Coesão textual

Sempre tive problema com coesão textual nas minhas redações escolares. Nunca fui um destaque da escrita no colégio. Meus professores e minhas professoras, hoje tenho a impressão, exigiam de mim uma escrita fluida, concentrada e nada hermética. Imagino que eles tinham como modelo o romance do século XIX. Eu nasci em 1992, eles não entendiam isso. Sou a primeira geração do século XXI, não a última do século XX. Em 1998, com cinco anos, chegou o primeiro computador na minha casa. As cores e a bandeirinha preta da Microsoft serão inesquecíveis, assim como o barulho do telefone quando alguém tinha se conectado à internet. Era importante entender que nasci em 1992 porque sou a pós-modernidade neoliberal fragmentada em tantos pedaços que torna-se impossível exigir coesão textual. Sou várias frases. Infinitos apostos. Vejam quantas vírgulas, quantos pontos finais. Cada palavra é uma relação entre signo e significado. É signo ou significado? Segundo quem? Palavras e coisas. Da minha geração em diante não se pode exigir coesão textual. Somos a quebra. As quebras. Por isso tanta poesia. Cada verso é uma história.

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