Mais história

Os irmãos Lumière, inventores do cinema (ver número 218 da revista) o consideravam de interesse apenas científico, não imaginaram suas potencialidades artísticas.

Georges Méliès estava entre os espectadores maravilhados da primeira apresentação de cinema no “Grand Café” em Paris. Tentou comprar o cinematógrafo, mas os Lumière recusaram.

Comprou um aparelho análogo, e como vinha do teatro, criou o espetáculo cinematográfico. Construiu um estúdio em 1897 na sua propriedade às portas de Paris. Além de contar histórias, aperfeiçoar truncagens, foi o primeiro a utilizar maquetes, filmou através de um aquário, utilizou a sobreimpressão, o “travelling” o “stop-motion”.

Méliès atingiu o seu apogeu com o famoso “Viagem à lua” (Voyage dans la Lune) em 1902.

Este filme tornou a sua empresa universalmente célebre. Tinha a duração de ¼ de hora, 280 metros de película, e sua cópia era vendida por metro, assim como todos os filmes produzidos por Méliès.

Georges Méliès

O êxito do filme foi maior nos Estados Unidos do que na França. Venderam centenas de cópias, o que causou surpresa a seu produtor, que enviara apenas cinco ou seis cópias.

Cinco anos depois, este sonhador que inventou a encenação no cinema estava na miséria. Em 1932, a Sociedade de cinema da França arranjou um lugar na “La maison du retraite de cinema”, a casa de repouso da indústria cinematográfica em Orly, onde viveu o resto de seus dias com sua esposa e neta.

Méliès (1863 – 1938) salvara o cinema, o novo espetáculo estava agonizante, pois a burguesia abandonara as salas escuras quando cessara a novidade, e o povo ainda não as frequentava.

Charles Pathé é o terceiro homem da trindade dos inventores do cinema como o conhecemos hoje: inventou o negócio.

Substituiu a venda de filmes pelo aluguel, lançou as bases do que se converteria numa organização completa com os três ramos: produção, distribuição e exibição. Fabricava também equipamentos.

Charles Pathé (1863-1957)

Aqui em Curitiba, o cine Palácio era equipado com projetores Pathé, assim como em outras salas pelo mundo afora. A partir daí, de diversão de feiras estabelece-se em locais fixos e até suntuosos.

Charles fundara a “Pathé Frères”com dois de seus irmãos em 1896, tendo adquirido experiência como produtor fonográfico, um dos maiores no ramo de discos e fabrico de gramofones, antes de se ocupar com filmes.

Em 1909, a Pathé construiu mais de 200 salas de cinema na França e na Bélgica. Em 1914 instalou estúdios nos Estados Unidos. O símbolo da empresa até hoje é o galo, que anunciava seus filmes, e chegou a ser mais conhecido que o Leão da Metro, anos mais tarde.

Ainda hoje assistimos filmes da Pathé e, principalmente na Europa, existem grandes complexos de seus cinemas.

A guerra de 1914 assinalou o declínio do cinema europeu e estabeleceu a supremacia americana. Após “O nascimento de uma nação” (Birth of a nation), 1915, direção de David W. Griffith, um dos pais da linguagem cinematográfica, a mais jovem das indústrias norte-americanas adquiriu consciência de sua força.

Com 115 minutos de duração, conta a saga de duas famílias americanas do norte e do sul, durante o período da guerra civil americana. Marco do cinema americano, é polêmico por causa de seu conteúdo racista. As sequências de batalhas são esplêndidas, ponto alto de um grande filme, prejudicado por uma perspectiva política míope.

Desde este momento e mais acentuadamente a medida que se aproxima a segunda guerra mundial, uma nova maré de realizadores, intérpretes e compositores europeus foram para Hollywood, continuando a tradição do cinema americano, nem sempre feita pelos americanos.

Da Hungria Michel Curtiz, da Alemanha Fred Zinneman, da Áustria Billy Wilder, da Inglaterra Hitchcock e tantos outros.

Deixe uma resposta