A decadência do falo

(Foto: Divulgação)

 

Em condições normais de temperatura e pressão, hoje eu prestaria todas as homenagens que são justamente devidas às mulheres. Mas, aparentemente, minhas homenagens seriam furiosamente repelidas porque o machismo está no meu DNA. Como representante das forças opressoras do patriarcado, só consigo pensar em homenagear as mulheres com a violência simbólica que me é característica. Flores são um insulto, abrir a porta do carro é uma afronta. E convém nem insinuar o desejo de um contato físico.

Neste Dia Internacional da Mulher, pois, resolvi cometer mais um pecadinho (entre tantos) e, abusando ironicamente do jargão da moda, “roubar-lhes o protagonismo” para falar das dificuldades contemporâneas de ser homem. Porque, sinceramente, não está nada fácil expressar todo este poder do falo de que tanto reclamam as mulheres.

Vamos começar pelos elogios. E, desde já, faço a ressalva de que não estou elogiando ninguém, nem me venham com estas pedras. Ora, desde pequeno aprendi que era de bom tom elogiar as mulheres, destacando seus melhores atributos físicos, mas não só. (Por acaso, sempre gostei mais das mulheres inteligentes do que das bonitas). Hoje, contudo, qualquer elogio pode e deve ser considerado assédio, uma verdadeira violência contra a mulher.

Cavalheirismo é outra coisa que deixa qualquer homem completamente perdido hoje em dia. As mulheres reclamam de que os homens não são cavalheiros, não abrem a porta do carro, não tiram a cadeira, estas coisas. Mas, quando o homem é gentil, logo aparece alguém o chamando de machista por estar subestimando a capacidade feminina de abrir a porta do carro ou se sentar sem ajuda.

Por ingenuidade ou otimismo, eu achava que ao menos sexualmente as coisas estavam mais fáceis (no sentido de menos complicadas, não no sentido de “vagabundas”) para nós, homens, com toda esta liberdade que apregoam por aí. Tolice minha. Há mulheres que escrevem longas e tediosas teses antropológicas a respeito da opressão contida nas mais inocentes das carícias. As mais radicais andaram por aí falando que o ato da penetração é em si uma violência – o que, sinceramente, dificulta muito qualquer tipo de entendimento e de propagação da espécie.

Não está fácil ser homem. Se por um lado as pesquisas dizem que ganhamos mais pelo mesmo trabalho, por outro lado nossa expectativa de vida é menor. Não temos uma Lei Maria da Penha para nos proteger da violência hormonal mensal. Ficamos carecas. Temos de tomar a iniciativa da conquista, sempre sujeitos à humilhação da rejeição. E por aí vai.

Por isso, no Dia Internacional da Mulher espero que todas as mulheres se lembrem com carinho dos homens que não lhes deram flores, perfumes ou ao menos um “parabéns”. Não é porque sejam canalhas insensíveis, e sim porque muitos se sentem castrados e estão ali no canto, morrendo de medo de levar uma mordida em troca de uma simples palavra ou gesto cortês.

 

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