Que fase!

Que fase! Num dia ela derruba a Bolsa de Valores, no dia seguinte a casa cai. O inferno astral da senadora Gleisi Hoffmann, do PT, está neste momento no seu ponto de maior combustão, explica o seu guru budista, um australiano que descobriu um ótimo negócio na venda de assistência espiritual com toques orientais acompanhada de receitas de autoajuda. Gleisi completa 50 anos no próximo 6 de setembro, mas já não tem esperanças de que tudo melhore a partir dessa data. Sabe que seu destino depende menos da conjunção dos astros que das investigações da Lava Jato.
Pois, pois, chegou a hora de Gleisi Hoffmann, que adora posar de vestal da moralidade. A Operação Pixuleco 2 descobriu que o escritório do advogado Guilherme Gonçalves, agora chamado de Guilherme “Pixuleco” de Salles Gonçalves recebeu R$ 7,2 milhões de empresas de fachada do Petrolão e de contratos com o Ministério do Planejamento, então comandado pelo marido de Gleisi, Paulo Bernardo. Gonçalves foi responsável pela coordenação jurídica das campanhas da petista em 2008, 2010 e 2014.

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Gleisi Hoffmann. Foto: Reprodução/site blogdomachado.com.br

Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo fizeram o par mais forte na história da República. Mulher na chefia da Casa Civil, marido ministro do Planejamento. Mas voltemos aos pixulecos. A Polícia Federal descobriu que parte dos pagamentos de propina através de Guilherme de Salles Pixuleco Gonçalves começou após a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre a empresa Consist, a Associação Brasileira de Bancos, o Sindicato das Entidades Abertas de Previdência Privada e o Ministério do Planejamento. Os escritórios do advogado receberam R$ 7,2 milhões de empresas investigadas no esquema de corrupção e pagamento de propina ligado à atuação da empresa de tecnologia Consist no Ministério do Planejamento.
O Ministério Público diz que os cerca de R$ 53 milhões pagos pela Consist às empresas indicadas pelos operadores – o ex-vereador de Americana (SP) Alexandre Romano (PT), e Milton Pascowitch – seriam, na realidade, propina pela prestação de serviços nos empréstimos consignados junto ao Ministério do Planejamento.

 

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Guilherme “Pixuleco” Gonçalves. Foto: Reprodução/site gazetadopovo.com.br

Guilherme “Pixuleco” Gonçalves recebeu R$ 4,65 milhão entre setembro de 2010 e janeiro de 2013 diretamente da Consist Software e R$ 423 mil entre janeiro e abril de 2012. Uma outra empresa do grupo Consist, a SWR Informática, realizou repasses que somaram R$ 1,2 milhão entre fevereiro de 2013 e janeiro do ano passado. Mudou de escritório e recebeu mais R$ 957 mil entre maio de 2014 a março de 2015 da Consist Business Software a título de honorários advocatícios.

 

Bumbos e trombones

Guilherme “Pixuleco” Gonçalves passou de advogado a operador em campanhas eleitorais, principalmente as majoritárias do PT. Nessa condição, ele passou a colecionar inimigos, inclusive porque chegou a servir a dois senhores ao mesmo tempo. Melhor, virou advogado de uma campanha para, na verdade, servir outra. Advogado de Ratinho Jr na eleição de 2012 para a Prefeitura de Curitiba, ele ajudava com informações a campanha de Gustavo Fruet, candidato do PT de Gleisi Hoffmann. Até hoje, Ratinho Jr e seu pai, o apresentador de televisão Ratinho, guardam mágoas.
Isso explica porque a busca e apreensão da Lava Jato no escritório de Guilherme “Pixuleco”, o advogado de estimação de Paulo Bernardo, Gleisi Hoffmann e todo o PT nativo, deu em foguetório, bumbos e trombones do Centro Cívico até a Rede Massa.
É bom dizer que o advogado Guilherme “Pixuleco” não é exclusivo de Gleisi Hoffmann. Ele também advoga para o senador Roberto Requião. E advogou para Osmar Dias. Ou seja, é o advogado preferido por nove em cada dez estrelas da esquerda nativa.
Há mais problemas pela frente. O envolvimento de agências de propaganda no esquema do PT nativo é investigado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. Já fez uma vítima que parece não ter salvação. Nem delação premiada ele consegue.
O publicitário Ricardo Hoffmann, primo de Gleisi, está em maus lençóis. Preso com André Vargas, tentou em vão um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Ofereceu a cabeça de Vargas, mas o procurador Carlos Fernando não deu bola. “O que você tem para contribuir não é tão relevante”, teria dito o integrante da força-tarefa ao publicitário, que prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro. Na verdade, Hoffmann perdeu o timing, quando quis delatar já não tinha nada de novo que não tivesse sido dito pelos delatores mais rápidos.

 

Adeus às ilusões

No Paraná, PT está abatido e vive o “adeus às ilusões”. Há dois anos, era ainda o partido ascendente. Ganhou a eleição em Curitiba e preparava sua candidatura ao governo. Os arraiais petistas exultavam. A esquerda revolucionária que se transformou em esquerda funcionária comemorava a possibilidade de conquistar mais um espaço de prebendas, sinecuras, benesses.
Agora o partido sabe que vai ser difícil se erguer a curto prazo. Nas eleições municipais do ano que vem é esperada a redução drástica do número de vereadores e prefeitos. Dos atuais 42 prefeitos e 344 vereadores espera-se eleger, no melhor cenário, apenas a metade disso. Figuras de proa do partido, como a senadora Gleisi Hoffmann e o marido Paulo Bernardo são investigados na Lava Jato e, em desgraça no Planalto, não conseguem nomear seus indicados nos cargos da máquina federal. O ex-deputado André Vargas teve que sair do partido e agora está preso em Curitiba. O ex-deputado Ângelo Vanhoni pediu para ser expulso do partido.
A  pá de cal está no envolvimento do advogado do diretório estadual do PT no Paraná, Guilherme Gonçalves, acusado de receber R$ 7,2 milhões em propinas de contratos do Ministério do Planejamento. Gonçalves atuou nas campanhas de Gleisi em 2008, 2010 e 2014. Ele doou R$ 91 mil para as campanhas petistas, dos quais R$ 64 mil para Gleisi. A petista por sua vez pagou R$ 100 mil para Gonçalves atuar no jurídico de sua campanha em 2014. “É o adeus às ilusões”, disse um petista que já coordenou campanhas do partido e hoje assessora um pré-candidato a prefeito de outra legenda.

 

Na defensiva

Todo o sistema do PT entrou na defensiva e passou ao esforço de blindar Guilherme “Pixuleco” Gonçalves. Até uma Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político – ABRADEP surgiu para defender Guilherme Pixuleco. Ora, pois, essa Academia, segundo ela própria tem vida curta. Curtíssima.  Foi fundada no dia 20 de março de 2015, em Belo Horizonte-MG. Mas tem sede em Brasília-DF, e segundo informa, “é formada por diversos profissionais das mais variadas formações (advogados, professores, juízes eleitorais, membros do ministério público, profissionais da comunicação social, cientistas políticos, entre outros) e tem como propósito fomentar um debate equilibrado, transparente, objetivo e qualificado sobre a reforma política, promovendo a difusão de temas referentes ao direito eleitoral e a intersecção entre direito e política.”
Estranho, muito estranho, a ABRADEF, recém criada para reunir membros do PT na área advocatícia, mostrou sua verdadeira natureza ao se insurgir contra a Operação Lava Jato e defender Guilherme Pixuleco. Ora, pois, só os muito cínicos e os muito ingênuos são capazes de atribuir à ABRADEF uma importância capital e que tenha expressão suficiente para garantir o aval a quem quer que seja.
Até ex-clientes reais de Guilherme Pixuleco Gonçalves reclamam de seu comportamento comprometido pelo seu vínculo com o PT. Ele foi advogado da campanha de Ratinho Jr à prefeitura de Curitiba em 2012. Mas não deixou boa imagem na região da Rede Massa. Há, entre os assessores de Ratinho Jr quem tenha convicção e diz ter provas de que Guilherme Pixuleco advogava para Ratinho Jr, mas era militante da campanha do PT de Gleisi Hoffmann, que lançara Gustavo Fruet, pelo PDT, para torná-lo base de sua candidatura ao governo. Ora, pois, não há o que possam convencer a turma de Ratinho a mudar suas convicções sobre o advogado Pixuleco.

 

Sem saída

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Gleisi Hoffmann. Foto: Reprodução/site podereconomico.ig.com.br

Nessa tentativa de descolar o advogado Guilherme Gonçalves do PT e das suas ligações, consideradas “intrínsecas” até por petista, com a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), Gleisi tentou justificar e disse que conhece Gonçalves da militância do partido, mas esqueceu de apontar que já pagou R$ 321.820,00 pelos serviços do advogado entre 2008 e 2014.
A saber: Gleisi pagou R$ 157.269,00 para Gonçalves na campanha a prefeita de Curitiba em 2008. Em 2010, candidata ao Senado, Gleisi repassou mais R$ 50 mil ao advogado. Gonçalves recebeu ainda R$ 15 mil (duas parcelas de R$ 7,5 em março e abril de 2011) por consultoria prestada ao mandato de Gleisi no Senado. E campanha ao Estado em 2014, o escritório do advogado recebeu mais R$ 100 mil da petista.
O advogado também fez sua contrapartida a Gleisi ao PT. De 2002 a 2012, repassou 91 mil para campanhas petistas, R$ 64 mil do montante para as campanhas de Gleisi em 2008 (R$ 39 mil) e 2010 (R$ 25 mil). Guilherme Gonçalves é também apontado como responsável pelo departamento jurídico do diretório do PT do Paraná.
A Polícia Federal acusa Gonçalves de receber R$ 7,2 milhões em propinas de contratos firmados pelo Ministério do Planejamento, à época comandado por Paulo Bernardo, marido de Gleisi. “Temos faturas emitidas para os escritórios de advocacia que eram ideologicamente falsas porque um dos próprios diretores da Consist Software informou que estes escritórios jamais prestaram serviços advocatícios para a empresa. Eles (escritórios) podem ter recebido por serviços prestados a terceiros. É algo que ainda será alvo de investigação” disse o delegado da PF, Márcio Adriano Anselmo.

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