Cinema. Ed. 158 – Tim Maia

Os críticos de cinema (quanto status quo, não?!) não gostaram muito de Tim Maia. O filme conta a história do Rei do Soul que começa na Tijuca como Tião Marmiteiro, passa pela sua ida aos States e a volta ao Brasil a todo vapor – aspirando pó mais do que nunca – e vai até o fim, com sua morte, depois de muitos quilos e sucessos acumulados.

Desagradou a alguns o fato de dois atores – Robson Nunes e Babu Santana – representarem Sebastião Rodrigues Maia, uns chegaram a se prender a idade deles, “mas como um ator de 32 anos vai fazer um Tim Maia de 17 e blá-blá-blá?!”, caso de Nunes, que recebeu a desconfiança por ser um comediante, pouco convincente à crítica dos críticos.
Houve também quem observasse o delay entre a voz de Tim Maia e a interpretação de Nunes, confesso que nesta hora estava envolvido pela música do Síndico do Brasil, apelido que recebeu de Jorge Ben, e não pude me ater a essa mesquinharia, se houve, que falha do pessoal da edição, hein?! Além do desprezo pela narração de Cauã Reymond, que interpreta um personagem fictício, ter sido considerada desnecessária. Caros críticos, a narração dá boa estética, conduz o espectador, o problema de Cauã Reymond não é a narração.

Parágrafo um. Fábio Fabiano, produtor, músico, conselheiro, amigo de Tim Maia, interpretado por Reymond, é um personagem que não existiu na história real do cantor. Pareceu ser a junção de Fábio, que poucos conhecem, mas todo mundo sabe quem é, ele que fez a vinheta “Rádio Globooo”; de Cassiano, autor de Primavera (Vai Chuva); e, talvez, Nelson Motta, autor de Vale Tudo– O som e a fúria de Tim Maia, livro que foi a base para o filme. Para quem, sabe-se lá deus por que, ainda não leu o livro ou desconhece a história de Tim Maia, pode ter tomado o tal Fábio Fabiano como um personagem real.

Parágrafo dois. A mesma licença poética aconteceu com a personagem de Alinne Moraes, que representa o papel de Janaína, esposa de Tim. Em entrevista, Robson Nunes afirmou que ela é a fusão de três ex-mulheres. Confuso. O que se comentou nos bastidores é que algumas pessoas não quiseram ser expostas no longa.

Alinne Moraes e Cauã Reymond podem confundir o espectador. Prejudicial para o filme? Não. Talvez para a compreensão das pessoas que não conheçam a história do Tião Marmiteiro. É, pode ser que tenha sido um pouco prejudicial.
Reclamaram também da interpretação de Roberto Carlos, falaram que ficou muito caricata, mas o Roberto Carlos é caricato, oras bolas! Ótimo assim.

O filme, como todos os biográficos, tem personagens ora demais, ora de menos. Não é ruim, é envolvente, você se envolve na história de Tim Maia, na vida de Tim Maia e, sobretudo e mais importante, na música de Tim Maia. O Rei do Soul no Brasil merecia uma biografia estampada na tela dos cinemas.

Antes do fim, o serviço. A direção é de Mauro Lima, o mesmo que fez Meu nome não é Johnny. O Tim Maia na fase jovem é interpretado por Robson Nunes e na fase nem tão jovem por Babu Santana. E são 141 minutos de “mais grave, mais agudo, oh, o retorno”. Parafraseando a fase racional desse gorducho, leiam o livro Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia. E, é claro, vejam o filme.

Tim_Maia

Foto: Reprodução/site cinemaemovimentoblog.wordpress.com

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