Prateleira. Ed. 163

As veias abertas de Eduardo Galeano

Dédallo Neves

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Eduardo Galeano. Foto: Reprodução/site elheraldodesaltillo.mx

 

Em 13 de abril acordei e O Globo me avisou numa notificação pelo celular que Eduardo Galeano havia morrido. Não sei por que, não sei como, fui pego desprevenido, parecia que um amigo que um dia foi próximo e hoje era distante havia me deixado. Galeano já me foi deveras próximo, não o largava e usava-o o tempo todo, como uma das maiores e melhores referências. Em tempos da faculdade de História, quando cursava a disciplina de América e tinha que realizar um seminário, ousei e me fundamentei no Galeano, ele era meu amigo mais inteligente, não tinha porque não usá-lo, ele tinha sido editor do jornal Marcha, no Uruguai, o Mario Vargas Llosa escrevia nele. Na Argentina lançou a revista de cultura Crisis. Este uruguaio sabia das coisas.

Com o tempo fiz novos amigos, ele foi esquecido, não era mais convidado para os grupos de pesquisa e por vezes até falávamos mal dele, me envergonho por isso. Mas com As veias abertas da América Latina, de 1971, ele conseguiu me humanizar no século 21, mesmo com suas teorias sinuosas. Um amigo que parte, uma obra que fica.

Blitz

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Foto: Divulgação

Rodrigo Rodrigues deixou-se levar pelas Aventuras da Blitz, título do seu livro, editado em 2009 pela Ediouro. O projeto gráfico irreverente é assinado por Luiz Stein e as histórias ficaram no comando de Evandro Mesquita, Lobão, Fernanda Abreu e todos que foram parados nessa blitz. O livro é dividido em dez capítulos, cheios de anedotas pitorescas e excêntricas.

A descoberta da América

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Foto: Divulgação

Eis aqui um dos relatos no livro Diários da Descoberta da América, de Cristóvão Colombo. Gabriel García Márquez disse ser “o primeiro livro de realismo mágico”, gênero do qual era craque.
“Foi deslumbrante ver o arvoredo, o frescor das folhagens, a água cristalina, as aves e a amenidade do clima. Vontade tenho de não mais sair daqui. E, para descrever aos Reis as coisas que vi, não bastariam mil línguas ou mil mãos para escrever, pois parecíamos encantados... e logo apareceu gente nua e todos que vi eram jovens, muito bem-feitos; os cabelos grossos como crinas de cavalo... e se pintam de preto e vermelho e são da cor dos canários, nem negros nem brancos. Não andam com armas, que nem conhecem, pois lhes mostrei espadas que pegaram pelo fio e se cortaram, por ignorância, sorrindo encantados para nossos guizos e miçangas.”

Relançamento

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Foto: Divulgação

A editora Ática, em 1972, lançou a coleção Vaga-Lume, uma série de sucesso que são poucos que não ouviram falar. Alcançaram a marca de mais de 100 livros publicados (reedições, relançamentos e obras inéditas), todos voltados ao público infanto-juvenil.
Pela demanda tão grande, a editora sempre fez reedições de determinados títulos, e agora para comemorar seus 50 anos fará um relançamento – previsto para agosto – da coleção Vaga-Lume com seus dez mais conhecidos volumes, entre eles podemos encontrar A ilha perdida, A aldeia sagrada e Spharion.

Tudo sobre cinema

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Foto: Divulgação

Do início, com os irmãos Lumière e os primeiros filmes como Viagem à Lua, de 1902, até 2009, dois anos antes da edição, o livro Tudo sobre cinema, editado pela Sextante, tem. Organizado cronologicamente, é um atraente guia para consultas sobre a história da sétima arte. São mais de 1.100 ilustrações. O editor geral é Philip Kemp e o prefácio é assinado por Christopher Frayling.

Quem já viu Heliodora?

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Barbara Heliodora. Foto: Reprodução/site substantivoplural.com.br

A crítica teatral Barbara Heliodora morreu aos 91 anos no dia 10 passado. Não é arriscado dizer que ela foi, e ainda é, a maior crítica de Shakespeare do país. O Brasil tentará encontrar substituto à altura, tarefa difícil. Sua principal obra sobre o dramaturgo inglês é A Expressão Dramática do Homem Político em Shakespeare, de 1978. Fez carreira na imprensa brasileira, a iniciar em 1957 na Tribuna da Imprensa, a passar pelo Jornal do Brasil e n’O Globo. Dizem que ela fazia a boa amiga e não escrevia críticas negativas a seus amigos, em contrapartida descarregava o texto em peças que lhe desagradavam. Atenta às mudanças e à contemporaneidade teatral, Barbara Heliodora frequentava, até pouco tempo, o Festival de Teatro de Curitiba.

Memórias de Sherlock Holmes

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Foto: Reprodução/site zahar.com.br

Em Memórias de Sherlock Holmes, publicado originalmente na revista Strand entre dezembro de 1892 e dezembro de 1893, temos um Arthur Conan Doyle pós Um estudo em vermelho, lançado pela revista Beeton’s Christmas Annual, em 1887, dois anos depois de sua formação em medicina, na Universidade de Edimburgo.

Não podemos dizer que o caso também se aplica a Holmes, pois nas memórias vemos episódios como O Gloria Scott, desvendado quando ele ainda era estudante. Nelas tomamos conhecimento de Mycroft, o irmão mais velho, e o professor Moriarty, um inimigo à altura de Sherlock.
Como não escapar dessa leitura? Elementar, meu caro Watson.

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