A voz das crianças

Prepare seu coração pras coisas que eu vou contar…

 

O domingo de Páscoa encerrou a primeira temporada do The Voice Kids Brasil, consagrando Wagner Barreto, 15, campeão. A representar o time da dupla sertaneja Victor e Léo, o paranaense de Porto Rico falou em entrevista à Globo que estava a vomitar arco-íris (?), a questão é: qual adolescente de 15 anos não estaria com R$ 250 mil na conta – valor da premiação. Preferido por 66% do público, o jovem escolheu “Disparada” e – inevitável trocadilho – disparou na frente. A composição de Geraldo Vandré e Théo de Barros foi a campeã em 1966, dividindo o pódio com “A Banda” (Chico Buarque), do II Festival de Música Popular Brasileira, na voz de Jair Rodrigues.

As outras duas finalistas também são paranaenses, Pérola Crepaldi, 11, de Apucarana, chegou à final interpretando as músicas “Memory”, do musical “Cats”, “Em cada sonho”, da dupla Sandy & Júnior, e “Beauty and the Beast”. A representante do time da Ivete Sangalo ficou marcada por seu vozeirão, na final, no entanto, cantando “Se eu não te amasse tanto assim”, aparentou nervosismo e não deixou sua voz fluir como em outras apresentações.
Embora não abocanhando o prêmio, a sensação da primeira temporada foi a curitibana de dez anos, Rafa Gomes. A pequenina Rafa, além da voz, chama a atenção por sua habilidade em dominar o palco. Parece se divertir enquanto canta, assim foi do começo ao fim; na final não estava intimidada, tampouco deslumbrada, com os holofotes. “Sítio do Picapau Amarelo” foi a música escolhida para a representante do time de Carlinhos Brown; mais que isso, Rafa Gomes deu o verdadeiro significado ao nome do programa, pois foi de fato “kids” cantando músicas como “História de uma gata”, “O Caderno” e “Superfantástico”.

Coincidência ou não, os três finalistas são paranaenses, se isso mostra ou não o futuro da música no Paraná é difícil dizer. Crianças a cantar têm um apelo e com certeza perderão a voz infantil, sem contar o duvidoso método de avaliação.

Wagner Barreto tem uma voz estridente demais, é possível perceber que Pérola Crepaldi desafinou em algumas passagens, já Rafa Gomes resta o questionamento: por que não venceu?

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