O observatório de Andréia Carvalho Gavita

 Fotos: Lina Faria

Gárgulas, gargalos, quimeras que espreitam, vigiam os prismas, abastecem o grimório de Andréia Carvalho Gavita, desde uma torre modernista, ali no centro mais noir da cidade, na São Francisco com a Riachuelo.

Tudo alimenta o culto à estranheza dessa poeta, que só não é gótica porque é colorida demais. O nome adotado e acoplado, Gavita, foi inspirado na cônjuge louca de Cruz e Souza. Vai além. Mistura sua rotina de técnica de saúde, sacro ofício a lhe assegurar aventuras imaginárias, com alquimia e laboratórios só possíveis na literatura. E por que não no cenário em que montou para viver com o companheiro músico, mercuriano e que se complementa em sua peculiar estranheza? Ali, nada é previsível, tudo com um sedutor mistério sob o caleidoscópio dos raios que invadem os espaços, entre uma noite e outra aterrorizando as trevas.

A figura dócil de Andréia não inspira além de uma instigante curiosidade em desbravar esse universo de fábulas geradas sob a mais cruel e real urbanidade a gemer em todas as horas, nas várias facetas sob seus olhos.

Se há as bicicletas, o glamour dos modernos, há também a lascívia, a degradação, o excesso. Desses ingredientes conhece, espreita e filtra no arrebol, a cada fim de dia, que banha e doura os vitrais da Catedral.
Sob si, lá fora, toda a história do Velho Centro, todos seus mitos.

Dentro, em seu casulo, o melhor do surreal, do lúdico, do literário, do musical, o tempo não tem limites, a imaginação também não.
Pode-se dizer de um coquetel satânico, com cores vibrantes, felinos insones a circular entre relíquias, coleções netúnicas?

A mim essa provável ficção mais sugere um profundo bom gosto, misturado a um processo de criação digno de seus versos e poemas.
Casa de Lilith? Talvez. Mas com cinco bichanos pra lá de mimosos, tratados como bebês. Um luxo tudo por aí!

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