Cinema. Ed. 173

Persona (1966)

Fotos: Divulgação

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Há várias possíveis interpretações para o filme do diretor sueco Ingmar Bergman. A mais clara e escancarada, e talvez mais aceitável, é a intenção de mostrar as muitas facetas humanas presente em cada um, a conclusão um bocado óbvia vem da personagem Elisabeth Vogler (Liv Ullmann), uma atriz que após uma apresentação surta e passa a viver uma vida reclusa num hospital sem falar uma palavra, porém sem qualquer diagnóstico de demência ou loucura, Vogler amordaçou-se no silêncio por querer. Outra possível interpretação pode encontrar ecos na obra O Alienista de Machado de Assis, não se sabe se Bergman o leu, mas os surtos vividos pela enfermeira que cuida de Elisabeth, Alma (Bibi Andersson), põem em xeque o que é insanidade e o que é lucidez.

Zorba, o Grego (1964)

Foto: Divulgação

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Anthony Quinn deu vida em 1964 a Alexis Zorba, um grego que conhece um escritor britânico, Basil (Alan Bates), e filho de grego, que vai até Creta para reativar a mina herdada de seu pai. Zorba convence-o da necessidade de sua companhia, afinal tinha experiência em mineração. Este é um pano de fundo para desenrolar duas histórias de amor paralelas. O filme foi dirigido por Michael Cacoyannis e embora sua produção seja estadunidense fora rodado na Grécia.
Quinn durante as gravações quebrou o pé e não pode fazer uma cena de dança conforme previsto no roteiro por causa da grande quantidade de movimentos, apesar dos pesares o ator rodou a cena arrastando o pé machucado. Quando o diretor o questionou sobre que era “aquilo”, sem pestanejar Quinn inventou um nome qualquer e disse se tratar de um gênero tradicional.

Doze homens e uma sentença (1957)

Foto: Divulgação

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Um porto-riquenho é acusado de um escandaloso assassinato contra o próprio pai. Vai a júri popular. As provas apresentadas convencem onze, sem deixar dúvidas, dos doze. Considerando que o júri deve ser unânime, só haveria uma decisão quando todos compartilhassem da mesma opinião, mas o jurado nº 8 (Henry Fonda) insiste em rever os fatos para se ter certeza que não condenariam um inocente e enfrenta os onze homens cheios de más vontades querendo apenas sair dali para seguirem com suas vidas. Com direção de Sidney Lumet e roteiro de Reginald Rose, a película surpreende com a riqueza de diálogos uma vez que o filme se passa inteiro dentro de uma sala.

A papisa Joana (2009)

Foto: Divulgação

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Filme de Sönke Wortmann, remonta a lenda de que em 853 d.C. a Igreja Católica foi comandada por uma mulher. Johana von Ingelheim descobriu que sua vontade de letras e liberdade seriam possíveis na prisão de faixas que lhe apertavam os seios, cabelos curtos que disfarçavam sua natureza e negando tudo que sua condição de mulher impusesse.  
Apesar do filme mostrar uma mulher obstinada pela fé e que não se curvava diante do que achasse injusto, Joana não pode ser apontada como uma das que lutaram pelos direitos femininos, porque sua batalha era a favor do povo, contra a fome e as misérias da ignorância de modo geral. Fez tudo isso escondendo sua identidade feminina e, de certo modo, colaborando para que a Igreja, o mundo, ainda fosse governado por homens.

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