Tudo junto e misturado

Queria voltar aos meus vinte anos. Não é saudosismo, embora eu seja bem nostálgica. Não é pra cair na farra, mesmo porque isso a gente faz com a idade que for, contanto que essa energia esteja dentro da gente.
Queria voltar aos vinte anos porque essa geração está experimentando uma coisa nova que não existia na nossa época, a cooperação, a colaboração. Esse novo sistema de vida trabalho, parceria e criação que vem do coletivo, do grupo, é uma maneira super instigante de viver.

Claro que sempre houve trabalho de equipe, lembro bem da minha sala de trabalho sem paredes na Singular, onde a gente dividia o ônus e o bônus da “firma”. Mas o processo de trabalho era individual. A gente se apoiava, se incentivava, dividia, mas não é a mesma coisa.
Essa nova galera fala outra língua, A colaboração hoje é parte do DNA dessas empresas novas. Elas nascem juntas, se mesclam, começam numa e terminam na outra. Em várias áreas, em vários nichos de mercado. Mas é no trabalho criativo que isso fica mais forte. Comunicação, marketing, design, arte, moda, joalheria, culinária, são focos super atuantes dessa nova forma de ser.

E isso muda até a cara da cidade. A proliferação de espaços coworking na cidade é a prova disso. E são ambientes de trabalho mais humanizados, voltados para profissionais liberais que se apoiam, que têm perfis socioeconômicos similares, que estão crescendo juntos e colaboram de verdade. Fora que são lugares geralmente muito modernos e conceitualmente bacanas, onde o coletivo tem realmente um propósito.

Gosto dos espaços criativos, dos teatros pequenos que promovem exposições, cursos que fogem a sua área de atuação, além do trabalho teatral de qualidade que também oferecem.
Também gosto muito dos ateliers coletivos, dos bazares, da interatividade da arte com o negócio, de projetos que se cruzam, de quadros que viram estampas, de jóias que completam a coleção das roupas, da escala artesanal que permite essa troca.

Essa gente fina, elegante e sincera que vai de bike pro trabalho, que está preocupada com o consumo, que vive o que acredita. E uma geração corajosa, antenada, colorida.
E a cidade vai se cobrindo com essas novas ideias, esses novos ares, essa nova cultura. Os sisudos prédios coorporativos e suas baias vão dividindo a paisagem com as aldeias, as casinhas coloridas, os espaços abertos. Os carros de empresa e as entregas de bicicletas, os terninhos e o saruel, salto e chinelo. Diversidade é fundamental para uma cidade produtiva. Cultural, social, modal, criativa. Tudo junto, todos colaborando para uma cidade mais interessante.

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