Coronavírus em Curitiba

Quarta-feira, 13. Curitiba. O coronavírus chega a todos os 75 bairros da cidade. Dois meses depois do primeiro caso. A doença avança rápido e mesmo assim é subestimada por autoridades federais e parte da população.

Em Curitiba, a secretária da Saúde Marcia Cecilia Huçulak vem sendo incisiva nas recomendações sobre o isolamento social, higienização e uso de máscaras, até agora, medidas que acontecem em todo mundo para controlar a Covid-19.

Apesar das lives diárias da Secretaria de Saúde com atualizações do número de casos e mortes – quando há –, além de recomendações sobre o comportamento da população, no mesmo dia 13, quarta-feira, Curitiba, bolsonaristas em carreata pediam a abertura do comércio. Foram até o Centro Cívico para pressionar Ratinho Junior a abrir os comércios e adotar o decreto daquela semana de Jair Bolsonaro cuja inclusão de serviços essenciais não teve diálogo algum com o então ministro da Saúde, Nelson Teich, pego de surpresa em entrevista coletiva. Dias depois, Teich pediu demissão.

Um grupo que saiu da praça da Espanha levou ovos e gritos que objetivavam mostrar a insensatez de uma carreata a pedir o livre trânsito no comércio e na vida. Em qual vida? Isso mostra o peso da opinião de um presidente, pois enquanto a doença avançava na própria cidade, os cidadãos desta pólis que se pretende república pressionavam autoridades.

Naquela quarta-feira, a secretária de Saúde manteve o discurso sensato, quem usa a ciência e os estudos a seu favor.

“Do ponto de vista dos cuidados, as recomendações são as mesmas para todos, e muito especialmente para os grupos de risco. É isolamento social, uso de máscaras, higiene e nada de aglomeração”, afirmou.

A epidemiologista da SMS Marion Burger, também presente nas lives ao lado de Márcia Huçulak, fez um alerta. A quantidade de casos separados por bairros ou regionais não significa que se trata de região mais perigosa ou menos. “Ele indica apenas onde a pessoa que contraiu a doença mora”, disse.

O novo coronavírus chegou à Curitiba a partir da regional Matriz, que contempla o Centro e os bairros ao seu redor, no dia 11 de março. E é nela o maior índice por 100 mil habitantes. Naquele dia 13 de maio eram 189 casos o que incide em 105,6 por 100 mil. Em seguida, Santa Felicidade com 100 casos e 64,3 por 100 mil habitantes. A regional com menor número de casos é Tatuquara (9), 10,5 por 100 mil habitantes.

As autoridades de saúde, no entanto, chamam a atenção para a exposição ao vírus em regiões mais vulneráveis e/ou populosas, pois exige cuidados ainda mais atentos, já que são potencialmente sensíveis ao aumento da transmissão.

Novo coronavírus chega a todos os bairros de Curitiba.

 

Região Metropolitana de Curitiba

Quinta-feira, 14 de maio, um dia depois de o novo coronavírus ter contaminado toda Curitiba, circulou uma reportagem do Bem Paraná, a partir de levantamento feito pela equipe do jornal. O corona estava em 23 dos 29 municípios da Região Metropolitana de Curitiba ou 79,3%. Naquela altura eram 858 casos de Covid-19 e 44 óbitos em seis municípios ou 20,7%.

As seis cidades que ainda não haviam registrado caso de Covid-19 – Tunas do Paraná, Piên, Doutor Ulysses, Cerro Azul, Bocaiúva do Sul e Adrianópolis – somam uma população de 63.737 pessoas, o equivalente a apenas 1,74% de toda a população que vive na RMC.

Dados recentes de Curitiba

Os dados de hoje (18) registraram mais uma morte, totalizando 34 óbitos, mais 13 casos. Com o boletim, são 854 casos confirmados da infecção desde o início da pandemia, em 11 de março. Desse total, 625 pacientes já se recuperaram da doença e estão liberados do isolamento social. Outros 247 casos da covid-19 estão em investigação e 1.815 casos foram descartados.

Em relação aos internamentos, atualmente 66 pacientes confirmados com a covid-19 estão internados em hospitais públicos e privados, 31 deles em UTI, e seis precisando do auxílio de ventilação mecânica (respirador). Entre confirmados e suspeitos, a taxa de ocupação das 207 UTIs SUS exclusivas para covid na cidade é de 38% até hoje (segunda-feira).

Esses leitos fazem parte de um total de 237 previstos para pacientes com sintomas e confirmados com a infecção. As 28 unidades restantes serão ativadas conforme a evolução dos casos.

Além dos 34 óbitos confirmados até agora, a secretaria já investigou 224 mortes por suspeita de covid-19, sendo 219 descartadas e cinco em investigação.

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