Cinema. Ed. 162

Os primeiros

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Foto: Reprodução/site golenerd.com.br

Desde os primórdios da vida estudantil aprendemos nas aulas de artes e história que o cinema foi inventado pelos irmãos Auguste (1862-1954) e Louis (1864-1948) Lumière, em 1895, mentira cá não há. De fato foram eles. Porém seus “filmes” duravam apenas poucos segundos e mostravam cenas cotidianas ou trucagens visuais. Isto é, não havia uma narrativa, uma história, um contexto, um enredo, um vilão, um mocinho. Isso impedia o cinema de alcançar o status de arte. O divisor de águas foi o filme Ataque a uma missão chinesa – Soldados navais ao resgate, de 1900, dirigido pelo inglês James Williamson (1895-1933).

Os Lumière incentivaram muitos a entrar e perceber o potencial do cinema, exemplo disso foi Georges Méliès, o pai da ficção científica, que dirigiu Viagem à lua, de 1902, o primeiro filme de ficção científica da história, que está disponível no Youtube. Viagem à lua foi uma escola para filmes como Flash Gordon (1936), 2001: uma odisseia no espaço (1968) e Guerra nas estrelas (1977).

O empreendimento que elevou o cinema a patamares artísticos foi Société Film d’Art, criada para fazer reconstituições históricas, como o filme O assassinato do duque de Guise, de 1908. Embora os grandes pioneiros estivessem na França, o cinema chegou a lugares como Estados Unidos e Índia quase que simultaneamente à sua criação. Em 1912, William Fox, dono de um pequeno cinema nova-iorquino, fundou a Fox Film Corporation, que em 1935 transformar-se-ia na nossa conhecida Twentieth Century Fox. Em 1913, na Índia, o diretor D. G. Phalke lançou O rei Harishchandra, filme baseado na mitologia hindu.

À medida que o tempo passava e a tecnologia melhorava, os filmes tornavam-se mais ousados, dinâmicos, mais longos, até mais reais, a causar euforia no público. E nestes primeiros 30 anos de cinema, a revolução aconteceu com o cinema falado. Em 1927 se encerra a era do cinema mudo e é lançado o primeiro longa-metragem que conseguiu sincronizar falas e imagens, O cantor de jazz. E a partir de então tivemos grandes cineastas, de roteiristas a editores, de diretores a atrizes.

Sexo nas telas

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oto: Reprodução/site filmes.film-cine.com

A década de 1960 propiciou, ao que parece, o sexo no cinema – não nas salas, nas telas. A começar com o próprio ano de 1960 quando a FDA, agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos, aprovou o primeiro contraceptivo oral, a tal da pílula. Também tivemos a geração sexo, drogas e rock’n roll, era a liberdade (e libertinagem) jovem a bater de frente sem qualquer escrúpulo com o conservadorismo velho. Foi uma geração tão intensa que nomes como Jimi Hendrix e Janis Joplin não aguentaram o tranco e morreram assim que inaugurou a década seguinte, o mesmo aconteceu com Jim Morrison que faleceu um ano depois, em 1971.

O cinema não poderia ficar à margem da revolução estética e social que a década de 1960 trazia, e não ficou. As aventuras de Tom Jones (1963), uma adaptação do romance de Henry Fielding, escrito no século 18, que traz Albert Finney no papel de Tom, nos dias que seguem não há nada de sexual quando comparado com uma Ninfomaníaca, mas naquela altura foi considerado devasso.

Com o passar da década, a sociedade foi aceitando melhor essa “revolução liberal” e filmes com cenas e abordagens sexuais começaram a fazer sucesso. Blow-up (1966), dirigido por Michelangelo Antonioni, teve a sua consagração muito pelas cenas explícitas de sexo e o diálogo com o abuso de drogas na Londres da época. Outro filme que também chocou o grande público foi A bela da tarde (1967), que conta a história de uma dona de casa parisiense que se prostitui durante o dia para satisfazer seus desejos sadomasoquistas.
No final da década as leis de censura no cinema já estavam mais relaxadas e a partir da década de 1970 houve o escracho. Filmes que não tinham o porquê de cenas mais calientes passaram a usar os métodos, peitinho aqui, camisolas transparentes ali e o que mais fosse permitido.

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