Música Erudita. Ed. 153

O sagrado de Byrd

Márcia Campos

BYRD

De quantas maneiras é possível cantar uma mesma palavra? Inúmeras. Ao somarmos a isso o sentido da religiosidade imprimido, a força da reverberação intrínseca e a entrega na esperança do encontro do eu com o divino, na plenitude, temos aí a música sacra, que traz como ícone o nome de William Byrd (1542-1623).

A força e a sensibilidade musical fizeram com que esse compositor inglês fosse considerado o maior do Renascimento. Sua versatilidade superou em muito seus pares, Palestrina e Lassus.

Byrd foi aluno de Thomas Tallis, alcunhado de “pai” da música inglesa de catedral. Juntos, atingiram musicalmente patamares elevadíssimos e até hoje são fonte de inspiração para palavras cantadas, sendo sempre redescobertos.

Vivendo em plena Inglaterra protestante, Byrd era um católico fervoroso, e sem nunca ter renegado sua fé, fez-se organista na Capela Real da Rainha Elizabeth. Mesmo em conflito íntimo, compôs músicas sacras ao longo de toda sua vida. Muitas destas foram tocadas no ambiente de capela e, em raras ocasiões, fora do ambiente litúrgico, as quais eram, muitas vezes, executadas em serviços católicos secretos. Foi um período de perseguição religiosa, em que as pessoas se reuniam em meio às florestas para professar a fé católica em ritos de cantos. Byrd nunca se escondeu ou se omitiu, embora tenha sido multado inúmeras vezes por não praticar o rito protestante (nesta época, quem não ia à Igreja era multado).

Seu talento e contribuição musical eram tamanhos que provavelmente a Rainha Elizabeth fizesse o que hoje chamamos de “vistas grossas” à sua opção religiosa. Byrd deixou um enorme legado, com centenas de composições individuais, o que faz dele um dos compositores mais brilhantes da história.

Em uma de suas peças, Libera me, de Cantiones sacrae (1575), temos: “Libera me Domine, et pone me iuxta te: et manus cuiusvis pugnet contra mim. Morre mei transierunt, cogitationes meae dissipatae sunt, torquentes cor meum. Noctem verterunt em diem, et rursum pós tenebras spero lucem.”

Na tradução livre: “Livra-me, ó Senhor, e coloca-me ao teu lado, e deixe a mão de alguém lutar contra mim. Os meus dias passaram, meus pensamentos são dissipados, atormentando meu coração. Eles transformaram a noite em dia, e depois escuridão. Espero novamente para a luz.”
E se fez luz para Byrd, através dos tempos.

Os clássicos ao seu alcance

Vito Ferrara

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O site de compartilhamento de músicas on-line Grooveshark disponibilizou uma playlist com as 100 obras-primas da música clássica. A lista, que compreende o período de 1685 a 1928, é uma compilação da série “Top 100 Masterpieces of Classical Music”, publicada em 10 volumes, em 1994. Cada um dos volumes abrange um período de 40 anos e reúne as 10 melhores peças de cada período executadas por orquestras diferentes.

A lista traz nomes como Johann Sebastian Bach, Johann Pachelbel, George Frederick Handel, Henry Purcell, Antonio Vivaldi, Tomaso Albinoni, Christoph Willibald Gluck, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Franz Joseph Haydn, Gioachino Rossini, Franz Schubert, Felix Mendelssohn, Frederic Chopin, Carl Maria von Weber e Robert Schumann.

O primeiro período, 1685 a 1730, traz Bach, Pachelbel, Handel, Purcell, Vivaldi e Albinoni. O segundo período, de 1731 a 1775, traz Handel, Gluck, Bach, Mozart e Vivaldi. O terceiro período, de 1776 a 1787, traz Mozart. O quarto período, de 1788 a 1810, traz Mozart, Beethoven e Haydn. O quinto período, de 1811 a 1841, traz Rossini, Schubert, Mendelssohn, Chopin, Weber e Schumann. O sexto período, de 1842 a 1853, traz Mendelssohn, Liszt, Verdi, Schumann, Wagner e Suppe.

O sétimo período, de 1854 a 1866, traz Offenbach, Rubinstein, Liszt, Brahms, Verdi, Grieg, Smetana, Suppe e Strauss II. O oitavo período, de 1867 a 1876, traz Tchaikovsky, Brahms, Smetana, Wagner , Grieg, Bizet, Delibes e Strauss. O nono período, de 1877 a 1893, traz Tchaikovsky, Dvorak, Rimsky-Korsakov, Grieg, Strauss II e Wagner. O decimo período, de 1894 a 1928, traz Strauss, Mahler, Sibelius, Rimsky-Korsakov, Massenet, Elgar, Dvorak e Ravel.

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