Na cartilha da Juju

Quem passa na frente da Escola Municipal Vila Torres não imagina o que sucede lá dentro. Uma instituição, pública ou privada, acontece a partir de seus profissionais e numa escola tem de tudo: funcionário público esperando que o tempo passe rápido para o dia da aposentadoria, gente cumprindo com as obrigações dentro do riscado, pessoa sem compromisso com a educação, professora que falta, professora que não falta, orientadora estressada, pedagoga de plantão e por aí vai. Na Vila Torres há Andressa Teixeira. Ela tem um jeito, uma onda, uma bossa. Tem sorriso e leveza. E trata de emprestar tudo isso ao seu ofício. Vai além do que manda as cartilhas de alfabetização para encontrar os caminhos da educação integral. Em seus rodopios particulares de pensar a formação de crianças inventou que era importante e necessário que os pequenos conhecessem Noel Rosa. Contou tudo sobre o malandro, ou quase. Pequenos em idade de alfabetização discutem sobre preferências: Três apitos ou O orvalho vem caindo, Noel ou Wilson, sem bigode ou com bigode? Vale tudo a partir de um repertório amplo que ela espalha dia após dia para a diversão de sua classe, que vai assim, cantando e brincando, aprendendo sobre coisas nossas. Andressa Teixeira não é professora, não é funcionária pública, não estabelece suas aulas dentro do riscado, ela é educadora que arregaça as mangas e aproveita cada instante para enriquecer a cartilha. Na intuição e na observação, sabe qual é o x do problema.

 

Adriana Sydor

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