Prateleira. Ed. 172

As vozes de Adriana Sydor

Adriana Sydor, toda prosa ecoa na cidade, a mais recente publicação da Travessa dos Editores está a dar pano pra manga. No dia 20 de janeiro, no Vox Urbe, que traz uma vez por semana, no bar Wonka, as vozes literárias da cidade, foi a vez de Adriana Sydor assistir toda a sua prosa declamada e interpretada por artistas da cidade das mais variadas competências. Laís Mann, Inês Gutierrez, Rogéria Holtz, Etel Frota, Lina Faria, Ieda Godoy, Paulo Vítola, Ricardo Pozzo e Renato Keller emprestaram não só suas vozes, mas também seus olhares, suas percepções sobre o texto leve e trivial de Sydor, mas também emocionante e profundo. As dezesseis crônicas lidas foram pouco para as mais de noventa que o livro abarca. Rogéria Holtz com o texto Inimigos divertiu o público, Renato Keller enamorou com Solteira, Ieda, Laís e Etel foram fatais com suas interpretações. Todos navegaram nas entrelinhas de Adriana Sydor que diz sem dizer, que não diz dizendo. E para abrir e fechar a noite, Jeff Sabbag comandou a trilha sonora com seu trio ao som do mar do jazz profundo.

 

(Fotos: Décio Romano)

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Paulo Vítola, Rogéria Holtz, Laís Mann, Etel Frota, Adriana Sydor, Ieda Godoy, Lina faria, Jeff Sabbag, Ricardo Pozzo e Inês Gutierrez

 

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Deiró e Jaime Lerner

 

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Laís Mann

 

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Rogéria Holtz

 

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Etel Frota

 

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Lina Faria

 

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Inês Gutierrez

 

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Ieda Godoy

 

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Renato Keller

 

 

O Caçador é um Coração Solitário

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Foto: Reprodução/site frenesilivros.blogspot.com.br

 

A maneira de introduzir várias narrativas dentro da narrativa principal destaca o livro. Os capítulos são contados da perspectiva de cada personagem – quase como em Faulkner –, tendo como fio condutor o mudo John Singer, um homem triste e solitário, que por sua serenidade enigmática é visto como um santo pela comunidade. A história se passa numa pequena cidade do sul dos Estados Unidos no final dos anos 1930, quando a Grande Depressão – em 1929 – ainda deixava marcas. O romance foi publicado em 1940 quando a autora Carson McCullers tinha apenas 23 anos e foi imediatamente bem recebido.

Crime e Castigo

Foto: Reprodução/site blog.livreto.co

Foto: Reprodução/site blog.livreto.co

 

Escrito por Fiódor Dostoievski, o livro, publicado em 1866, narra a agonia vivida por um ex-estudante de direito após cometer dois homicídios, indo do delírio à realidade num só instante. Raskólhnikov, o ex-estudante, tinha uma teoria que dividia os homens entre comuns e extraordinários, e ele não queria passar a vida sendo um mero cidadão, por isso julgou um grande feito o homicídio. Mas na medida em que o cerco se fecha, Raskólhnikov fica mais perturbado e não tem tanta certeza assim dos seus atos, pondo em xeque o motivo de sua vida. Nietzsche afirmou que Dostoievski era o único psicólogo que tinha algo a lhe ensinar e Crime e Castigo justifica a grandiosidade da frase.

Conversa na Catedral

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Foto: Reprodução/site ofuturonaodurasempre.blogspot.com.br

 

“Se tivesse que salvar do fogo só um dentre os [romances] que escrevi, salvaria este”, disse Mario Vargas Llosa sobre Conversa na Catedral, publicado originalmente em 1969. Ambientado em Lima, Peru, em meados dos anos 1960, o livro conta o encontro entre Santiago Zavala, jornalista e pertencente a uma família de classe média alta, e Ambrosio, antigo motorista de seu pai, no bar Catedral. E lá relembram fatos passados comum a ambos – a vida, os conhecidos etc. Além de remontar o cenário político peruano dos anos 1950, período em que o país passava por turbulências.

Um Livro Por Dia – Minha Temporada Parisiense na Shakespeare And Company

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

 

A Shakespeare and Company figura em qualquer lista sobre as livrarias do mundo. Charmosa, carregada de histórias, especialista em literatura inglesa e dona de relatos impressionantes, ela está lá ao lado da Notre-Dame. Entre estantes, livros e gentes que andam por ali, há camas e elas sempre puderam ser ocupadas por quem não tem onde morar; em troca, o “hóspede” tem algumas obrigações na organização e limpeza da loja e precisa ler um livro por dia. O jornalista Jeremy Mercer relata com muito bom humor sua experiência entre carteira vazia, escritores, obras, paixões, planos e o surpreendente George Whitman.

O Som e a Fúria

Foto: Reprodução/site habeolib.blogspot.com.br

Foto: Reprodução/site habeolib.blogspot.com.br

 

Quando William Faulkner foi apresentar o projeto do seu terceiro romance as editoras negaram. O que poderia ter sido uma pedra do caminho foi um alívio para Faulkner que declarou a época: “Agora posso escrever. Agora posso simplesmente escrever”. Isto é, sem as exigências e prazos editoriais. O Som e a Fúria, de 1929, conta a história da arruinada família Compson a partir de quatro narradores diferentes. A forma não linear do livro nos torna investigadores da trama, a juntar a história para compreender o todo, pois cada narrador tem uma psicologia própria.

A Peste

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Foto: Divulgação

 

Com A Peste Albert Camus se consagra definitivamente na literatura mundial, no período da publicação, 1947, ele já era o jornalista mais lido da França. O sucesso do livro foi imediato. Em Oran, na Argélia, no início dos anos 1940, tem início uma epidemia de peste. A cidade, sujeita a quarentena, torna-se um território irrespirável. É talvez por isso que as mulheres quase não são visíveis nestas páginas. Mas a ausência não deixa um espaço vazio. Pelo contrário. Sentida como uma falta, como uma ferida aberta (que as lágrimas de Grand, porventura uma das mais tocantes personagens do livro, tornam evidentes), ela sublinha a importância da ternura e da felicidade.

A talentosa Luci Collin

Jandique de Araújo

Foto: Reprodução/site indicalivros.com

Foto: Reprodução/site indicalivros.com

 

O 15.º livro de Luci Collin, lançado no final de 2015, traz 18 contos. Trata-se de A árvore todas, publicado pela Iluminuras. A escritora curitibana, hábil no romance, poeta, também domina as narrativas breves. Ela desmonta tudo, inclusive a estrutura anacrônica com os tradicionais começos, meios e fins. A prosa de Luci é ziguezagueante. Ela utiliza o experimentalismo para discutir os temas mais relevantes do ser humano, a vida, a morte, o amor. E suas narrativas fazem o leitor rir dos desenganos, das rasteiras e dos embustes da existência.

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