Com uma mão se lava a outra

Esta frase resume preceitos de solidariedade, dando conta de que as ajudas devem ser mútuas. Foi originalmente registrada no parágrafo 45 do romance Satyricon, do escritor latino Tito Petrônio Arbiter (século primeiro a.C.), transposto para o cinema pelo famoso cineasta italiano Federico Fellini (1920-1994).

Em síntese, o romance narra a história de um triângulo amoroso, envolvendo dois rapazes apaixonados por um terceiro, mas livro e filme põem em relevo a decadência dos costumes políticos. Tanto o romancista como o diretor criticam duramente a civilização ocidental, apesar dos 20 séculos que os separam, onde o que mais falta é justamente a solidariedade.

Comer mortadela e arrotar peru

Esta frase, vituperando quem se gaba do que não é, não tem ou não faz, utiliza metáfora culinária que opõe comida de pobre, a mortadela, a prato de rico ou ao menos remediado, que pode comer peru, carne de melhor qualidade.

Há também algumas variantes que utilizam outro tipo de comparações, como a de comer feijão e arrotar caviar, comer sardinha e arrotar pescado.

A eructação pela boca dos gases do estômago, provindos de seus afazeres da digestão, é ansiosamente esperada pelas mães após a administração da mamadeira, mas intolerada nos adultos por ferir regra de etiqueta.

Em outras culturas, porém, arrotar à mesa do anfitrião indica gesto de delicadeza e apreço pelo prato que ele ofereceu.

Conversa mole para boi dormir

Significando assunto sem importância, esta frase nasceu quando o boi era tão importante que dele só não se aproveitava o berro.

Tratado quase como pessoa, com ele os pecuaristas conversavam, não, porém, para fazê-lo dormir.

Nas touradas, quando o boi ainda é touro, até sua fúria compõe o espetáculo. Na Copa de 1950, o Brasil venceu a Espanha por 6 a 1 e quase 200 mil pessoas cantaram Touradas em Madri, de Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, que termina com estes versos:

“Queria que eu tocasse castanholas e pegasse um touro a unha/caramba, caracoles/não me amoles/pro Brasil eu vou fugir/isso é conversa mole/para boi dormir”.

Custar os olhos da cara

A história desta frase começa com um costume bárbaro de tempos muito antigos, que consistia em arrancar os olhos de governantes depostos, de prisioneiros de guerra e de indivíduos que, pela influência que detinham, ameaçavam a estabilidade dos novos ocupantes do poder.

Naturalmente, a expressão alude também ao incomparável valor da visão. Por isso, pagar alguma coisa com a perda dos olhos passou a ser sinônimo de custo excessivo, que ninguém pode pagar.

Plauto (254-184 a.C.) registrou o costume dos reis antigos de cegar os poetas para torná-los dependentes e assim compor para eles

“Defender os interesses da Coroa espanhola me custou um olho da cara”, disse o conquistador espanhol Diego de Almagro, o Velho, que morreu estrangulado em Cusco, no Peru. Era pai de Diego de Almagro, o Moço, decapitado na mesma cidade seis anos depois. Como se vê, para os dois custou muito mais.

 

 

 

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