O oráculo e a terra arrasada

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Se os boatos de Lula assumir um ministério para ter foro privilegiado estiverem certos, será a segunda vez que profetizo algo em menos de um mês. No dia 5 de março, sábado, tuitei que Lula seria o novo Ministro da Justiça. Antes, no dia 20 de fevereiro, tinha dito que Lula seria preso no dia 4 de março, na operação House of Cards.

(Como perceberam os mais astutos, minha profecia estava ligeiramente equivocada: Lula não foi preso e a operação não se chamou House of Cards. Mas acertei o dia – e é o que basta para dar confiança a um oráculo mequetrefe como eu).

Mais importante do que minha fama de profeta e meus supostos poderes de acertar os seis números da Mega Sena, porém, são as consequências da nomeação de um investigado na Lava Jato para um ministério qualquer, numa estratégia que tem por finalidade apenas proteger Lula das garras do juiz Sérgio Moro. Fazer isso seria o mesmo que rir na cara dos milhões de brasileiros indignados e, pior, rir na cara das instituições – aquelas mesmas que os jornalistas “isentos” correm para dizer que estão funcionando a pleno vapor na engrenagem democrática.

Será uma afronta a qualquer senso ético. Mais do que isso, será a prova de que, se o PT cair, vai se retirar do campo de batalha deixando atrás de si uma terra arrasada, derrubando pontes, queimando vilas e matando pessoas – tudo metaforicamente, claro. Será uma queda sem honra – até porque esse povo não tem a menor ideia do que significa ter honra.

Qual será a reação da sociedade diante de tamanho escárnio e de outros que se a ele se seguirão? Dando uma de oráculo novamente, ouso dizer que os dias finais da coalizão Dilma-Lula-PT-Quadrilha vai ser um Baile da Ilha Fiscal regada a vinhos da adega de Atibaia e com toneladas de brioches de Maria Antonieta. O problema de usar esta referência é que ela implica num futuro jacobino. E, no Brasil, se as guilhotinas (metafóricas!) começarem a cair, há de faltar pedra de amolar.

 

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