PT, Dilma, impeachment e dólar

O mercado financeiro é cruel – com todos. Não há estabilidade, não por essas terras brasileiras. Mas com Dilma Rousseff é ainda mais descarada sua truculência, ou seria o contrário?

Desde as eleições presidenciais de 2014, as bolas nas costas da presidente figuram como sinônimo de alta do dólar e queda do Ibovespa. O mercado não quer a “Dilmãe”. Para ele, ela funciona como uma madrasta, uma bruxa. Quando as notícias são negativas para o PT e para o Palácio do Planalto tenha certeza que o dólar estará mais baratinho.

No dia 3 de dezembro do ano passado, quando Eduardo Cunha aceitou o pedido de abertura do impeachment, investidores foram ao delírio, viram uma luz no fim do túnel, uma possibilidade de mudança, acreditaram na saída da incompetência. Na ocasião o Ibovespa fechou em alta de 3,29%, mas a máxima da sessão chegou aos quase 5%. O dólar desvalorizou 2,62%, foi para R$ 3,7440; e o dólar comercial recuou 2,24%, fechando em R$ 3,749.

Menos de uma semana depois, em 9 de dezembro, após ser formada a comissão especial da Câmara dos Deputados que analisaria o processo de impeachment (neste dia presenciou-se a elegância da classe política brasileira que não cansa de afirmar sobre democracia: parlamentares trocaram tapas. Isto está mais para Código de Hamurabi), o mercado financeiro sorriu novamente ao receber a notícia que a chapa governista fora rejeitada, ou seja, quem analisaria o processo de impedimento seria a oposição. Sendo assim o Ibovespa gentilmente fechou em alta de 3,75% e o dólar recuou 2,27%.

Em 22 de fevereiro, quando foi deflagrada a 23ª fase da Operação Lava Jato, a Acarajé, que apontou sua seta para o marqueteiro do PT, João Santana, a Bolsa fechou o pregão com uma alta de 4,07%. E o dólar em queda de 2,43%, a R$ 3,9448. Nos mercados dizem que com certeza, João Santana será o primeiro marqueteiro preso por propaganda enganosa.
E uma das últimas reações positivas do mercado financeiro se deu no dia 3 de março, quando Delcídio do Amaral (PT-MS) pôs a boca no trombone e espirrou os nomes de Lula e Dilma. O senador falou que o ex-presidente tentou comprar o silêncio de Nestor Cerveró e pediu para que Delcídio ajudasse o pecuarista José Carlos Bumlai, pois ele estaria implicado nas delações de Cerveró e também de Fernando Baiano.

Aqui vale a pena abrir o parêntese: o acordo de delação do senador petista diz que Bumlai (um empresário) tinha “total intimidade” com a família de Lula. Não são poucas as demonstrações e já é sabido que o ex-presidente não tem mais aquela alma sindicalista que lutava pelos direitos do proletariado, mas carece lembrar uma frase citada em entrevista à revista Playboy, em 1979: “Não fico triste, fico é satisfeito quando um empresário me chama de filho da puta. Ficaria chateado se um empresário achasse que eu era maravilhoso”. Alguns empresários veem maravilhas em Lula, já outros, como apontou a Bolsa ainda partilham da mesma opinião de 1979, afinal ela fechou, em 3 de março, em alta de 5,12% e o dólar em queda de 2,4690%.

No turbilhão político, entre os dias 16, quando foram divulgadas as escutas entre Lula e Dilma, e 18 de março a Bolsa teve três quedas consecutivas e o dólar encerrou na sexta-feira (18) com o menor valor (R$ 3,582) desde 28 de agosto do ano passado (R$ 3,585). Sem contar o Ibovespa que teve a maior alta desde 2009 (6,6%), fechando acima dos 50 mil pontos.

Logo, a partir destes fatos e números, pode-se concluir que seria de bom grado a presidente da República passar o bastão e pendurar as chuteiras. Os preços do uísque, do pão, dos insumos e das viagens diminuiriam e quem sabe Brasil e brasileiros pensariam com mais otimismo o ano de 2017 porque 2016 já está no ponto morto ladeira a baixo.

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