Editorial. Ed. 170

Agora a Argentina tem o Papa Francisco, tem o Messi e tem um presidente da República. Tem mais, muito mais. Tem esperanças de sair do caos populista para a modernidade. Enquanto isso, nós, brasileiros e brasileiras, continuamos a amargar os efeitos devastadores de 13 anos de petismo. Recessão, desemprego, inflação ascendente e a triste constatação de que somos governados por uma quadrilha que conseguiu detonar a Petrobras, uma das maiores estatais do mundo.
Pior, não podemos ter esperanças de mudar esse ciclo em pouco tempo. No ano passado, a maioria reelegeu Dilma, o PT, Lula et caterva. Nossa perspectiva é de mais três anos, no mínimo, de crise política, social, econômica e moral sob a égide do PT. E de mais de uma década para nos recuperarmos do assalto. Nunca antes na história desta República se roubou tanto nesta pátria mãe tão distraída presidida por Lula e Dilma Rousseff, com a conivência e parceria do PMDB de Eduardo Cunha e Renan Calheiros.
A Argentina livra-se do abjeto populismo que insiste em transformá-la em país de terceira classe. O peronismo reciclado na apostila bolivariana dissimulou 12 anos de corrupção dominados pela família Kirchner, Nestor e Christina. Um regime baseado na concessão de benesses e sinecuras, de programas.
Longa vida a esta nova fase da política argentina. Esta é a primeira vez que um líder da direita liberal chega ao poder pelas urnas em eleições livres, sem o apoio de uma ditadura, fraudes ou candidatos proscritos. Em sua vida democrática, a Argentina apenas teve no poder a alternância entre o Partido Justicialista (PJ, peronista) e a UCR (social democrata). Agora teremos a experiência nova que, espera-se, contagie o continente.
O empresário Mauricio Macri, 56 anos, é o novo presidente da Argentina. Assume já, no dia 10 de dezembro, para governar por quatro anos. Promete restabelecer regras republicanas no relacionamento entre os poderes, entre o governo e a imprensa, para voltar à plenitude democrática.
Aqui, mergulhamos na história do gênero e na política das bicicletas enquanto falta quimioterapia no SUS. O Brasil é mesmo um país ridículo, como diz o filósofo Luiz Felipe Pondé. O noticiário diário move a um sentimento de extrema frustração.  Os próceres do PT estão presos. Os filhos e amigos de Lula são investigados por corrupção.
Ninguém sabe dizer se Dilma Rousseff, a presidente, termina o mandato. Se o presidente da Câmara, Eduardo Cunha se sustenta em seu jogo para manter o poder que exerce sobre a Casa e que o protege, por enquanto, das evidências de crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, desvios e todos os demais catalogados no Código Penal como crimes do colarinho branco. E, no entanto, ele ainda é tido como salvador da pátria por muita gente.

Deixe uma resposta