Prateleira. Ed. 153 – Especial Futebol

Jogadores eternos – a história do futebol através de entrevistas

carlos-nasserNelson Rodrigues costumava afirmar que no Brasil o futebol é que faz o papel da ficção. E não é de hoje que sabemos que a magia do futebol não se restringe às 4 linhas e aos 90 minutos. Histórias de bastidores, episódios de concentração, discussões de mesa de bar e outras lendas e mitos construídos ao longo das décadas fazem o futebol ficar ainda mais apaixonante. Jogadores eternos — a história do futebol através de entrevistas, do jornalista Carlos Nasser, resgata e apresenta um pouco desse universo. Produzido ao longo de uma década, a obra traz entrevistas exclusivas com jogadores, técnicos e jornalistas esportivos.

O livro retrata histórias do futebol em um tempo em que não contava com a tecnologia de hoje, que parece conseguir gravar tudo que acontece dentro do campo e involuntariamente deixa o futebol um pouco mais chato. Os lances não eram acompanhados por dezenas de câmeras que, agora, capturam o espetáculo nas lentes de incansáveis câmeras. O maior registro do futebol de antigamente é a memória de quem viveu e viu aquele saudoso tempo.

Por isso, para entender e rememorar aquela que foi uma das épocas mais gloriosas do futebol, é fundamental ouvir e dar voz a quem protagonizou o espetáculo. E este foi o norte da obra de Nasser. Entre os que foram entrevistados e são mencionados, ex-jogadores do quilate de Zagallo, Pepe, Didi e Pelé. A entrevista com o Rei, inclusive, é uma das principais passagens do livro. A presença de Pelé entre os entrevistados enriquece a publicação que, mesmo sem essa participação, já mereceria atenção especial da crítica e dos leitores.

Considerado o maior jogador de todos os tempos, Pelé é um mito. No livro, além da entrevista com o atleta, a figura de Pelé é discutida por outras vozes. Jogadores e especialistas analisam o mito e apresentam novos pontos de vista sobre o rei do futebol. Companheiros de campo e adversários reconstroem a lenda.

Para além do Rei e seus colegas de seleção, craques internacionais também marcam presença: o alemão Franz Beckenbauer, o inglês Bobby Charlton, o holandês Johan Cruyff e o argentino Di Stéfano aparecem nas páginas da edição. Um timaço de estrelas que renderam entrevistas memoráveis e histórias inesquecíveis.

Lançado recentemente, no mês de junho, em Curitiba, o livro foi uma das publicações aguardadas deste ano. A obra é uma ótima sugestão para quem se interessa em saber aquilo que os principais personagens da bola têm a dizer.

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O autor - Carlos Nasser dividiu as arquibancadas do Maracanã com Armando Nogueira, João Saldanha e Nelson Rodrigues – que, algumas vezes, mencionaram Nasser em suas crônicas e textos. Foi colunista semanal da Gazeta do Povo por 20 anos. É apaixonado por futebol.

O craque Tostão

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Tostão virou cronista esportivo e conseguiu manter na escrita o mesmo nível do desempenho que apresentava em campo. Seus textos têm a lucidez e precisão que o jogador mostrava em campo. Tostão é considerado uma unanimidade em um segmento da imprensa que lida com a paixão de torcedor. A perfeição não existe, publicado pela Editora Três Estrelas, da Folha de S.Paulo, reúne alguns dos melhores textos do craque que é considerado o melhor cronista esportivo da atualidade.

Futebol e romance

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Tostão virou cronista esportivo e conseguiu manter na escrita o mesmo nível do desempenho que apresentava em campo. Seus textos têm a lucidez e precisão que o jogador mostrava em campo. Tostão é considerado uma unanimidade em um segmento da imprensa que lida com a paixão de torcedor. A perfeição não existe, publicado pela Editora Três Estrelas, da Folha de S.Paulo, reúne alguns dos melhores textos do craque que é considerado o melhor cronista esportivo da atualidade.

Carlos Drummond de Andrade e o futebol

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O livro Quando é dia de futebol, do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, reúne os principais textos do autor — entre eles poemas e crônicas — sobre o esporte mais popular no Brasil. O material foi publicado, em sua maioria, nos jornais Correio da Manhã e Jornal do Brasil. Drummond retrata, a partir de seu inconfundível texto, o futebol, as Copas do Mundo que acompanhou, os gênios de bola e o universo do esporte no imaginário dos brasileiros. Recentemente, o livro ganhou uma nova edição.

 

Nelson Rodrigues e a crônica esportiva

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Nelson Rodrigues conseguiu produzir em diferentes gêneros sem perder a qualidade do texto. Foi dramaturgo, romancista, jornalista e cronista esportivo com um talento inconfundível. Algumas coletâneas comprovam a qualidade de Rodrigues ao falar de futebol. Os clássicos À sombra das chuteiras imortais, A pátria em chuteiras e o recente Brasil em campo, organizado pela filha, Sônia Rodrigues, estão entre as mais relevantes obras da crônica esportiva brasileira.

O escritor, muitas vezes, usou de métodos pouco ortodoxos para escrever suas crônicas. Além de ter parte de sua visão comprometida em função da tuberculose, Rodrigues já escreveu textos brilhantes até sobre jogos que sequer assistiu. Genioso, em um tempo em que a tecnologia começava a tentar deixar o futebol mais chato, Rodrigues já afirmou que o videoteipe é burro.

Mais do que praticamente consagrar um gênero, o autor também derrubou algumas lendas. A principal delas, talvez, foi mostrar que um cronista esportivo pode ter time e escrever sobre sua paixão. Nelson Rodrigues era declaradamente apaixonado pelo Fluminense.

O time de Ruffato

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Com a intenção de suprir uma discutível lacuna que existe na literatura brasileira — a de livros dedicados ao futebol — Luiz Ruffato convidou um seleto time de escritores da literatura contemporânea para escrever contos inspirados e norteados pela paixão futebolística. A seleção está reunida na coletânea Entre as quatro linhas — contos sobre o futebol. Cristovão Tezza, Marcelo Moutinho, Rogério Pereira, André Sant’Anna, Eliane Brum e Carola Saavedra são alguns dos autores que integram a coletânea. 

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