Impeachment de Dilma e cassação de Cunha têm novos capítulos

Dilma Rousseff e Eduardo Cunha. Foto: Wilson Dias/ABr

 

Senadores vão votar cronograma do impeachment de Dilma, enquanto Conselho de Ética da Câmara entra na fase final do processo contra Cunha

 

Por Patrícia Cagni
Da Agência Pública

O vazamento dos áudios envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-senador José Sarney (PMDB-AP) provocou uma verdadeira tempestade no Congresso na última semana, com reflexos na pauta de votações. A repercussão da tentativa de barrar a Operação Lava Jato dentro do Congresso Nacional, segundo a nova oposição com base no conteúdo dos relatos, ganhou força e mudou a rotina dos trabalhos parlamentares.

Enquanto Jucá pedia licença do cargo de ministro do Planejamento, o presidente interino Michel Temer (PMDB-RJ) foi pessoalmente ao Senado para entregar a revisão da meta fiscal que, em dois dias, foi apreciada e aprovada pelo plenário do Congresso – em uma primeira vitória do governo Temer e com a dificuldade extra de ter de aprovar, na mesma sessão, 24 vetos presidenciais com o objetivo de desobstruir a pauta e, assim, abrir caminho para a votação da nova meta.

Com o protagonismo das discussões, reuniões de colegiados importantes precisaram ser adiadas. Os trabalhos serão retomados nesta semana. Isso se a classe política não for abalada por desdobramentos de delações premiadas ou novas fases da Operação Lava Jato.

 

Cronograma do impeachment

A proposta para o cronograma de trabalho da Comissão do Impeachment foi apresentado no dia 25 pelo relator da matéria, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), mas a votação da proposta só acontece na próxima quinta-feira (2). O intervalo foi sugerido pelo presidente do colegiado, Raimundo Lira (PMDB-PB), com o objetivo de que os parlamentares tenham tempo de analisar as datas e pensar em possíveis sugestões ou alterações no plano de trabalho.

Desta vez, senadores de oposição ao governo Temer e o chamado “centrão” discordaram da previsão feita pelo senador tucano. De acordo com o cronograma apresentado por Anastasia, a votação do relatório para indicar se houve, ou não, comprovação de crime de responsabilidade será em 27 de julho. Para a análise do parecer em plenário, o relator sugeriu o dia 2 de agosto.

O problema apontado principalmente por senadores petistas é que, com essas datas, o prazo de 180 dias garantidos pela Constituição à presidente afastada vai ser cumprido pela metade. Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Fátima Bezerra (PT-RN), Humberto Costa (PE) e José Pimentel (PT-CE) criticaram a ação e pediram adiamento da votação. O grupo pretende renegociar as datas.

 

Processo de Cunha na fase final

O Conselho de Ética, que há mais de seis meses investiga a quebra de decoro do presidente afastado da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), volta a se reunir em audiência pública na terça-feira (31). A reunião, marcada para as 11 horas, será realizada para que o deputado Marcos Rogério (DEM-RO), relator do parecer sobre a investigação contra Cunha, possa encaminhar ao presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), entendimento favorável à cassação do mandato do peemedebista.

 

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