Liberdade

(Foto: Divulgação)

 

 

Ao entrar na faculdade de jornalismo, eu era um moleque imberbe e ignorante que achava que entendia das coisas. Um fedelho que tinha lido meia-dúzia de livros e se considerava capaz de ditar os nortes da Humanidade. Um piá envaidecido que, durante seis breves meses, se tanto, comungou das ideias de Marx.

Até que vi a luz. Não me lembro exatamente da fonte de tal luz. Mas estou certo de que não foi nenhum dos ídolos da “Nova Direita”, nem Olavo de Carvalho e muito menos Mises ou Rothbard. Com um pouco de ajuda da imaginação, ouso dizer que o farol que iluminou primeiro meu caminho libertário foi Salinger.

Há vinte anos, pois, defendo a liberdade. A minha e a dos outros, sobretudo a liberdade daqueles que se sentem à vontade com a escravidão. E os que abdicam da liberdade são muitos. São legião, como se diz dramaticamente. Os espertinhos devem ter percebido que há uma contradição aqui: um libertário não deveria defender a liberdade alheia de abdicar da liberdade?

É um dos paradoxos da liberdade: defender o direito alheio à autossubserviência, bem como defender o direito alheio a combater a própria liberdade. Há quem diga que é justamente por isso que a liberdade é um objetivo inalcançável: por definição, a liberdade alimenta e municia os próprios inimigos que mais cedo ou mais tarde acabam por matá-la.

Confesso que ainda não aprendi a lidar com estas contradições. Às vezes me pego repreendendo mentalmente alguém por defender com tanta veemência a escravidão do próximo, não raro com as melhores das intenções e geralmente sem perceber a violência que está praticando. Às vezes sinto raiva ao ver tanta energia e tanta inteligência a serviço de um ímpeto autoritário interior. E às vezes me decepciono com pessoas que parecem ver alguma superioridade no domínio de um indivíduo sobre o outro ou até mesmo na aniquilação, ainda que metafórica, deste indivíduo.

Por que escolhi (ou fui escolhido a) defender a liberdade? Não tenho certeza. Destino, sina, acaso. Múltiplas experiências subjetivas que me levaram a ver que o único homem pleno é o homem livre. Seja lá o que for, sei que a luta é inglória e as derrotas se sucedem, mas no fim a guerra é justa e honrada.

 

 

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