Prateleira. Ed. 173

Lygia no Nobel

A escritora Lygia Fagundes Telles foi indicada pela União Brasileira de Escritores (UBE) para concorrer ao Nobel de Literatura deste ano. Seu nome foi encaminhado para a Academia Sueca por ser “a maior escritora brasileira viva” e por ter uma obra literária de qualidade “inquestionável”, de acordo com o presidente da UBE Durval de Noronha Goyos. A escritora paulista está com 92 anos, já venceu os prêmios Camões (2005) e Jabuti (1966, 1974 e 2001); autora de romances como “Ciranda de Pedra” e “As meninas”, além de vários outros livros de contos, Fagundes Telles já foi traduzida para o tcheco, sueco, alemão, espanhol, francês, italiano, polonês e inglês. Nunca um brasileiro ganhou o prêmio máximo da literatura.

 

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Um bom antídoto para o politicamente correto

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Theodore Dalrymple não é leitura fácil para almas parvas, do tipo que cultua o besteirol contemporâneo do politicamente correto. Talvez por isso só foi editado no Brasil  recentemente. Até então, suas ideias circulavam entre cabeças privilegiadas que a ele tiveram acesso em inglês. O nome é de difícil pronúncia. É pseudônimo do médico psiquiatra inglês Anthony Daniels.
“Nossa Cultura, ou o que restou dela” está nas livrarias. Trata do que diz o título e todas as suas mazelas. Preparem-se. Dalrymple desenvolve o argumento segundo o qual “o culto do sentimento não destrói apenas a capacidade de pensar. Destrói a simples ideia de que é preciso pensar”.

Por que ler os clássicos

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Já no título Ítalo Calvino sugere uma ironia, por que ler os clássicos? Será que precisamos? Suas histórias já são tão manjadas que a leitura supostamente seria dispensável. Mas o italiano logo esclarece: “A única razão que se pode apresentar é que ler os clássicos é melhor do que não ler os clássicos.” E é insistente quando diz que melhor é ler o original, quando não for possível, dispensar as edições comentadas e salienta: “a escola e a universidade deveriam servir para fazer entender que nenhum livro que fala de outro livro diz mais sobre o livro em questão; mas fazem de tudo para que se acredite no contrário”, ou seja, para se compreender Platão nada melhor que ler Platão. Além disso, Calvino dá algumas respostas sobre que é – ou pode ser – um clássico.

Galáxias

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Haroldo de Campos dedicou treze anos para escrever suas Galáxias (1963-1976), figura icônica da poesia concreta brasileira junto com seu irmão Augusto de Campos e Décio Pignatari. O poeta, crítico e tradutor inovou com a publicação. Seu texto não tem pontuação nem páginas, não se sabe se é prosa ou poesia, Caetano Veloso classificou medonhamente de “proesia”. Campos bebeu na fonte de Guimarães Rosa, que muito elogiou o livro, e James Joyce para resgatar palavras, criar outras. Ler Galáxias é uma experiência hermética, quiçá confusa, é, de fato, uma viagem – da mais literal a mais metafórica.

Número Zero – Umberto Eco

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"Escolhi o pior caso. Quis dar uma imagem grotesca do mundo, ainda que o mecanismo da máquina para sujar, de lançar insinuações, já fosse usado durante a Inquisição”, assim Umberto Eco comentou sobre a ideia central de seu livro. A obra tem como cenário a redação de um jornal que ensaia sua estreia dentro da concepção aberta de chantagear, manipular, denigrir ou o que a ocasião de notícia, verídica ou inventada, promova. A ficção trata com crítica, ironia e muita realidade a decadência da imprensa, da política e da sociedade italiana, onde é possível total reconhecimento de nosso momento. Misturando acontecimentos históricos ao enredo, o livro conta muito nas linhas e nas entrelinhas do semiólogo Eco.

Queijos e vermes de Ginzburg

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Carlo Ginzburg escreveu uma narrativa que aproxima o especialista do leitor comum, o homem do século XX – e agora do XXI, o livro foi publicado em 1976 – do homem do século XVI, mostrou suas semelhanças e suas diferenças a partir do relato de Menocchio, um moleiro do norte da Itália; de uma de suas frases Ginzburg deu o título ao livro: “Tudo era um caos, isto é, terra, ar, água e fogo juntos, e de todo aquele volume em movimento formou uma massa, do mesmo modo como o queijo é feito do leite, e do qual surgem os vermes, e esses foram os anjos” – assim saiu O queijo e os vermes. Ginzburg, ao descrever e desvendar Menocchio, diz: “De vez em quando as fontes, tão diretas, o trazem muito perto de nós: é um homem como nós, é um de nós.”

Dicionário crítico do feminismo

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A Editora UNESP publicou em 2009 o Dicionário Crítico do Feminismo, originalmente editado pela Presses Universitaires de France, em 2000. A publicação conta com a organização de Helena Hirata, Françoise Laborie, Hélène Le Doaré e Danièle Senotier e visa estimular a reflexão sobre a construção social da hierarquia entre os sexos e desenvolver um pensamento que favoreça a emancipação das mulheres e a igualdade na diferença. Os verbetes redigidos por especialistas vão de “aborto e contracepção” até “violências”, a passar por “prostituição” e “maternidade”.

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