Pré-Cinema

Voltamos ao século 19, nos tempos de Edison que patenteou o Kinetoscópio, em 1891, desenvolvido por Willian K. L. Dickinson engenheiro-chefe do Laboratório de Edison. Este caixotão possuía um pequeno visor individual ao qual se podia assistir imagens em movimento, mediante a inserção de uma moeda. Dado ao tamanho limitado da telinha as imagens disponíveis eram de animais amestrados, cômicos, bailarinas dando alguns passos, casal se beijando, um trecho de uma luta de box. Daí que alguns americanos consideram Thomas Edison o inventor do cinema. Mas com os Irmãos Lumière, a experiência de assistir imagens tornou-se imersiva e social, com um público frente a uma tela, sentados em uma sala escura, com atenção dirigida: é o que define o espetáculo cinematográfico (ver o número 218 de Ideias sobre os irmãos Lumière, criadores do cinema). Outra diferença dos filmes de Edison, é que os Lumière filmavam grandes planos, cenas de cidades e paisagens, o que se tornou de grande interesse histórico, visões do final do século 19.

Quando digo que voltamos ao século 19, me refiro a estes que dizem ver filmes em celulares com suas pequenas telas e som também muito limitado. Aumentou a conveniência, mas o tamanho da tela importa, e muito, influenciando no resultado da informação, pois além da riqueza de detalhes que podem passar despercebidos, atinge e condiciona de uma maneira mais total a consciência e a estrutura mental do espectador. A mesma coisa com o som. Também quando vemos um filme coletivamente, potencializa-se a sensação de determinada piada, efeito ou drama, que sozinhos talvez nem a percebamos. A informação aumenta de qualidade e intensidade, pois provoca no espectador motivações e reações que ele não possui individualmente. Menos mal é a experiência de tela grande em home-theaters, que a tecnologia barateou e tornou possível com som e imagens em alta definição.

Estava conversando com um recém-formado arquiteto sobre o filme “Gravidade” (Gravity) com Sandra Bullok, George Clooney, Ed Harris, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, produção 2013, distribuição Warner Bros, música de Steven Price, 10 indicações ao “Oscar”, e fotografia deslumbrante. Ele me disse que não gostou muito do filme, que eu estava elogiando, e citando coisas que ele não tinha percebido, por isso seu desacordo. Perguntei em que condições ele tinha visto o filme, e ele respondeu que no celular. Eu, que tinha visto o filme num cinema Imax, tela enorme, som maravilhoso, imersão total, respondi: você não viu o filme!

É um retrocesso, que a tecnologia disponível favorece pela conveniência. Afeta também grandes obras musicais por estes aparelhinhos de som muito limitados. Não falta nem a moedinha para inserir no aparelho, pois as formas de pagamento para ver conteúdos absolutamente dispensáveis, são múltiplas.

Levantamento da “Filme B”, empresa especializada no mercado cinematográfico, indica as 10 maiores médias por sala no Brasil. Os dados abrangem o período de 1º de janeiro a 31 de julho de 2019. Curitiba está em 10º lugar entre as capitais do país. Talvez esta baixa ocupação dos curitibanos explique o grande número de filmes exibidos em outras cidades e que não chegam por aqui, nem na programação do cine Passeio, que insiste em programar produções comerciais exibidas em salas de shoppings. Ou será que Curitiba tem salas em excesso?

As 10 maiores médias de público por salas de cinema no Brasil:

  • São Paulo – 41857
  • Rio de Janeiro – 41305
  • Fortaleza – 41167
  • Recife – 40603
  • Belo Horizonte – 39261
  • Salvador – 38487
  • Brasília – 37022
  • Porto Alegre – 34723
  • Manaus – 34441
  • Curitiba – 32311

Fonte: Filme B

Legendas:

No abre: Thomas Edison

Figura 1. Kinetoscópio

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