Prateleira. Ed. 162

Lavoura Arcaica – Raduan Nassar

Por Adriana Sydor

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Foto: Divulgação

Uma casa patriarcal, um drama familiar, uma viagem em volta dos próprios sentimentos, pensamentos e descobertas. Lavoura Arcaica não é um livro simples nem fácil. É extenso, suas páginas duram muito mais que as 194 da terceira edição da Companhia das Letras, cada uma se desdobra pelo valor literário e pela força das palavras cheias de imagens e merecedoras de leituras duplicadas, às vezes triplicadas. O narrador em primeira pessoa, André, é um jovem oprimido pela força dos conceitos da família; se descobre apaixonado pela irmã e no impedimento de viver a história foge de casa. Pedro, o irmão mais velho, vai buscá-lo e é na tentativa de levá-lo de volta, nos diálogos de descortinamento do passado, que a trama é contada e que o avesso da família vai ganhando cores. Quando André volta, o enredo não perde força e mostra outras possibilidades do humano, do conflituoso, do surpreendente.

A novela de Raduan é, sobretudo, um trabalho primoroso da Língua Portuguesa. Rendado de imagens, que lavoura uma a uma as palavras até que uma frase forme um conjunto gigantesco de ideias e significados. Mais que a trama, mais que o drama, a linguagem é o carro-chefe dessa narrativa, em cada página aulas sobre o que pode acontecer com a Língua Portuguesa; também por isso está no currículo do livro os prêmios Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras; Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, e Revelação, da Associação Paulista dos Críticos de Arte, além de uma adaptação para o cinema.

A América de Rugendas

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Foto: Reprodução site/en.wikipedia.org

O artista João Maurício Rugendas visitou o continente americano do México ao Cabo Horn. Durante vinte anos de viagens, percorreu Brasil, México, Chile, Peru, Bolívia, Argentina e Uruguai. Em todos os países que visitou, Rugendas não se limitou apenas a uma visão global de viajante circunstancial, mas também engajou-se e logrou ver de perto a vida das jovens sociedades americanas. Daí que seus desenhos nos oferecem um valioso conteúdo histórico, rico em detalhes, abrangendo um horizonte amplo.
E esta visão foi compilada no livro A América de Rugendas: obras e documentos, pelos historiadores Pablo Diener e Maria de Fátima Costa. Obras que cavavam para o esquecimento foram descobertas e redescobertas por eles.

Um conceito antropológico

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Foto: Reprodução site/frankboniek.blogspot.com.br

Muito difícil é às vezes compreender porque determinadas sociedades possuem certos comportamentos e o que influencia nisso. Muitos dizem, inclusive intelectuais, que não é possível que haja civilização no lado debaixo do Equador devido ao calor. Para esclarecer que não há apenas um tipo de civilização e que há culturas com diferentes dinâmicas, Roque de Barros Laraia escreveu o livro Cultura: um conceito antropológico. Leitura fácil e que mostra que não existe apenas o branco, europeu e civilizador.

Para as crianças

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Muitos pais pedem que as crianças larguem o videogame, celular ou computador para ler um livro. Vinicius de Moraes tem uma coleção de poemas já para a primeira alfabetização. Lançado pelo selo infantil da Companhia das Letras, Companhia das Letrinhas, o livro A arca de Noé teve como base as canções do disco A arca de Noé 1 e 2 e traz poemas como A casa, O pato e O pinguim.

Os discursos de Foucault

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Foto: Reprodução site/edition-originale.com

A aula inaugural de Michel Foucault, que assumiu a cátedra vacante no Collége de France pela morte de Hyppolite, rendeu o livro A ordem do discurso, que desvenda a relação entre as práticas discursivas e os poderes que as permeiam. “O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo pelo que se luta, o poder de que queremos nos apoderar.”

Embora seja curtinho, com apenas 74 páginas, é um livro que ensina muito, faz com que possamos materializar na prática a filosofia de Foucault sobre o discurso e, ainda mais, mostra-nos a observar outros discursos, mesmo que esses sejam simplesmente numa mesa de bar.

Dicionário de símbolos

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Foto: Reprodução site/alquimiaoperativa.com

Quem tem a coragem de indicar um dicionário na Era Google? Se fosse qualquer dicionário realmente não faria sentido, Google é mais rápido, prático e quiçá mais completo. Porém, o Dicionário de símbolos, editado pela José Olympio, com direção de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, é outra história.
Não são quaisquer termos que encontramos e os termos que são familiares não possuem a definição simples. Achamos coisas relativas a mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores e números. Bom para consultas mais minuciosas, precisas e distintas. De A a Z, o primeiro termo é abelha e o último zunidor, assim já conseguimos ver seu caráter universal.
Dicionário de símbolos é aquele livro que deve estar sempre fácil, em cima da escrivaninha, no criado-mudo, na cabeceira da cama, nunca se sabe quando precisaremos saber o outro significado de espiral, grou, grua ou stupa.

Tinhorão e sua pequena história

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Foto: Divulgação

Da modinha à canção de protesto José Ramos Tinhorão se dedicou. Foi ao mesmo tempo ousado e humilde em contar a sua Pequena história da música popular. O livro trata de quase todos os passos de nossa música. Coisas nem tão comentadas como o tango brasileiro e o lundu, Tinhorão dedica um capítulo inteiro. Com cuidado de historiador e texto de escritor, ele nos traz o sabor de entender como chegamos até a Bossa Nova.

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