Hollywood – América?

A grande força do cinema americano no século XX, deveu-se a criação de um império de produção e distribuição do seu produto em escala mundial, com uma comercialização agressiva. Porém, esta grande força deveu-se à união de valores americanos e europeus, depois principalmente da primeira guerra mundial, quando os europeus e notadamente a França, até então, dominavam o mercado. A mais poderosa companhia produtora de filmes em Hollywood, em sua época dourada, foi a Metro-Goldwim-Mayer, criada no ano de 1923. Seus fundadores: Louis B. Mayer, Marcus Loew e Samuel Goldwyn (Goldfish), imigrantes europeus. Mayer foi o todo poderoso chefe do estúdio. Nascido na Rússia em 1885, emigrou para o Canadá trabalhando com ferro-velho. Em 1914 ficou rico distribuindo “O nascimento de uma nação” de Griffith, abrindo seu próprio estúdio, fundindo-se com os outros dois e tornou-se o todo poderoso chefe de produção da Metro até 1951. Em 1927 fundou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Jack Warner (1892 – 1978) chefe da Warner Bros.

Os irmãos Warner (Albert, Harry e Jack) eram imigrantes poloneses que a princípio possuíam um modesto Nickel Odeon na Pensilvânia, mas que depois de alguns anos fundaram outra gigantesca produtora de filmes em Hollywood, a Warner Bros, que se notabilizou pela introdução do cinema “falado” em 1927.

A Paramount Pictures foi fundada em 1912 por um húngaro chamado Adolph Zukor, com ajuda da famosa atriz francesa chamada Sarah Bernhard e outros. Outro húngaro de grande influência foi Willian Fox, que fundou a Fox, outro grande estúdio que depois tornou-se a 20th Century Fox. Este estúdio introduziu o “Cinemascope” em 1954, hoje Widescreen, invenção de um francês Henry Crétien. Ele construiu um conjunto de lentes que durante a filmagem reduzia o espaço do quadro da película para, na projeção, devolver a imagem à sua dimensão normal. Formato em que a proporção da projeção tem mais de duas vezes o tamanho da largura do que da altura. Era o cinema espetáculo, tentando deter o avanço da televisão.

William Fox (1879 – 1952) Chefe da Fox, depois 20th Century Fox.

Ao passarmos para astros, diretores, compositores, a relação de nomes europeus que se fixaram na então “meca do cinema” fica quase interminável. Vamos citar apenas como exemplos, alguns diretores e algumas de suas obras, cuja influência em Hollywood é insofismável.

Michel Curtiz (Mihaly Kertez) especialista em filmes de ação e aventura, sendo responsável pelo astro Errol Flynn (australiano), dirigiu o premiado Casablanca. Começou nos EUA em 1933, dirigindo centenas de filmes até 1961.

Charles Chaplin, diretor, produtor e ator nascido na Inglaterra, criador de Carlitos, o vagabundo com bengala, chapéu coco, calças largas e sapatos de palhaço, o tipo mais famoso do cinema. Autor completo de seus filmes, uniu-se a Griffith, Mary Pickford e Douglas Fairbanks para fundar a United Artists. A lista de curtas é longa e inclui Em busca do ouro, Tempos modernos, O garoto, Luzes da cidade.

Ernst Lubitsch, berlinense, o mestre da comédia sofisticada, do subentendido, da sugestão elegante, da frase brilhante. Seus filmes tinham o que se chamava de “toque Lubitsh”. Criou a comédia característica norte-americana da época. Na década de 30 foi chefe de produção da Paramount. Morreu cedo, em 1947, mas tem em sua filmografia, A oitava esposa de Barba Azul, Sócios no amor, Ninotchka (com Garbo, atriz sueca), A viúva alegre.

Louis B. Mayer (1885 – 1957) todo poderoso chefe dos estúdios da Metro.

Billy Wilder, roteirista e diretor, seus filmes se tornaram clássicos sejam dramas ou comédias. Cínico mordaz e sofisticado, era excelente diretor de atores, conseguindo despertar em Marilyn Monroe sua vocação de comediante em O pecado mora ao lado e Quanto mais quente melhor, considerada uma das melhores comédias do cinema. Também dele Crepúsculo dos deuses, Farrapo humano, A montanha dos sete abutres, sobre a imprensa marrom. Era vienense, admitindo a influência de Lubisch, assim como outro austríaco, Otto Preminger, de vasta filmografia.

Alfred Hitchcock, diretor inglês, iniciando em Hollywood com Rebeca a mulher inesquecível e depois com Quando fala o coração, Festim diabólico, Pacto sinistro, Janela indiscreta, Psicose. Filmou até 1976, o mestre do suspense se tornou conhecido pelo público nas suas aparições no início dos filmes, e em que apresentava sua série de TV.

Claro que poderíamos citar grandes diretores americanos, mas fica evidente que a grande aceitação do cinema americano no mundo deveu-se também à união dos valores americanos e europeus, e que fizeram a era dourada do cinema, unindo arte e espetáculo.

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