Piada? Não, realidade

O Brasil é, tristemente, o país da piada pronta. Os caminhos da burocracia, o número de ministérios, os ajustes fiscais, as saídas de dinheiro para todo o tipo de gambiarra política, as brechas nas leis, a quietude do povo diante de tudo isso, o circo, o pão… Tudo, tudo, tudo colabora para essa grande caricatura que nos tornamos. E como se já não tivéssemos ingredientes suficientes para nos mantermos soberanos no triste ranking das gargalhadas de nossas tragédias cotidianas, há ainda a cereja do bolo, a coroação definitiva de nossa palhaçada sem limites: as declarações públicas de nossos políticos.

Dilma Rousseff está aqui e ali como porta-voz de idiotias tão impressionantes que muitas vezes duvidamos que sejam reais, mas graças ao Youtube conseguimos, infelizmente, comprovar que a sandice foi dita e, pior, foi dita a sério. O que mais choca não é exatamente um embaralhamento de palavras ou uma ou outra deslizada na concordância ou, ainda, o uso errado de alguma expressão – e qualquer uma dessas possibilidades já deveria ser intolerável para uma pessoa que é representante de um país – o mais difícil de tudo é ver conceitos equivocados, ignorância absoluta sobre alguns temas e o encadeamento de ideias que se revela por trás das sandices. Um exemplo: “A única área que eu acho, que vai exigir muita atenção nossa, e aí eu já aventei a hipótese de até criar um ministério, é na área de… Na área… Eu diria assim, como uma espécie de analogia com o que acontece na área agrícola.”. O maior problema não é a frase sem sentido, com palavras soltas e quase incompreensível, mas o que está atrás dela: criar uma necessidade que não existe. Uma possibilidade de novo ministério, seja lá do que for, para qualquer assunto, que poderia muito bem ser tratado em uma pasta já existente. Por mais impressionante que possa parecer, o problema está justamente no que não foi dito, no plano de inflação da máquina pública, na ideia de distribuir cargos, lugares, cabides, salários, benesses e todo tipo de encrenca que acompanha um novo gabinete.

Num passeio rápido pela memória, é possível resgatar diversos momentos tristemente marcantes. Alguns fizeram a alegria de nossos cartunistas, alguns entraram nos shows de comediantes, alguns estamparam os semanários como resumo do período. E todos revelam a nossa pouca força moral e a maneira displicente como tratamos e somos tratados.
O repertório nacional de escrachos é imenso e entulhariam volumes e mais volumes em estantes caso fossem publicados. Assim, entre a tristeza e a zombaria, convido-os para relembrar alguns.

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09-piadaEsta matéria atingiu um nível de baixaria insuportável e o mais triste é que ela não está nem em um décimo do que é dito diariamente, pior, do que é pensado e colocado em prática. O triste panorama de nosso país é observado o tempo todo e às vezes nem é preciso atenção para entender, como por exemplo quando o deputado Sérgio Moraes falou a uma repórter estar se lixando para opinião pública sobre a absolvição de um coleguinha no Conselho de Ética. Ou o número de políticos que descaradamente utiliza a frase atribuída a São Francisco de Assis  “É dando que se recebe”, para tratar de propinas e todo tipo de maracutaia.
Como não há saída a curto prazo, o melhor é ficar com o conselho do Bussunda, humorista que nos faz falta: “Esse ano tem eleições. Os candidatos farão todas as piadas para a gente”.

 

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