Qual Brasil restou?

O leitor mais atento deve estar pensando: essa colunista que vos escreve é um tanto alienada. O país em ebulição e ela com textos prosaicos, dentro de uma revista onde a política é parte do DNA.

Explico: escrevi o texto que você está lendo agora com um mês de antecedência. Antes mesmo da votação do impeachment. Qualquer opinião, colocação, comentário sobre o assunto estarão completamente desatualizados. Já será passado pra você o que pra mim ainda não aconteceu.

Mas isso não quer dizer que não me importe, ao contrário. Só não posso aqui falar nada porque não sei em que Brasil estaremos vivendo. O da Dilma, o do Temer, o do Cunha ou o ainda, um país livre de todos eles.

Então faço aqui uma carta de intenções para o futuro, seja lá o que o resultado do impeachment nos der.

Desejo que alguém comece a se preocupar de verdade com a economia desse país. Nunca senti tanto o peso da crise. Mesmo sendo uma das sobreviventes da inflação galopante, não me lembro de tamanha descrença e pessimismo. Nunca senti tanta preocupação e nunca fiquei tão amedrontada com o futuro. Por isso, não desejo, imploro que algo comece a mudar e nos demonstrar a intenção de um plano melhor. Uma saída ou o início do caminho em direção a ela.

Desejo que tudo isso, todo esse sofrimento, frustração e indignação nos levem a uma transformação de padrão. Obviamente a mudança política que nós queremos levará anos para ser concretizada. Mas que uma empresa, um candidato, um empresário e um eleitor pensem mil vezes antes de repetir esse modus operandi que tanto nos prejudicou por anos e anos.

E desejo, acima de tudo, o adeus incondicional às armas. Desejo que a democracia possa ser vivida de forma plena, você com suas ideias e eu com as minhas, sem muros, sem repressão, sem violência, sem intolerância. Que possamos viver uma vez na vida o clichê que diz que juntos somos mais fortes. Piegas assim. Que nossas semelhanças sejam maiores que nossas diferenças. Que nossos desejos por uma vida melhor e mais honesta seja mais forte do que nossas ideologias.

Podemos ser todos vencedores ou todos perdedores no processo que o país vive. Espero que você que está aí no futuro esteja feliz.

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