A nós, Lemos

Cabelos alvoroçados, anéis nos dedos, chiquérrima em salto ou em biquíni e chinelo, ela diz não à cafonice reinante. A Cris é rainha de todos os espaços. Chega e toma conta do ambiente. Fala por todos, para todos, com todos. Tem os sentimentos na ponta da língua e por isso canta. E como canta! E só canta aquilo que lhe cai no coração. E quantas coisas lhe tomam: noite clara, vinho, fita e seda, o aceso da paixão e o faz de conta que morre no mar, o revólver e o coqueiro, o verde e o rosa, o general da banda e as mãos de explorador.

O amor tempera sua vida e os impulsos guiam. Se der na veneta, telefona e diz tudo o que sente, depois pensa. Suas vontades gritam insanas, mas passa madrugadas a refletir quietinha sobre a vida, os caminhos, as escolhas. Ela espalha música e lições. É cantora, professora na PUC, uma das pontas do Tao do Trio e segue emprestando voz a outros grupos e músicos. Cris ri, chora, fala, canta, ergue brinde, tudo ao mesmo tempo. É tempestade que chacoalha quem está por perto. Turbilhão de maluquices e lucidez, ideias e talentos, rock’n’roll e bossa nova, mulher fatal e avó. É muitas, e verdadeira em todas. Cris Lemos é uma festa!

Adriana Sydor

cris

Cris Lemos. Foto: Cláudia Guimarães

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