Prateleira. Ed. 174

Sonhos de Bunker Hill

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Arturo Bandini é o alter ego de John Fante, no livro quase autobiográfico Bandini tenta a vida em Los Angeles, num tempo em que a indústria cinematográfica fervilhava e a cidade exalava produtores, atores, diretores etc. Após ter um de seus textos publicados consegue um emprego numa editora e sucessivamente assiste sua ascensão e queda no mercado editorial e cinematográfico.
Fante teve que ditar Sonhos de Bunker Hill (1982) para sua esposa, Joyce. Os problemas causados pela diabetes comeram seus olhos e pernas, talvez por isso, e também por Fante ter sido roteirista, o livro é bem imagético. Charles Bukowski tinha em Fante seu escritor preferido: “Finalmente aqui está um homem que não tem medo da emoção”.

Jack London

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Jack London foi um dos autores americanos mais bem pagos do final do século XIX e início de XX, mas antes disso assistiu desde a infância uma vida miserável, conheceu empiricamente um lado hostil, principalmente quando pirata – aos quinze anos – e depois quando se tornou marinheiro de longo curso. London foi um homem de aventuras e isso se refletiu em suas histórias, ao lê-las desabrocha uma vontade de desbravar o mundo. Ele pertence àquela fatia de escritores americanos que escracham uma experiência vulgar, quiçá cruel, em seus textos. E alguns deles podem ser lidos em Os mais brilhantes contos de Jack London.

A voz da consciência do mundo

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Otto Maria Carpeaux na apresentação de O reino deste mundo, de Alejo Carpentier, escreveu, em 1966, que “Depois de 1929, o romance social norte-americano foi, durante um momento histórico, a voz da consciência do mundo, assim como o fora no século XIX a literatura russa. Hoje a literatura latino-americana assumiu esse papel”. A obra de Carpentier trata da luta pela liberdade do Haiti no tempo em que era colônia francesa, com uma sucessão de fatos insólitos vividos por figuras históricas e ficcionais, dando voz, ainda hoje, à consciência do mundo.

Formação da Culinária Brasileira: escritos sobre a cozinha brasileira

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Para além da fome, o livro escrito por Carlos Alberto Dória, com pós-doutorado em sociologia, analisa o que constitui a culinária de nosso país. Trata das bases sociais e históricas e derruba mitos como o da regionalização e miscigenação dos pratos. O livro caminha, em textos curtos e claros, do Brasil Colonial até o nosso tempo gourmet. Uma maneira, apetitosa e convidativa, para entender hábitos sociais e alimentares, ingredientes e técnicas culinárias: a história do país levada à mesa.

Um esporte e um passatempo

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Romance de 1967, poderia ser mais um a contar sobre os encontros e desencontros do amor não fosse o seu autor James Salter, nome, não à toa, cultuado da literatura americana. Está lá na orelha: “livro de cabeceira de duas gerações de escritores brasileiros [...] é um comovente tratado do amor e do tempo, da juventude que se teve e da que ainda nos resta, nas páginas de um livro ou até, quem sabe, na vida”.

Zona Branca

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A Travessa dos Editores publicou, em 2006, Zona Branca, de Ademir Assunção. Glauco Mattoso anuncia na contracapa “Ademir Assunção caracteriza o poeta que poderia ser chamado de completo, no sentido dos sentidos: tem olhar oswaldiano, ouvido de músico, tato psicossocial, faro jornalístico e paladar tipicamente brasileiro, embora globalmente antropofágico.”

Malone morre

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Malone morre foi escrito em Paris no biênio 1947-8, Samuel Beckett, o autor, não era tão conhecido, não havia ainda abocanhado o Nobel de Literatura – que veio vinte anos depois (1969). Malone espera a morte, trancado num quarto observa os objetos a sua volta e tenta criar uma trama, tecer acontecimentos, mas seus escritos lhe enojam, soam mentirosos e vaidosos demais.
Beckett mostra que o momento histórico impossibilita a criação literária, o romance diz que só é possível fazer literatura a negar que a literatura pode ser feita. A tradução foi feita por Paulo Leminski, usou o original, em inglês, e a tradução francesa, feita pelo próprio Beckett.

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