Editorial. Ed. 171

Que o Brasil não é para amadores já tínhamos sido avisados pelo Belmiro Valverde Jobim Castor. Mas nem ele, em toda a sua inteligência, imaginaria que chegaríamos a tanto nesta quadra de crise que expõe ao mundo todas as nossas mazelas. Da corrupção desenfreada aos equívocos nacionalistas e estatizantes da corja que empalmou o poder há 13 anos.
A tarefa da política, segundo o ex-presidente Lula, guia ideológico da turma, é manter-se no poder a qualquer custo, nem que para isso seja preciso mentir descaradamente. Ora, pois, em tudo há uma intensa deterioração ética, talvez provocada pela passagem dos séculos, entre a definição do filósofo grego e a prática do filósofo de Garanhuns.
O modus operandi ético-intelectual do filósofo Lula  é suficientemente conhecido. Esbravejar com a voz rouca do alto de um palanque ameaçando mover céus e terra para manter a divisão do Brasil entre “nós”, os bons, os caridosos, as almas puras, os igualitários, e “eles”, os elitistas impuros, egoístas, escravagistas, racistas, os que odeiam pobres viajando ao lado deles em aviões – essa é identificação primeira da trade mark lulista.
É o que ele faz neste momento. Os maus, liderados por Eduardo Cunha, querem a deposição de Dilma. Os bons, que ele lidera, são contra o impeachment. Nada mais raso, mais chinfrim, mas Lula sabe que funciona. Vem engambelando os brasileiros há décadas com essa fórmula que serve para justificar tudo. Do mensalão ao Petrolão, dos desvios no BNDES aos achaques ao Banco do Brasil.
A partir desse carimbo, e do pensamento mágico que o envolve, tudo é possível. Uma vez estabelecida a divisão entre os bons e os maus, e fechado um exército em torno do maniqueísmo, o resto fica fácil. O eleitor brasileiro mais simplório lê com muita facilidade a cartilha do populismo: o mundo se divide entre os que querem o bem do povo e os que querem o mal do povo. Simples assim.
O PT, que já foi moralista e tido como partido de moral ilibada, agora usa argumentos asquerosos para justificar-se como o partido mais corrupto da história do país.  O céu é o limite para os padrões éticos de Lula. Nunca ninguém chegou tão perto de oficializar o velho refrão populista que nasceu com o ademarismo em São Paulo e ganhou contornos profissionais com Paulo Maluf: rouba, mas faz.
No caso específico de Dilma Rousseff não se trata de roubo, trata-se de crime fiscal, mas o ingrediente  moral é o mesmo: os fins justificam os meios, um dos princípios mais sórdidos já inventados na desqualificação e a degeneração moral da prática política. Além de ser uma justificativa imoral, tem um componente ainda mais sórdido: é mentirosa.
Está comprovado que dos R$ 40 bilhões de pedalada fiscal, R$ 6 bilhões eram destinados ao Bolsa Família. Os outros R$ 34 bilhões era dinheiro a juros subsidiados para grandes empresas escolhidas a dedo pelo governo. Uma verdadeira bolsa-empresário. A requintada fórmula moral do PT é que não basta cometer crimes fiscais para manter-se no poder. É preciso também mentir.

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