No fio da espada olímpica

Amanda Netto Simeão excede o que se espera de uma jovem como ela, transbordando vitalidade e capacidade de trabalho. Ela veste-se com a roupagem que a identifica de forma diferenciada entre as meninas de sua idade (21 anos): é a esgrimista tempo integral, que já percorreu e viveu em boa parte do mundo Ocidental, outra parte do Oriente – como a China – em busca de materializar seu sonho.
No momento, concentra-se no grande alvo – sua participação pela delegação brasileira na Olimpíada do Rio. E também cuida da abertura da sua academia de esgrima, já montada em Curitiba. A batalha é ampla, as chances, em meados de fevereiro, eram muitas – uns 70% de ela estar no rol das esgrimistas brasileiras, em cujo ranking aparece entre as primeiras.
Há batalhas pela frente. Seus amigos mais próximos dizem que ela não se pronuncia sobre o assunto, acha-o “complicado e pode envolver questões éticas”. Mas o que se repete no meio da esgrima é que estariam entre as candidatas a representar o Brasil, pelo menos uma húngara que “não sabe dizer ‘bom dia’ em português”, uma italiana e uma norte-americana. Coisas de uma nacionalidade pelo menos mal explicada, assegura-se nessa área olímpica.

A criança

Desde a infância, a curitibana Amanda Netto Simeão demonstra aptidão para os esportes: praticou patinação no gelo, equitação, futebol, balé, sempre com ótimos resultados. Não fosse sua dedicação, porém, ela não estaria onde está hoje: entre as quatro melhores esgrimistas do Brasil na categoria Adulto. Ela deverá ser uma das melhores presenças paranaenses na Olimpíada do Rio. É o que se espera e no que muita gente aposta. Ainda não muito conhecida dos curitibanos, embora frequente com certa regularidade páginas de jornais, TVs e revistas, locais e nacionais, Amanda está reservando uma grande novidade: como boa parte dos grandes esportistas, que têm suas próprias academias e centros de treinamento, Amanda em breve inaugurará a Academia de Esgrima Amanda Netto Simeão.

Universo da espada

O espaço, na Rua Carlos de Carvalho, está pronto, a esgrimista investiu “o que eu tinha e o que não tinha no projeto”. Cerca de R$ 200 mil no espaço. A academia de Amanda aceitará alunos de todas as faixas etárias, desde crianças a idosos “de qualquer idade”, diz a jovem. E mais: Amanda estará praticamente sozinha na formação de esgrimista em Curitiba, dividindo espaço com duas outras academias, mas, que dizem observadores, ainda “não primam pelo rigor profissional e pontualidade nos horários de trabalho”.
Amanda não se pronuncia sobre o assunto, “não seria ético”, opina. Na academia da jovem serão vendidos os equipamentos para a prática de esgrima, além de espadas (que não cortam). Não custam “uma fortuna”, como muito pensam. Um esgrimista pode se equipar gastando não mais que
R$ 700, admite Amanda. Aos que têm curiosidade para conhecer desse universo (o Círculo Militar e o Thalia são locais onde se pratica esgrima), anote-se: os espadachins, homens e mulheres, idosos, jovens e crianças, não passariam de 600 pessoas em Curitiba. Mas é um universo de alto poder aquisitivo.

Poliglota

Amanda é bonita e simpática. Às vezes pede socorro à mãe, a designer e empresária Ana Letícia Bueno Netto, sobre como citar em português certas situações. E essa dificuldade não é charme de quem é cosmopolita: acontece que Amanda foi alfabetizada em italiano, na Itália, onde estudou até o fundamental. Depois, fez um périplo de treinamentos, sempre acolitada pela charmosa Ana Letícia, com grandes técnicos, de reputação mundial, em França, Itália, Turquia, Espanha... Essas andanças garantiram à jovem tornar-se poliglota: além do português, teve de aprender (e bem) italiano, francês, inglês e espanhol. A propósito: como herança familiar, Amanda terá cidadania inglesa (pelo lado do avô paterno) e já tem a de cidadã italiana, pelos avós maternos (Ravaglio). Ainda do dom de línguas da esgrimista, anote-se: ela arrisca frases em mandarim, que memorizou em disputas na China.

Começou aos sete

A vida de Amanda como esgrimista começou em 2001, aos sete anos. Foi quando se mudou com a família para a Itália, onde morou até 2007 e teve o contato inicial com a esgrima, modalidade que teria lugar central em sua vida desde então. “Treinei com o técnico polonês Zibi Demianiuk, e ele me incentivou a jogar pelo Brasil e ajudar a divulgar mais o esporte”, conta. Mas o maior orgulho da jovem é ter sido discípula do afamado técnico francês Levavasseur, com quem treinou por meses na França. “Ele é um ás mundial, orgulho-me de tê-lo como mestre”, arremata a esgrimista. Entre os apoiadores de Amanda está o empresário Francisco Simeão Netto.

 

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Amanda Netto Simeão

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