Cinema. Ed. 164

O bom, o feio e o mau

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Foto: Reprodução/site speed-cover.org

Quando pensamos em filmes de western não tem como fugir do ator Clint Eastwood. Difícil ver um filme ruim com ele. Três homens em conflito, de 1966, não é diferente. Filmaço que faz parte da trilogia Dólar, de Sergio Leone. Um filme repleto de amoralidades, onde cada tiro ou cada morte não carrega nada de nobre.

A película tem como pano de fundo a Guerra Civil Americana. Três homens buscam um tesouro enterrado em um cemitério, porém apenas dois têm suas coordenadas, um sabe onde está o cemitério, o outro em qual cova foi escondido o ouro, logo ambos são importantes para que ele seja encontrado. O terceiro apenas os segue, com o intuito de chegar ao lugar exato e matar os informantes. Originalmente o filme trás o nome Il buono, Il brutto, Il cattivo, que se traduz na imagem de “o bom”, interpretado por Eastwood, pistoleiro refinado que só mata como último recurso; “o feio”, na pele de Eli Wallach, um gajo sem nenhum requinte, rude e desleixado; e Lee van Cleef, que faz o papel de “o mau”, o único que não sabe onde está o tesouro.

O filme tem algumas cenas marcantes, como a explosão da ponte, uma homenagem do diretor Sergio Leone ao filme A general, de 1926, dirigido por Buster Keaton. (A cena final, no filme de Keaton, é uma locomotiva a atravessar uma ponte velha e prestes a ceder; na época foi uma das sequências mais caras da história do cinema). Mas o grande momento é quando, já perto do fim, “o bom”, “o feio” e o “mau” estão no cemitério e cada um aponta e tem apontada uma arma. O triangular suspense é grande, talvez a maior cena de suspense dirigida por Leone. O desfecho é incrível. A trilha sonora melhor ainda.
Um filme que vale cada bala que não vale nada.

Roma, cidade aberta

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Foto: Reprodução/site ilcinemaritrovato.it

Roberto Rossellini, o diretor, adotou notoriamente uma abordagem improvisada em Roma, cidade aberta, filmado nas ruas da recém-libertada Roma. A maior parte do material foi filmada sem som, com elementos sonoros acrescentados posteriormente. A edição é brusca porque o diretor não tinha filme de sobra.

O diretor se inspirou nas próprias experiências enquanto se escondia das patrulhas nazistas que procuravam jovens italianos para obrigá-los a lutar pelo fascismo. Ele originalmente planejava fazer um documentário. “Tentei captar a realidade”, afirmou certa vez, “nada além disso”. As cenas de tortura parecem estranhamente caricaturais no mundo contemporâneo de Guantánamo e Abu Ghraib. Vemos um membro da resistência sendo esfolado, açoitado e queimado enquanto Don Pietro, interpretado por Aldo Fabrizi, está sentado no cômodo ao lado.

Como perceberam os críticos, Roma, cidade aberta não é explicitamente um filme neorrealista como parece de início. Além da filmagem documental, reúne elementos que combinariam mais com um melodrama hollywoodiano. Ninguém sabia filmar uma cena de morte melhor do que Rossellini.

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