Capital humano, a saída para a crise

A catastrófica notícia do PIB de 2015 ser o pior em 25 anos acentua a “crise”. A “crise” está nos noticiários de economia, política, até nos esportes. Está no dia a dia da população que reclama a inflação, as contas, o dinheiro que outrora dava e agora já não dá mais.
Economistas alertam desde 2014 que a crise existe, o governo fez questão de negar, fez questão de esperar os índices, que medem de maneira um tanto abstrata a inflação, chegarem ao cotidiano brasileiro. Já noticiavam os jornais em 2014 sobre recessão; o governo dissimulou, disse que era coisa da mídia, que estavam a bombardear o governo, de fato estavam, a jogar uma bomba atrás doutra, porém com fatos e não com ilusões como mostram as propagandas políticas.

Sabe-se, a História mostra, que a crise não é eterna, o caminho para recuperação é simples, o real se desvaloriza frente a outras moedas e a exportação cresce por causa do barateamento dos produtos, com exportação em alta, o país retoma o crescimento econômico, a moeda volta a ganhar força, o consumo volta a crescer e a engrenagem volta a rodar. Ou por outro caminho: com a recessão atingindo níveis catastróficos a tendência é que a inflação diminua; com baixa inflação o consumo aumenta, movimentando, desta forma, a economia e assim a engrenagem também volta a girar.
Mas enquanto este momento não chega, o que pode ser feito por parte de quem emprega? Afinal, crise e desemprego andam de mãos dadas.

Produção

Um dos grandes problemas no mercado de trabalho está na produção. O trabalhador brasileiro produz apenas, em média, um quarto do trabalhador estadunidense. Além de ser cultural, afinal os Estados Unidos possuem uma cultura voltada ao trabalho, muito pode se explicar pelas condições que os patrões dão a seus empregados.

Pode parecer um tanto lugar-comum, mas os indicadores mostram que mesmo sendo lugar-comum, os chefes, a maioria deles, vivem no passado; não seria exagero dizer que o pensamento de um chefe hoje se aproxima muito mais do chefe do século XIX, da época da Revolução Industrial, em que funcionários tinham que bater ponto, chegar antes e sair depois, porque senão haveria outro querendo trabalhar mais por menos. É isso que vivemos, os trabalhadores são coagidos, mesmo que inconscientemente, pelos patrões, precisam “mostrar serviço” e nem sempre tem a ver com o serviço, às vezes o fato de chegar uma hora antes e sair uma hora depois já basta.

 

Há um investimento em tecnologia e inovação, mas a maioria das empresas não entendeu que investimento no capital humano é o que gera retorno de fato

 

Capital humano

Investir no capital humano é uma maneira, em tempos de crise, de economizar, é a chamada “economia preventiva”. Mais do que melhorar a produção, há também toda aquela economia da burocracia trabalhista: rescisão etc.

Armando Rasoto, economista da UTFPR e professor de Finanças da FAE, diz que “Há um investimento em tecnologia e inovação, mas a maioria das empresas não entendeu que investimento no capital humano é o que gera retorno de fato. O salário no país subiu 100% acima da inflação nos últimos 10 anos, mas o aumento de produtividade não chegou a 40%. Você só pode contar com um profissional quando ele está motivado, engajado”. Ou seja, aquelas pessoas que ministram palestras motivacionais estão certas, salário bom não é a mesma coisa que trabalho bom: ambiente, pessoas, relações etc. influenciam muito na produtividade do funcionário. Não é suficiente ter um bom salário quando se tem um pentelho ou uma pentelha que importuna a vida e impede que o ambiente do trabalho, onde o trabalhador passa grande parte do seu dia, seja agradável.

Armando Rasoto também diz que as empresas, sejam elas de grande ou pequeno porte, precisam deixar claro qual é a sua visão organizacional (missão, visão, metas). “Quando isso existe, o funcionário sabe por que a empresa existe, qual o público-alvo. Isso evita o estresse do colaborador”.

É mais ou menos como aquela velha história de sempre tratar bem quem faz sua comida. Neste caso os cozinheiros são os trabalhadores. Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), garante que investir em mão de obra, seja ela qual for, é a melhor solução, mesmo em tempos de crise, e destaca ainda que isso seja aprimorado desde a base, ainda nas escolas.

Rasoto alerta, “No Paraná, temos uma média de endividamento de 80%. Quando o funcionário está endividado, há pressão familiar, desgaste doméstico, falta de sono. Com que cabeça esse colaborador vai produzir?”. De fato, em tempos de crise o mundo desaba e a desesperança reina, mas o economista afirma que reuniões semanais, por exemplo, pode ser uma das saídas para dar um up no empregado.

Fora isso muitas empresas já entenderam que o caminho é unir o útil ao agradável, mandam seus funcionários para casa e assim cortam várias despesas como vale transporte, aluguel, luz, água, cafezinho. Mais do que estes cortes de gastos, há também um significativo aumento na produção. Poderia-se argumentar que há coisas que devem ser resolvidas apenas no cara a cara, e com certeza elas existem, mas para isso há salas de reuniões que são alugadas por hora, podendo haver um encontro semanal, quinzenal ou até mesmo mensal.

O que é consensual entre os economistas e especialistas é que investir na pessoa é a forma mais eficaz para vencer a crise, quiçá a mais barata. Afinal, empresas são feitas substancialmente por pessoas e não por máquinas.

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