Prateleira. Ed. 161

Lançamento – Livro dos Novos II – 2015

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Foto: Revista Ideias

O novo lançamento da Travessa dos Editores é ao mesmo tempo um incentivo e uma aposta no mercado editorial. Na segunda edição do projeto, o volume traz as mesmas características que o primeiro, de 2013: 16 jovens autores, 16 contos.

As ficções começaram a ser encaminhadas à editora assim que o primeiro volume foi lançado. Uma série de escritores a buscar espaço para publicação tratou espontaneamente de submeter os textos a uma seleção. No final de 2014, foram escolhidos os que figuram agora nesta coleção.

Quem assina o prefácio é Daniel Zanella, um dos Novos do primeiro time: “[...] De fato, aqui a multiplicidade de vozes é um trunfo da discordância. A breve arqueologia afetiva conduzida através do conto pode ser delineada em três eixos de matizes distintos: a dificuldade de autoentendimento do papel do escritor-sujeito na costura do mundo, a dificuldade de entender o amor e sua complexa rede de vicissitudes e, por fim, a dificuldade de estabelecer uma fala altissonante em meio ao processo constante de capacitação por meio da tradição literária, buscando não ser refém das referências e entregar algo acima da avalanche de produções contemporâneas. Todas as dificuldades são válidas [...]”.

Nos contos é possível reconhecer pontos comuns entre os 16 autores que não conversaram durante suas composições: certa desilusão por assuntos ordinários e importantes, uma esperança que vive no fio da navalha e a solidão de um mundo muito grande e muito cheio.

Não dá para saber se isso faz parte dessa geração ou se é agonia enraizada nas tormentas de quem fica cavando, cavando e cavando as entranhas dos sentimentos humanos.

No final, todos os 16 são muito diferentes e são muito parecidos também. Sem a intenção de procurar uma unidade temática, o Livro dos Novos II – edição 2015 é uma antologia de sentimentos e olhares que nos invadem a todos em alguma instância.
Vida longa aos Novos.

Mazza e Zanetti

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Foto: Revista Ideias

São duas vertentes da comunicação reunidas num único livro. Luiz Geraldo Mazza, o jornalista; e Eloi Zanetti, o publicitário. Se juntarmos o tempo de carreira de ambos, temos mais de um século de trabalho e história, por isso que as mais de 500 páginas do livro Luiz Geraldo Mazza e Eloi Zanetti: comunicadores do Paraná podem não ser suficientes para tanto.
Ousado trabalho de Selma Suely Teixeira, professora aposentada da UTFPR e dona dos prêmios Cultura e Divulgação, concedido pela Câmara Municipal de Curitiba, e de Rodrigo Melo Franco Andrade na categoria Pesquisa e Inventário de Acervos.

Tua pele mais profunda

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Foto: Reprodução/site cvc.cervantes.es

No livro Último Round, de Julio Cortázar, há o texto “Tua pele mais profunda”, belo!, belíssimo!, bravo!, bravíssimo! “Cada lembrança apaixonada guarda suas madeleines e a minha – saiba você, onde quer que você esteja – é o cheiro de tabaco que me devolve à tua espinhada noite, aos cheiros da tua mais profunda pele. Não o tabaco que se aspira, o fumo que acinzenta as gargantas, mas sim esse vago e equívoco cheiro que deixa o toco de cigarro nos dedos e que, em algum momento, em algum gesto inadvertido, sobe com seu oceano de delícias pra buscar a tua lembrança, a sombra das tuas costas contra as brancas velas das cortinas.” Assim ele começa. E assim ele termina: “Nesta vaga baunilha de tabaco que hoje me mancha os dedos desperta a noite em que tiveste teu primeiro, teu último medo. Fecho os olhos e sinto no passado esse perfume da tua carne mais secreta. Melhor seria não tê-los aberto a este agora, onde leio e fumo e insisto em acreditar que estou vivendo”.
Rever Cortázar é sempre bom, ele deu luz aos pensamentos de alguns cineastas e recentemente à atriz Pagu Leal, que se apresentou no Guairinha com um monólogo, entre os textos “Tua pele mais profunda” de Cortázar, pois é sempre bom revê-lo.

Sangue no olho

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Foto: Reprodução/site issuu.com

É a estreia da autora chilena Lina Meruane no Brasil. Já foi premiada no México, Alemanha e em seu país de origem, onde se destaca entre os principais nomes da literatura contemporânea. Na Universidade de Nova York, ministra aulas de cultura latino-americana.
O romance que abriu a porteira no Brasil é Sangue no olho, narrado em primeira pessoa por Lucina, uma chilena, escritora, que vive em Nova York e está a se mudar para o apartamento do seu namorado Ignacio (não se tem notícia se Meruane se mudou para o apartamento de algum Ignacio). A felicidade de juntar as trouxinhas não dura muito, pois ela está com sangue no olho, e sem qualquer trocadilho, está a ficar cega. Não se sabe se é definitiva ou não a cegueira.
O tema da visão foi tratado por muitos escritores, impossível não se lembrar do Ensaio sobre a cegueira de Saramago, gregos antigos, no entanto, também já escreveram sobre. É um tema envolvente. Dá para entender a frase de Juan Pablo Villalobos – que assina a orelha – “[Foi] escrito com o ritmo implacável de um thriller, em que cada diagnóstico adquire a força de um clímax”.
O livro foi editado pela CosacNaify e traduzido por Josely Vianna Baptista.

Experiências Extraordinárias

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Foto: Revista Ideias

Rodrigo Garcia Lopes é valente, é poeta. Se aventurou num romance policial – O trovador – mas tem alma de poeta, é músico, mais: jornalista, tradutor e editor (da revista Coyote). Na poesia já lançou Solarium, Visibilia, Polivox, Nômada e Estúdio Realidade. A última aventura ainda está fresca, saiu em 2014 mais um livro de poesia, Experiências Extraordinárias. Dividido em quatro seções, o livro busca dialogar com o agora, dizer à literatura brasileira que é possível fazer isso com poesia.

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