Contra Dilma, contra o PT, contra a esquerda

Luiz Trevisani e Eder Borges. Foto: Carlos Garcia Fernandes

 

Eles estão descontentes com o rumo político e econômico que o país desanda a tomar. Por isso, após se conhecerem num grupo de ativismo político de Curitiba, decidiram parar de ver a banda passar. Agora, eles são a banda que chacoalham as estruturas.
Luiz Trevisani, 40, é publicitário, Eder Borges, 31, trabalha com arte e tecnologia, ambos músicos por diversão, mas a diversão ficou séria quando se uniram e formaram Os Reaças, uma banda que usa da música para fazer críticas ao PT, à esquerda e o que mais consideram errado.

Eder Borges disse que a esquerda é antinatural. Luiz Trevisani disse que para acertar o caminho que devemos seguir basta olhar para onde o PT vai e seguir na direção oposta. Juntos fizeram sucesso com a música Impeachment. Eles são mais um fenômeno das mídias sociais, já passam da marca de milhões de visualizações, todavia avançaram para o mundo real e palpável e acreditam que vão conseguir mudar o Brasil, lutam por isso. E a mudança deles já começou. No dia 15 de março estavam lá em São Paulo, a convite dos organizadores da manifestação, para gritar contra a Dilma, para mostrar o sucesso de suas músicas, para gritar o refrão de Impeachment.

A entrevista rendeu, nem um nem outro tem medo das patrulhas, botam a boca no trombone pelos seus ideais, por acreditarem que o lado certo de se estar é o direito, é a direita.

 

Quem são Os Reaças, quando surgiu a banda e por qual propósito?
LT – Eu sou publicitário e músico nas horas vagas e venho fazendo um trabalho de crítica política há algum tempo, mais especificamente desde dezembro de 2013. Esse trabalho teve uma repercussão que contou com a divulgação de alguns jornalistas nacionais, como Augusto Nunes, Rodrigo Constantino, Felipe Moura Brasil e Aluizio Amorim. No final do ano passado, o pessoal do Direita Curitiba – um grupo de ativismo político da cidade – entrou em contato comigo e me convidou para entrar no grupo, foi assim que eu conheci o Eder. Ele também é músico e compositor e tem uma carreira na música popular e começamos a fazer as coisas juntos. Na verdade, eu estava fazendo tudo sozinho e arrumei um parceiro.

De início, fizemos o meu trabalho solo com a participação do Eder. Chegou um momento em que ficou evidente que não era o meu trabalho solo com participação dele, éramos uma banda e formamos Os Reaças, que já deixa indicado qual é a proposta musical da banda.

EB – As coisas foram acontecendo e rendendo bastante. Nosso primeiro trabalho foi uma marchinha de carnaval chamada Olavo tem razão, que deu bom resultado, chegamos a 150 mil visualizações.

LT – A marchinha rendeu um vídeo, que a gente gravou aqui em Curitiba, no estúdio de um colega, e esse vídeo chegou até o Olavo [de Carvalho], que obviamente passou a compartilhar. Com isso, ganhamos a simpatia de uma legião de pessoas que conhecem e curtem o Olavo de Carvalho. E a partir daí ele passou a ficar de olho na gente.

EB – Aí já deu para aparecer bem, nós saímos em muitos veículos de comunicação, em vários blogs, saímos na Veja e, na sequência, já fizemos a Impeachment, que popularmente foi chamada de Hino do Impeachment, que se contarmos todos os canais de divulgação, acreditamos ter chegado a um milhão de visualizações.

LT – Ou talvez mais, porque a gente contou com o apoio do Revoltados Online, que tem um site muito visitado, a quantidade de visualizações por minuto é altíssima. E teve, não só um, como vários vídeos em que o Marcelo Reis – que é quem toca o site – fazia um vídeo dele chamando para a manifestação do dia 15 [de março] e emendava na nossa música. Esse vídeo dele tinha 1,5 milhão de visualizações e as pessoas ficavam até o fim basicamente. Teve um vídeo que gravamos lá em São Paulo, também chamando para a manifestação que tinha a música logo a seguir, que facilmente tinha 500 mil visualizações. Nós conseguimos gerar, contando Facebook, Twitter e Whatsapp, mais 500 mil visualizações.

EB – Na verdade, meio milhão só nos canais oficiais nossos. O Whatsapp que tem poder de viralização imenso hoje – há quem diga que é o maior veículo viralizante da atualidade – é algo que não temos controle.

LT – Quando o vídeo [da música Impeachment] foi lançado, estávamos naquela semana em que os caminhoneiros se encontravam em greve e eles usaram o Whatsapp como se fosse um rádio, passavam todos os comandos via Whatsapp. E nós soubemos que eles estavam vendo o vídeo, isso viralizou entre eles. Então, tínhamos ali outro canal de distribuição. Numa medida modesta, a gente acredita ter gerado meio milhão de views. Fora esses canais, como Revoltados Online, que também ajudaram, o articulista da Veja, Marco Antonio Villa, também colocou na página dele. Muita gente divulgou. Então, talvez dois milhões de visualizações seja um número que dá para dizer. E isso botou uma espécie de holofote nas nossas páginas oficiais do Facebook, eu praticamente dobrei o número de amigos. E agora qualquer coisa que você faz tem muita gente olhando, estamos até mais cuidadosos nos posts, mas aproveitamos para passar nossa mensagem.

O segundo trabalho da banda, Os Reaças, foi uma música sobre o Foro de São Paulo, chamamos de Desaforo de São Paulo e, para aumentar a injúria, criamos um hino do Foro e fizemos uma cabeça no vídeo que tem o que seria um vídeo do Foro de São Paulo produzido por eles e daí emenda na nossa música. O curioso é que tem muita gente achando que aquele hino é deles mesmo. Teve um senhor que comentou: “você imagina um hino desse, não pode vir coisa boa”. Ele não conseguiu captar a ironia do vídeo.

EB – E foi uma coisa propositalmente tosca. Na produção de áudio deu uma sujada, para lembrar um radinho de pilha boliviano. O hino foi gravado em portunhol, mas num portunhol safado, com palavras que nem existem, um negócio tosco mesmo, que ficou como a introdução desta música. E tem dado um resultado muito bom também, em 24 horas já estávamos com 70 mil visualizações, só no Facebook.

Veja em que mãos o Brasil está hoje, estamos sendo governados por guerrilheiros, um bando de terroristas, gente psicopata, como é o caso da Dilma.

Caso ocorra o impeachment, Os Reaças continuam caminhando e cantando por outros propósitos?
EB – Claro. O impeachment é só o começo de uma longa batalha, o que a gente tem que derrubar mesmo é Foro de São Paulo, esse é o grande problema do Brasil e do continente, essa é a grande ameaça.

LT – O PT serve ao Foro. Isso que aparentemente é visto como uma dificuldade de gestão é tudo programado. A ideia é quebrar o país, porque isso interessa ao Foro. Eu queria fazer um parênteses.

Acho curioso quando as pessoas criticam o neoliberalismo e todas as mazelas que ele traz sem fazer ideia do que estão falando. Quem diz que o Fernando Henrique Cardoso implantou políticas neoliberais em seus dois mandatos não faz a menor ideia do que é o neoliberalismo, e não faz mesmo porque nunca o experimentou. E sabe por quê? Porque o neoliberalismo é uma política que só pode ser implantada num país capitalista, coisa que não somos. O Brasil está preso ainda num mercantilismo do século 18. A partir de 2003, com o governo Lula, foram criadas uma série de facilidades de exportação e uma série de dificuldades para importar. O objetivo claro disso é gerar uma balança comercial favorável. O que é basicamente a ação de um estado intervencionista e protecionista, que é a definição do mercantilismo. Para ser um mercantilismo clássico só faltava pegar matéria-prima das colônias, coisa que a gente não faz porque não tem colônia.

As pessoas falham em não perceber que só o liberalismo econômico pode trazer a liberdade política. Porque quando a propriedade privada possui os meios de produção e distribuição, é o mercado que regula preço, oferta e demanda. Você não depende do governo, pode fazer a escolha política que você quiser. Hoje, no Brasil, a gente vive uma repressão econômica. Se você está alinhado com o governo, faz bons negócios e progride; se você é um crítico da gestão do PT você fica à míngua. O objetivo dessa repressão econômica é gerar uma repressão política. Se na sequência vier a censura à imprensa, acabou, aí é o bolivarianismo. A gente vai passar do mercantilismo ao bolivarianismo, sem nunca ter sentido o gosto do capitalismo.

EB – Gostaria de complementar. Está surgindo no Brasil – e é um fator que se deve ao sucesso que a gente vem obtendo em tão pouco tempo, pois já começamos fazendo mais de cem mil visualizações e é o nosso primeiro trabalho – uma onda liberal. Ou melhor, já surgiu e está crescendo, isso já é fato, é palpável, um fortíssimo movimento liberal. Por exemplo, a manifestação do dia 15 de março teve 1,2 milhão de pessoas na Avenida Paulista; em Curitiba, 120, tem gente falando em 150 mil, é a maior manifestação da história. E detalhe, todas as manifestações da história do Brasil sempre tiveram por trás o grande capital, a grande mídia, sempre partiram de cima, movidas por interesses e arrebanhavam as pessoas. Agora não, agora é o contrário. Estão surgindo da população mesmo e não têm nenhum apoio da mídia. Ela só desinforma quanto a isso. Eles tiveram a pachorra de dizer que tinha 210 mil pessoas lá em São Paulo, num lugar que tinha 1,2 milhão. A Paulista estava inteira lotada e tomada. Milhares de pessoas estavam com cartazes “Fora Foro de São Paulo”, cartazes anticomunismo, “Olavo tem razão”, e a mídia não fala absolutamente nada. O que ela faz, vai lá naquela meia dúzia de gato pingado que pede intervenção militar para queimar o movimento.

LT – A Folha [de S. Paulo] fez um vídeo que é pavoroso. Ela editou só com as pessoas tansas. Entrevistaram várias pessoas e muitas delas eram tansas e estas que entraram no vídeo. Coisa impressionante. A impressão é que é um bando de idiota que não sabe o que está falando, quando na verdade o que se ouvia lá era “Fora Dilma”, “Fora PT”. Como foi noticiada uma passeata contra a corrupção? Não existe “corrupção”, existem pessoas corruptas, o ato de corromper e ser corrompido. A corrupção é uma coisa abstrata, você não pode lutar contra ela. Tem que lutar para tirar o maior partido corrupto da história do poder.

Quem pede a intervenção militar, coisa com o que a gente não está alinhado, diz que tirar a Dilma não resolve, pois depois vem o Temer, tira ele vem o Cunha, tira o Cunha vem Renan. Logo, a única coisa que resolveria seria uma intervenção militar porque zera tudo, fecha o Congresso e chama eleições novas e elegemos um grupo todo novo de políticos que estariam mais alinhados com esse momento histórico do país, com essa mentalidade da população, e poderíamos começar de novo. Na teoria é lindo, o problema é que o poder encanta. O golpe militar foi mais ou menos isso. A ideia era criar uma condição de governabilidade, melhorar a estrutura econômica do país e devolver o poder ao povo.

Quando começou a guerrilha, os caras tiveram que engatar uma quinta e aí virou uma ditadura mesmo. O governo Costa e Silva não era uma ditadura, tinha-se uma liberdade econômica, uma liberdade política. Aí, é a partir do AI-5 que a coisa endurece e vocês vejam só quem está por trás disso: é José Dirceu. A guerrilha do Araguaia e todas essas coisas que eles armaram: assalto a banco, sequestro de embaixador, etc., foi o que provocou o endurecimento do regime. Então, eles são responsáveis pela ditadura que eles tanto odeiam e tanto criticam. Eles forçaram o regime militar a apertar mais e diminuir a liberdade política. Pois, o regime viu que devolver a liberdade política para os partidos não era possível naquele momento.

EB – E, detalhe, um desses principais guerrilheiros era o José Dirceu, e esse cara foi para Cuba aprender técnicas de guerrilha com o regime cubano. Veja em que mãos o Brasil está hoje, estamos sendo governados por guerrilheiros, um bando de terroristas, gente psicopata, como é o caso da Dilma. A situação no Brasil é seriíssima. Eu diria que é a última chance do Brasil o que está ocorrendo agora.

LT – Se passa a censura à imprensa, viramos a Venezuela da noite para o dia, o perigo é real. Lá em São Paulo, no meio da galera, deu para sentir que aquelas pessoas estão vendo o perigo. Nós víamos nos cartazes, nos olhos, certa tensão. É um momento histórico o que estamos vivendo, é um divisor de águas, ou vai pra lá ou vai pra cá. E todo mundo quer dar uma guinada para a direita, pois já experimentou dar uma guinada para a esquerda e não deu certo.

É sempre assim no mundo inteiro. A direita conserta, a esquerda destrói, aí o povo elege a direita novamente. É cíclico, se você olhar, na Europa, de oito em oito anos tem uma guinada para um lado.

Se você é pobre tem ONG; se você é viado tem ONG; se você é preto tem ONG; se você é índio tem ONG. Agora, vai ser branco heterossexual de classe média.

Quem é a direita brasileira hoje?
EB – Está surgindo do povo agora.

LT – Não existe. O partido mais centro que tem é o DEM. O PSDB é centro-esquerda. Mas eu digo que a esquerda é muito boa em demonizar as coisas. Então, eles conseguiram enfiar na cabeça das pessoas que direita é ditadura, direita é AI-5. Isso é o que eles conseguiram enfiar e não é nada disso. Direita, virou extrema-direita. E democracia é da esquerda para a extrema-esquerda. Então, eles querem democracia do PSDB (e olhe lá) até o PSTU. Esse é o debate que eles querem. No mundo inteiro se tem direita e esquerda como os pilares da democracia, aqui não pode. E os próprios partidos políticos têm vergonha de se assumir.

Em contrapartida, quem mais comprou esse discurso de que a direita é feia, direita é o diabo, direita é ditadura, foi a própria direita. Mas, agora, essa direita que o Eder diz estar surgindo, pelo que percebo, é uma direita que não tem vergonha de dizer seu nome. Antigamente dizer que alguém era de direita encerrava o debate. Agora, quando dizem “ah, você é de direita”, e daí? Não pode ser de direita? No mundo todo pode, só aqui que não?

 

O jornal britânico The Guardian afirmou que a manifestação do dia 15 de março era mais rica, mais branca e mais velha, vocês acham que de alguma maneira isso pode denegrir o movimento, considerando o fato de a frase estar correta?
EB – De modo algum. E outra, haja rico. Imagina se fosse isso mesmo.

LT – E rico para esse governo é quem ganha acima de cinco mil reais, esse é classe A no Brasil. Desta classe A tinha bastante. Gente que tem um carrinho usado, gente que mora nos bairros próximos ao Centro, esse povo estava lá.

EB – Eu entrevistei e postei no meu Facebook um servente de pedreiro que estava lá catando latinha. Ele começou a detonar o PT e o governo, falou coisas que universitários não sabem. Então que elite branca é essa?

LT – Se fosse do jeito que o The Guardian falou, ainda assim não seria uma expressão legítima da democracia? Quer dizer que se você não é preto, não é pobre, não é viado você não pode abrir a boca? O que é isso? Essa demonização que a esquerda fez com a direita passa por tudo isso. Sabe quem são aquelas pessoas que estão lá? São os últimos dos sem-ONG. Esse é o problema delas. Não tem nenhuma ONG defendendo. Se você é pobre tem ONG; se você é viado tem ONG; se você é preto tem ONG; se você é índio tem ONG. Agora, vai ser branco heterossexual de classe média, não tem ninguém te apoiando. E eram esses caras que estavam lá e receberam tanta porrada.

Os grandes reacionários do Brasil, hoje, são os petistas e a corja que está em volta.

Vocês são pró-PSDB?
EB – O PSDB é um partido social democrata, é um Socialismo Fabiano. Eu não gosto disso, não apoio isso. Pelo menos essa é a vertente ideológica do partido sem princípio. Quem está lá hoje não necessariamente segue isso. Mas não vejo muita ideologia lá.

LT – Acho que o Fernando Henrique Cardoso é o melhor presidente da história desse país. É uma pessoa admirável, um dos poucos que sabe se comportar como ex-presidente. Ele dá exemplos diários para outros políticos e acho que o Brasil nem merece um cara da qualidade dele. E se nós não estamos piores hoje, é por causa da política que ele implantou. E se você quer saber para que lado ir, olha pro lado que o PT está indo e vá na direção oposta que você vai acertar.

 

Como vocês enxergam a esquerda?
EB –A esquerda é toda baseada na mentira. O que é a esquerda? É concentração de poder. É usurpar o Estado e fundir poder político, econômico e militar. E o que eles vendem: “justiça social”, aquele blábláblá, aquele mimimi todo. Chega num ponto, depois de experimentar a esquerda, que as pessoas veem que a coisa não funciona e não caem mais.

Isso já estava acontecendo no ano passado e como a coisa foi ficando cada vez pior no país as pessoas continuam caindo na real, vendo que esse populismo é tudo mentira. Só quem apoia isso é esse bando de corno manso petista, uns fanáticos com problemas mentais, tudo gente paga.

E tem outra coisa muito importante. Aconteceu recentemente o Conclave de Washington, organizado por Dalmo Accorsini, ele já fez o Conclave de Lisboa, com o intuito de denunciar para a mídia internacional a existência do Foro de São Paulo, que por sua vez é uma organização criada por Lula, Fidel Castro e Frei Beto, cujo objetivo é segundo o próprio Lula recuperar o que se perdeu no Leste Europeu, ou seja, fazer da América Latina um bloco comunista. Isso foi negado durante anos. O professor Olavo de Carvalho denunciou e perdeu todos os empregos no Brasil. Proibiu-se de falar na mídia o nome Olavo de Carvalho e era tido como teoria da conspiração. Agora não dá mais para segurar, está tudo documentado. Importante dizer quem compõe o Foro: são diversos partidos de esquerda latino-americanos, organizações criminosas (como as Farc) e o PCC. Quem sustenta? A indústria de cocaína, de sequestros, criminalidade em geral e os impostos brasileiros. O negócio do Foro de São Paulo é implantar regimes totalitários com cara de democracia.

LT – Ou usar os elementos da democracia para desfazê-la. O Lula disse que a Venezuela tinha até democracia demais, pois eles tinham eleição uma atrás da outra. Eleição não é a única maneira de se medir a democracia. Existem instâncias internacionais que te dão uma medida real do que é um país democrático e nós estamos nos últimos lugares já. A Venezuela é a última, mas estamos perto. Não temos liberdade política, liberdade econômica, o governo não para de intervir, pune quem faz, pune quem discorda.

 

Ludwig Von Mises disse que “a terminologia usual da linguagem política é estúpida”. Vocês são Os Reaças, obviamente a fazer uma ironia com a esquerda que assim denomina quem não está do lado dela. Logo, mais que música, vocês fazem política. Por que escolheram fazer política por intermédio da música? E o que acham dos adjetivos que recebem, “coxinha”, “reaça”, entre outros?
EB – Os adjetivos nós adotamos. A gente adora coxinha. Quem não gosta de coxinha? Depois dos encontros do Direita Curitiba, há toda uma integração onde a gente come coxinha e toma uma cerveja.

LT – Se você for pensar que o que quer dizer reacionário, partindo da definição do dicionário, é quem reage à mudança, dessa forma não tem ninguém mais reacionário no Brasil do que os petistas. Eles que não querem mudança, pois a mudança hoje é tirá-los do poder, a mudança hoje é acabar com essa pouca vergonha. E quem está reagindo mal a esse desejo de mudança, que parece ser de toda a população, são eles, os grandes reacionários do Brasil, hoje, são os petistas e a corja que está em volta.

Assumimos esse nome porque esse é o nome que a esquerda usou para falar de quem era contra o progressismo. O que a esquerda faz muito bem é contar história e eles contaram uma em que eles têm o monopólio das virtudes. Então se você tem sensibilidade social, se você luta pela justiça social, se você quer que cada vez mais as pessoas tenham acesso à qualidade de vida, jamais poderá ser de direita. Pois essas são bandeiras da esquerda. Que besteira! A pessoa pode ter sensibilidade social e ter um posicionamento de direita. A culpa da demonização da direita é da própria direita, que engoliu com farinha esse discurso idiota.

EB – A direita dormiu durante todo esse tempo. No Direita Curitiba nós temos um projeto chamado Direita Solidária que é ligado à filantropia. Nós fazemos filantropia, inclusive no final de abril, dia 26, vamos fazer o evento da Direita Solidária, nós vamos tocar lá e haverá arrecadação de alimentos para serem entregues em instituições ou comunidades. Pretendemos ir direto nas comunidades para estreitar o contato com esse pessoal.

O feminismo também é antinatural, vai contra a natureza da mulher, justamente, que é cuidar do lar, cuidar dos filhos, que é ser doce, ser meiga, ser bonita.

O que mudou entre direita e esquerda brasileira pós-64?
LT – Depois do golpe, o grande autor de esquerda que passou a ser lido no Brasil foi o Gramsci e ele tem o conceito do marxismo cultural, logo tem que instrumentalizar e aparelhar as instituições da democracia. Então, o marxismo tem que ser vendido na escola, no teatro, na novela, nos filmes, na música, e, se você olhar o marxismo de 64 para cá, é isso que você vê. Você vê Saltimbancos que é uma coisa totalmente comunista, uma peça de teatro infantil que conta que os bichinhos da floresta fugiram de uma queimada, vieram parar na cidade e lá eles passam a ser explorados pelo Barão, um lobo malvado. Isso para vender para as criancinhas que o empregador é sempre mal e o trabalhador é sempre um coitado.

Vai perguntar para quem tem trabalho hoje se quer ficar sem trabalho, quer se encostar numa bolsa alguma coisa. Quem tem trabalho dá graças a Deus de ter um emprego e estabilidade. A melhor política que tem para acabar com a pobreza é emprego, isso é política de verdade.

Mas o PT gosta tanto de pobre que ele está querendo aumentar a quantidade de pobre no país, pois se aumentar a quantidade de pobre, aumenta a quantidade de pessoas atendidas pelo Bolsa Família e fica mais fácil fazer o terrorismo eleitoral que eles fizeram no ano passado.

O sucesso de um programa social tem que ser medido pela quantidade de pessoas que anualmente saem dele, aí você vê um programa social que dá resultado. O que a gente vê no Bolsa Família – que eu particularmente considero necessário, pois é uma política de reparação – é que todo ano amplia o escopo de atuação do programa. Isso mostra que não está dando certo, que é um programa basicamente eleitoreiro, é um novo curral eleitoral que está sendo feito.

 

Numa de suas músicas vocês dizem que a mulher “ganha a vida fingindo que é muito oprimida pra ganhar dinheiro”. É uma evidente crítica contra as feministas. Levando em conta que a Marcha das Vadias (grupo feminista) é totalmente independente e sem nenhum apoio financeiro, em que ou quem vocês se apoiam para fazer esta crítica? Vocês acham que não vivemos numa sociedade machista?
EB – Esse negócio de machismo não existe.

LT – O problema do feminismo é que ele não é a favor das mulheres, é apenas contra os homens. As mulheres são uma massa de manobra de uma agenda anti-heterossexualidade e antimasculinidade. Você vê que o discurso hoje do feminismo de ponta é de castração, ele diz que homem não tem conserto, tem que ser castrado porque não serve para nada. Esse é o discurso. Então será que precisa mesmo dar espaço para esse tipo de conversa?
Simone de Beauvoir, uma das pensadoras do começo do feminismo, dizia que não poderia ser dado à mulher o direito de escolher ser dona de casa, pois senão seria isso que ela escolheria.

Tudo que era bonito foi demonizado: ser dona de casa foi demonizado, ser mãe foi demonizado, ter um marido foi demonizado. [EB – ser bonita foi demonizado.] O que o movimento conseguiu foi gerar uma quantidade enorme de infelicidade para todo mundo.

Tem muita mulher arrependida. As mulheres conversam entre elas e não têm coragem de falar, mas se ela tem uma amiga muito próxima ela fala “o que eu queria é estar em casa cuidando de fralda, porque esse negócio de ir pro mercado e ter que batalhar é uma bosta, minha mãe que foi feliz”.

O que o feminismo conseguiu foi criar, basicamente, a dupla jornada. Pois a mulher sempre foi cobrada para ser bonita, boa esposa, uma boa mãe, além de manter a casa limpinha e a comidinha na mesa. Isso acabou? Não acabou. Ela é cobrada para ser tudo isso e ser magra.

Antes ela tinha que fazer só essas coisas, agora ela tem que estudar, fazer faculdade, ir para o mercado de trabalho, passar o dia inteiro na rua trampando de salto, depois chegar em casa e estar tudo um brinco. O filho pródigo do feminismo é a dupla jornada, o que as mulheres conseguiram foi piorar e muito a situação delas, não é à toa que muitas estão arrependidas disso.

EB – Isso cria famílias desestruturadas, porque a mãe não consegue cumprir o seu papel de educar os filhos, tem que deixar o filho o dia inteiro numa creche. Elas estão terceirizando a educação.

LT – A gente olha para o mundo hoje e muitas coisas erradas têm o dedo do feminismo, são demonizações que foram feitas de coisas que estavam funcionando. Existia um contrato, basicamente este: você, mulher, fica em casa cuidando da casa, da família e eu vou trabalhar e botar grana. Eu vou lá, você cuida aqui e é um time, vamos fazer essa família, esse era contrato que foi quebrado. Hoje, um olha para o outro e pergunta quem vai lavar a louça.

Em última instância, o feminismo é um comunismo. Se você pegar o discurso comunista patrão oprime empregado e trocar por homem oprime mulher, você tem o feminismo. Eles servem à causa. O modus operandi do comunismo é dividir para conquistar. E o que esses grupos, como o feminismo, fazem é dividir. O que o “gayzismo” faz é usar os gays como massa de manobra da sua agenda que é contra a heteronormatividade. Eles não estão a favor dos gays, estão contra os heterossexuais. As ONGs que cuidam de causas racistas, por exemplo, não estão a favor dos negros, estão contra os brancos. Essas pessoas todas trabalham dentro de uma lógica comunista que é dividir para conquistar.

EB – É isso tudo o que ele disse e vale lembrar que a esquerda é antinatural, por isso que nunca deu certo, nunca vai dar certo. O feminismo também é antinatural, vai contra a natureza da mulher, justamente, que é cuidar do lar, cuidar dos filhos, que é ser doce, ser meiga, ser bonita. Mulher é isso, mulher é a beleza da vida. E eles tentam anular isso, transformar a mulher em homem.

LT – Voltando à música que gerou a pergunta, é claro que é uma forma jocosa de falar do movimento, mas não deixa de ser algo que a gente vê. Esse discurso contra o patriarcado me parece uma questão com o pai, elas poderiam resolver isso na terapia e não indo pra rua mostrando os peitos.

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