Nepotismo fardado

Pois parece que nomear filha para cargo público virou moda na turma de generais lotados no governo Bolsonaro. Se a nomeação de Isabel, filha do ministro da Casa Civil, Braga Netto, para um cargo na Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), fosse julgada pelo STF, o mais provável é que o ato fosse considerado ilegal – ou nepotismo, prática banida do poder público desde 2008. Formada em 2016 no Curso de Design pela Escola de Propaganda e Marketing (ESPM), de São Paulo, ela vai ocupar o cargo de gerente de Análise Setorial e Contratualização com Prestadores, com salário de R$ 13 mil por mês. A nomeação foi avaliada pela Casa Civil. Outros ministros acham que não há nepotismo quando o parente ocupa cargo de natureza política. São cargos de livre escolha do gestor.

Exemplos como o de Isabel não são novidade no governo Bolsonaro. Adriana Villas Boas, filha de Eduardo Villas Boas, ex-comandante do Exército e atual assessor da Presidência, ganhou cargo de confiança no Ministério de Direitos Humanos. Desde novembro, ela comanda a coordenação de Pessoas com Doenças Raras, na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência – e com salário de R$ 10,4 mil. Mais: em junho de 2019, Patricia Cunha, filha do ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria do Governo) pediu licença não remunerada da EBC (vinculada à Segov na época), quando ele assumiu seu cargo.

Stephanie dos Santos Pazuello, filha do ministro interino da Saúde, foi designada hoje para cargo de supervisora na RioSaúde, vinculada à prefeitura. Publicada hoje no Diário Oficial do município, a designação é retroativa, com validade a partir de 6 de julho, ou seja, 17 dias atrás.

Assim caminha a humanidade.

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