão da Taça Brasil, Tri nas Copas. Tudo isso é mostrado em Pelé Eterno, com a direção de Aníbal Massaini (2004). O documentário poderia ter sido menos apelativo e burocrático, mas as imagens com os gols e jogadas inacreditáveis já valem os 120 minutos.

Maradona por Kusturica

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Kusturica dirigiu a biografia de Diego Armando Maradona nas telas, são 90 minutos de intensidade, ora do jogador, ora do cineasta. Foi lançado em 2008 a trazer uma propaganda pró-Hugo Chávez e Evo Morales e contra o “imperialismo capitalista”. As imagens da Igreja Maradoniana são incríveis, talvez assustadoras. De resto é aquilo que conhecemos, as drogas, se não fossem elas teria sido melhor que Pelé, la mano de dios – com passagem muito bem humorada –, etc., etc. Porém, a identificação que há entre Kusturica e Dieguito é estreita e mostra de maneira dinâmica a vida do polêmico argentino.

Dynamo Kiev

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Em 22 de junho de 1941 o Dynamo Kiev inauguraria o Estádio Olímpico contra o CDKA Moscou, mas não foi possível. No mesmo dia, o exército nazi invadiu a URSS, e Kiev recebeu as bombas da força aérea nazista, a Luftwaffe. Todos sofreram com a chegada de Hitler, inclusive o Dynamo. A solução foi formar, com outros jogadores do Lokomotiv Kiev, o FC Start, uma equipe de boa qualidade, aquela que um dia o Leste Europeu já teve e que venceu vários amistosos no biênio 1941-42. Topavam o que viesse, até que veio o Flakelf, time de soldados da Luftwaffe.

Desafio aceito. Entraram em campo e fizeram o que estavam acostumados: ganharam. Para os nazistas foi uma vergonhosa derrota, 5 a 1. Exigiu-se revanche, como de costume o FC Start aceitou, afinal a fase era boa. Porém, desta vez veio uma ordem do poderoso exército nazista aos ucranianos a dizer que seria conveniente perder. Eternizado como “Jogo da morte”, os jogadores do FC Start preferiram ser eternos, em vez de efêmeros, carimbaram outro vitorioso resultado, desta vez 5 a 3. Dias depois vários jogadores foram capturados pela Gestapo, a polícia do Estado nazista, no Centro de Treinamento do clube e enviados a campos de concentração, tendo que realizar trabalhos forçados, oito foram executados.
A película mais famosa inspirada nos atletas do Start é a de John Huston, Fuga para a vitória, no entanto se passa em Paris e no enredo os jogadores são prisioneiros de guerra aliados que planejam fugir através do jogo. Protagonizado por Sylvester Stallone, o filme conta com nomes conhecidos do futebol, entre eles Pelé, o argentino Osvaldo Ardiles, o inglês Bobby Moore e o polonês Kazimierz Deyna.

Porém, o americano não foi o primeiro a usar a trágica história dos ucranianos. Dois tempos de jogo e um inferno, dirigido em 1961 por Zoltán Fábri, conta a história de prisioneiros húngaros que são convocados para perder num jogo comemorativo, na ocasião Adolf Hitler fazia anos. O desfecho é impressionante.

E mais recentemente (2012) saiu o filme russo Partida, cujo enredo é a relação do goleiro do Start com uma professora de alemão, com direção de Andrei Maliukov.

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