Fandango – Cris Ribas

Das aulas de fotografia que Mariana Canet e eu demos no Solar do Rosário tivemos revelações de alguns talentos. Cristiane Ribas Machado, a Cris como é mais conhecida, é uma delas. Já a pareceu na Ideias com fotografias de animais tiradas às margens do Rio Paraná. Junto com seu marido Giuliano começou um projeto de documentação fotográfica sobre o Fandango. A informação que eu tinha a respeito do Fandango é de música e dança folclórica do litoral paranaense. Mais nada. E é muito mais. Resumo a informação de um artigo que a Cris enviou “O fandango na cultura popular paranaense: origem e caracterização” de autoria de Roberta Baltazar de Oliveira e Larissa Michelle Lara.

O fandango é uma festa típica dos habitantes do litoral paranaense presente em Antonina, Guaraqueçaba, Morreres e Ilha de Valadares. É uma reunião de várias danças (“marcas”) realizadas em forma batida (sapateado) pelo homem e valsada por homens e mulheres ou mista (batida e valsada). Viola, rabeca e adufo (espécie de pandeiro) são os instrumentos utilizados. Sua origem, discutida, parecer ser uma fusão de influência portuguesa e espanhola com manifestações culturais do litoral paranaense.

O caminho que Cris segue é o da foto documentação. Ao fotografar a natureza e os animais da Mata Atlântica tomou conhecimento com a arte litorânea do Paraná, notadamente o fandango. Em conversas com os habitantes locais, os caiçaras, em Guaraqueçaba, conheceu o fandango suas danças e suas músicas.

Em consequência da pandemia não pode acompanhar a Romaria do Divino, que acontece depois da Páscoa. São 50 dias em que percorrem várias localidades desde Cananéia até Guaraqueçaba.

Este projeto está suspenso mas Cris e Giuliano voltarão a desenvolve-lo depois que passar esta época infeliz. Vendo estas primeiras fotos pode-se ter uma ideia do que virá a seguir. Uma visão que mistura o grande plano com os detalhes. O uso do P&B e do quase alto contrate leva a uma visão dramática do espetáculo. O fundo preto ressalta os dançarinos nos grandes planos e nos detalhes, com a presença de gradações do cinza, uma interação dos instrumentos com os músicos. Ficamos no aguardo que Cris, depois que o caos for embora, nos traga mais fotografias tão criativas como estas.

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