Música Erudita. Ed. 158

Desvendando os clássicos

Adriana Sydor

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Foto: Reprodução/site sinfinimusic.com

Saindo da ideia de que as informações de música clássica são para públicos que já têm conhecimento prévio sobre o assunto e a cultura da audição, um site de origem inglesa chega ao segundo ano de existência com a proposta de formar plateia e tornar o conteúdo acessível aos que apreciam, mas não entendem muito sobre o assunto.

Na contramão dos sítios, livros, palestras e outros tipos de divulgação da cultura erudita que afunilam a comunicação, o Sinfini Music pensa em estratégias que ampliem a conversa. Há canais de animações em vídeo sobre vida e obra de nomes de vários ciclos da música, clipes com trechos famosos de ópera, playlists temáticos por instrumentos, épocas, compositores, músicos e até ópera em quadrinhos.

Durante a Copa do Mundo, por exemplo, foi criada uma seleção com compositores brasileiros.
O site é em inglês e tem o objetivo de divulgação global e embora seja patrocinado pela Universal Music, os artistas e a agenda não têm relação exclusiva com os títulos da gravadora.

www.sinfinimusic.com não esgota assuntos e nem sempre chega ao objetivo de “desvendar os clássicos” para leigos como se propõe, mas é uma porta de entrada interessante para aventuras e informações novas aos que buscam ampliar conhecimento.

Bach, para alegria dos homens

Márcia Campos

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Estamos chegando ao fim do ano, que traz, com as festividades de Natal, o exame de consciência de termos feito tudo o que planejamos e se o comprometimento com o ano novo que virá sairá dos planos para a prática.

Momento propício para Bach, um dos maiores compositores eruditos, que deixou como legado, além da sua música, a teoria musical e deu aos homens um presente chamado Cantata BWV 147 – Jesu Joy of man’s desiring (Jesus Alegria dos Homens), uma de suas mais conhecidas. Jesus Alegria dos Homens é o último coral da cantata “Herzund Mund TatundLeben”.  Johann Schop, compositor alemão, compôs a linha melódica deste coral e Bach compôs a harmonia e a instrumentação do mesmo.

O texto é baseado em versos do Evangelho. Extremamente religioso, o compositor, tem-se a nítida impressão, externa a alegria do devoto em sua relação com Jesus, filho de Deus pai.

Talvez seja por isso que Bach usa nesta cantata as tercinas, chamadas de símbolos bachianos para indicar a felicidade. A comunhão de Bach com Deus é uma eterna felicidade e escrever para Ele, como se diz nos tempos atuais, não tem preço.

Há variações de instrumentos em sua introdução, mas com o violino fica simplesmente sublime. Já nos primeiros movimentos sente-se a força da melodia, com riqueza técnica, mas também a sua docilidade e beleza, algo que chega até ser difícil de explicar, mas não de sentir. Não sei se é por essa razão que esta cantata seja tão executada no repertório de Natal. Tem uma melodia fácil de se guardar na mente, que envolve e introspecta.

Encerro trazendo uma estrofe do Coral nº 6 (tradução livre):

“Eu tenho Jesus, que me ama e se confia a mim.

Ah! Por isso não o deixarei,

mesmo que meu coração se quebre.”

Assim é Bach, comunhão e fé, alegria e esperança, técnica e beleza, ontem, hoje e sempre!

 

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