Infodemia / Pandemídia

Após o controle do Corona, que rogamos seja em breve, ficarão suas sequelas. Físicas? Não, emocionais! O isolamento a que fomos submetidos em forma de quarentena, diga-se de passagem, extremamente necessário o período proposto, trará algumas mudanças em relacionamentos. Aqueles que já eram saudáveis, provavelmente melhorarão, pois os casais puderam usufruir de um tempo que não tinham, em função da correria do dia a dia. Pais e filhos marcaram uma nova etapa em suas vidas, pela possibilidade da proximidade, da melhora do diálogo, da alegria da presença. Porém, para aqueles relacionamentos que já vinham em um processo de desgaste, muito provavelmente tenham piorado. Isso dentro de uma lógica. Se a coisa já não esta boa quanto mais contato pior fica. Isso tanto entre os casais quanto entre pais e filhos.

Esse é um resumo básico dos aspectos familiares a que todos teremos como resultado desse período. Há, porém, um outro aspecto crucial a que todos fomos submetidos, uns em menor grau e outros em grau maior, que é a “infodemia e a “pandemídia”, como batizei o título desse artigo. O excesso de informação à que fomos torturados, trará suas seqüelas emocionais, dependendo da administração e gestão que cada um deu a tudo que lhe informaram. Isso foi visto na reação das pessoas aos materiais de proteção que, inicialmente, o medo lhes fez usar. Não era raro ver em mercados, farmácias ou mesmo na rua,  seres quase alienígenas, tamanha a maneira bizarra que usaram para se proteger, face as informações recebidas por todos os canais da mídia, fora a capacidade individual de imaginação e criação.

Todos ficamos pós graduados em cloroquina, máscaras e suas fabricações, álcool em gel, etc.

Alguns mais anti-sociais, aproveitaram o momento para distanciarem-se de vez de amigos e familiares. Outros, muito mais sociáveis, sofreram com o distanciamento e planejam recuperar todo tempo perdido, com almoços e jantares em encontros festivos, me incluo nesse grupo.

O medo foi e é o principal sintoma observado. Quanto mais informação mais medo. Hoje entendo a frase que diz: “O melhor sono é o do ignorante”.

Como médico já começo a vivenciar no consultório o aumento dos casos de ansiedade e depressão.

Devemos começar a nos preparar para o período que se apresenta. Mudanças ocorrerão. A preocupação com a higiene será maior. Sem os excessos, isso será muito bom. A máscara, provavelmente, virará item de moda, pois parece que nos acompanhará ainda por um tempo. Os cumprimentos à moda antiga, com beijos e abraços, serão reintroduzidos paulatinamente, dependendo da carência de cada um e de seus costumes anteriores. Espetáculos com platéias, sei lá. Como ficarão os cantores, atores teatrais, circos?

Enfim, teremos que nos reinventar em muitas coisas, criar um nova normalidade. Por se tratar de um problema mundial, de alguma forma nos adaptaremos.

Sou um otimista de plantão. Acho que seremos surpreendidos com uma volta mais rapidamente do que prevêem os urubus noticiosos e mães Dinás da vida.

Por ora deixo a todos o meu efusivo abraço, com, claro, os devidos 1,5 metro de distância.

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