Cinema. Ed. 175

Rever Antonioni

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A trilogia da incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni, “A noite”, “A aventura” e “O Eclipse” nos mostra um mundo sem esperanças, filtrado pela visão pessimista do cineasta. Mais que no discurso, essa visão está nas imagens que Antonioni criou sobre a crise das relações afetivas no mundo contemporâneo. Filmes da década de 60 são atualíssimos. Seus personagens são vidas sem criatividade, incapazes de espantar o tédio e a desesperança. É claro que não são filmes para quem gosta de montagens velozes de violência ou de sexo explícito. Para os que preservam seus neurônios, rever Antonioni é essencial.

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Cena de O Eclipse

(F.C.)

 

Um Conto Chinês

Foto; Divulgação

Foto: Divulgação

Devemos reconhecer. Não temos um cinema a altura do argentino. Nem de longe. Acabo de ver “Um Conto Chinês”. Direção de Sebastián Borensztein. Fantástico. Uma vaca cai do céu, Roberto (Ricardo Darin, sempre ele) é um comerciante mal humorado que, de repente, tem que lidar com um chinês (Ignacio Huang) que não fala espanhol. Com um roteiro despretensioso e atuações magníficas, é imperdível.

(F.C.)

Cenas de um casamento

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Cenas de um casamento (1973) é mais uma obra-prima de Ingmar Bergman, que traz no elenco Liv Ullmann, Erland Josephson, Gunnel Lindblom. Há 10 anos Johan (Erland Josephson) e Marianne (Liv Ullmann) são casados. Ambos aparentam ter sucesso em suas carreiras, sendo ele um médico e ela uma advogada na área de direito familiar. Com as duas filhas, eles levam uma vida confortável. Após uma cliente procurar Marianne para se divorciar, ela se incomoda com a situação e vê que seu casamento já não é mais tão maravilhoso quanto antes e resolve conversar com Johan, que a surpreende ao dizer que está apaixonado por uma mulher muito mais jovem e pretende viajar a Paris para viver esta nova paixão.

 

Feios, sujos e malditos

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Sempre o velho dilema sociológico: seremos fruto do meio ou aquilo que nos tornamos é culpa nossa? “Feios, Sujos e Malvados” (Brutti, Sporchi e Cattivi, de 1976) é uma paródia daquela favela utópica de “Milagre em Milão”, de 1951. Em sua cáustica acusação à sociedade italiana, Scola contraria as exegeses da pobreza do neo-realismo. Em vez de pobres pacientes, sofridos e injustiçados, Scola apresenta indivíduos perversos, brutais, mesquinhos e desagradáveis, cujos valores morais foram completamente destruídos pela penúria . Um ciclo de desesperança e desespero, quebrado brevemente em relações sexuais desesperadas que apenas levam à gravidez indesejada.

(F.C.)

Minha lei é matar ou morrer

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Giorgio Ferroni assinou a direção do western Minha lei é matar ou morrer (1967) como Calvin Jackson Padget. A película teve a atuação impecável de Giuliano Gemma, que interpreta Gary Ryan, um forasteiro que chega à cidade de Greenfield para assumir o posto de xerife. Os nativos armam uma emboscada para ele e o acusam falsamente de ter matado um bêbado desarmado. Ryan passa o filme todo a fugir tentando comprovar a sua inocência. Por isso que no original o nome do filme é Wanted, traduzido pelos portugueses como O perseguido.

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