Sérgio Moro pede serenidade em momento de ‘turbulência’ política

Sérgio Moro. Foto: Reprodução/site aner.org.br

Juiz federal participou de palestra na Federação das Indústrias do Paraná.
Magistrado falou sobre alguns dos casos já julgados na Lava Jato.

Do G1 PR

O juiz federal Sérgio Moro pediu serenidade aos manifestantes que têm ido às ruas em protestos contra e a favor do governo federal, nesta quinta-feira (10). A fala do magistrado, responsável por conduzir os processos da Operação Lava Jato, abriu a palestra dele no 2ª Fórum Transparência e Competitividade, que ocorre na sede da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em Curitiba.

“Penso que neste momento, de certa turbulência, de certo radicalismo, claro que são compreensíveis as angústias e as reclamações diante do contexto econômico, do contexto político, do noticiário policial de cada dia. Mas ainda assim é importante que isso seja desenvolvido sem discurso de ódio, sem violência contra ninguém”, disse.

Durante a palestra, Moro também fez algumas citações aos casos que já julgou na Operação Lava Jato. Conforme o magistrado, as investigações desvendaram o que ele considera como uma corrupção sistêmica na Petrobras.

Moro assustado

Sem citar nomes, Moro lembrou a sentença que deu a um ex-parlamentar do Partido Progressista, que também foi condenado pela ação penal 470, conhecida como mensalão. O juiz diz que ficou assustado ao analisar o caso já julgado, porque, de acordo com as provas, ele estava recebendo propinas mesmo enquanto era julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

“Pelo menos enquanto eu julguei aqui, eu confesso que fiquei assustado. Porque o sujeito, tendo a sua responsabilidade criminal discutida, com muita seriedade pelo Supremo Tribunal Federal, o Supremo Tribunal Federal todo preocupado para não condenar injustamente alguém, preocupado em analisar as provas, em emitir julgamentos seguros e, enquanto isso, esse ex-deputado continuava recebendo propina de um outro esquema criminoso”, lembrou o juiz. Embora não tenha dado nomes, o único ex-parlamentar do PP julgado por ele e também réu no mensalão é Pedro Corrêa, que está preso no Complexo Médico-Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Juiz rebate críticas

O juiz criticou afirmações de que a Operação Lava Jato está prejudicando os investimentos no Brasil, contribuindo com a crise econômica. Para refutar o argumento, Moro citou o caso da Refinaria de Abreu e Lima (RNEST), que saiu de um orçamento de US$ 2,4 bilhões em 2005 para US$ 18 bilhões em 2015, segundo dados da própria Petrobras.

Segundo Moro, funcionários da estatal ouvidos em processos da Lava Jato chegaram a afirmar que, se a refinaria funcionasse “otimamente” durante todo o período de vida útil dela, ainda assim o prejuízo seria de mais de US$ 3 bilhões.

“Depois se critica que a Lava Jato prejudicou os investimentos no país, mas esse tipo de investimento? E se isso se reproduziu em outras obras da Petrobras? E se isso se reproduziu em outras obras das nossas estatais? Será que valei a pena esse tipo de investimento?” questionou.

Futuro

O juiz encerrou a fala fazendo um paralelo entre a situação atual do país com o momento precário vivido pela Inglaterra em meio aos avanços da Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, lembrou Moro, Winston Churchill afirmou que se o Reino Unido persistisse na luta, dali muitos anos as pessoas não iriam pensar naquele momento como “obscuro”, mas que aquela teria sido o melhor momento.

“Guardadas as devidas proporções, digo mais uma vez que não estamos em guerra com ninguém, mas, admitamos estamos em uma situação difícil recessão corrupção sistêmica e imprevisibilidade política  tenho a confiança de que se nós confiarmos na nossa democracia, lutarmos pela nossa democracia, daqui 20, 30 anos, nós possamos olhar pra trás e pensar que, se esse não foi o nosso melhor momento, talvez tenha sido um deles”, concluiu.

Sem motivações

Na quarta-feira (9), também em Curitiba, Moro proferiu outra palestra, para empresários, onde disse que não tem qualquer tipo de motivação política ou ligações com partidos. O magistrado também defendeu que os empresários devem manter regras próprias de combate à corrupção. “As motivações minhas nunca foram partidárias. Eu não tenho ligação nenhuma, zero, zero, com partido ou pessoa ligada ao partido”, disse.

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