O Microcosmos de Jorge Sato

O trabalho fotográfico de Jorge Sato é múltiplo. São projetos, ensaios, fotos comerciais, viagens. Com seu olhar privilegiado vê o que a maioria não vê. Olha com olhos de ver no dizer dos portugueses. Do macro ao micro. Das grandes obras de Oscar Niemeyer, de suas viagens pelo mundo com suas câmeras Lomo, agora concentra a via visão no universo de sua casa. O recolhimento forçado atiçou sua visão para os detalhes. Olhar intimista, o olho a ver o ínfimo detalhe que remete ao não figurativo, ao abstracionismo. Nestas fotos usou a fotografia digital.

A Ideias publicou suas fotos em duas edições: “Um clique de Lomo jamais abolirá o acaso” e “O olho de Sato vê Niemeyer”. E Sato tem muito mais a mostrar.

Segue o texto que escreveu sobre este instigante trabalho:

“O surto se aproximou e o confinamento foi preciso. A noção do tempo foi perdida e o controle sobre as ações mais simples, dissolvida. A realidade se tornou mais fria devido a suspensão das interações físicas e duvidosa, já que vivenciamos um prelúdio distópico do romance de George Orwell.

Como consequência deste cenário surge o projeto Microcosmos, que busca representar o universo interior através de um olhar onírico sobre objetos triviais espalhados pela casa. Sentimentos inconstantes e contrastantes dão vida a uma releitura silenciosa, nostálgica, misteriosa e sideral. A ausência de cores tem o intuito de tornar a mensagem mais pura e não causar distrações.

As representações das imagens podem ser tanto por semelhança, como a Via Láctea dentro de uma xícara de café ou moléculas dentro do recipiente de álcool-gel quanto pelo sentido figurado, como uma página em destaque remetendo à luz do conhecimento ou um brilho intenso no fundo da máquina de lavar representando uma saída.

Há também associações contemplativas, como as gotas do chuveiro retratando uma pintura expressionista abstrata ou o movimento das bolhas de um antisséptico simbolizando uma relação espiritual de admiração aos fenômenos da natureza, como a chuva, defendida pelo movimento artístico romântico surgido no fim do século XVIII.

A ideia deste projeto é canalizar as angústias, anseios e o vazio provenientes do isolamento e levá-las a um refúgio criativo. É dar propósito a este tempo suspenso que nos remete a um eterno Déjà vu. É conceder à alma um breve conforto e um respiro profundo.”

 

1 – Microcosmos 15 Auto-retrato 

2 – Microcosmos 13 Chave

3 – Microcosmos 04 Lençol

4 – Microcosmos 06 Folha

5 – Microcosmos 07 Chuveiro

6 – Microcosmos 09 Lençol

7 – Microcosmos 05 Livro

8 – Microcosmos 01 Xícara

9 – Microcosmos 14 Lente

10 – Microcosmos 11 Teclado

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